quarta-feira, 9 de maio de 2018

Quantas vezes



Por medo, por vergonha, por preguiça, por falta de interesse, a gente deixa de olhar para si.
Não somos estimulados a isso, e como conclusão empurramos a vida com a barriga, com atitudes mais ou menos, com pessoas mais ou menos, só porque é mais fácil, mais cômodo e dói menos.
Sem pensar que doer pouquinho uma vida inteira pode ser pior que o desconforto momentâneo de uma guinada.
Estaremos juntos aqui, para crescer, trocar e agregar um a vida do outro. Buscar tempo de qualidade, relações de qualidade, uma vida de qualidade.
Toque-se, entenda-se e se divida para somar, acrescente e deixe acrescentar.
E mesmo que doa, que traga desconforto, tenha a certeza de que isso é só o início. Às vezes precisamos desconstruir, desapegar para que algo novo surja, para que o que há na sua essência floresça e você saiba que não há o que temer, pois quando fazemos nossa parte com consciência de acordo com a verdade  que há em nós o resto tudo muda, o mundo muda.
Não proponho algo que eu nunca tenha feito ou algo impossível de se fazer, mas simples de entender e se acostumar, proponho sim, para que nos façamos companhia para seguirmos daqui para frente... Fácil assim.


AE.18/08/13-PC

Enxergue-se


Essa semana eu fiquei pensando em quais as características que encontramos em alguém que admiramos.
Ontem eu assisti na GNT um documentário sobre exploração infantil e uma das entrevistadas era Patrícia Saboya, uma mulher forte e nem por isso com menos sentimento, uma mulher de coragem que vai à luta por aquilo que acredita. E então percebi que de todas as pessoas que eu admiro, me chamam a atenção pela firmeza, a consistência da pessoa em si. Pessoas que tem consciência de onde querem chegar, do espaço que as cercam e não tem medo de caminhar na direção do que querem para si e para o mundo.
E então eu pergunto: E você? Você mesmo que está lendo esse artigo. Quando foi a última vez que você fez algo por você? Pensando nos seus desejos e valores, sabendo quem é e aonde quer chegar?
E pasmem! Existem pessoas que nunca tiveram sequer um único momento de introspecção na vida, fogem de ficarem em silêncio e abominam estar sozinhas porque o que há dentro delas começa a colocar a asinha de fora, começa chamar a atenção, e então rapidamente, procuram um lugar para ir, algo para comprar ou até mesmo para comer. Qualquer coisa menos olhar para dentro. Parecemos crianças que ao escutar um barulho a noite temos medo de ver o que há embaixo da cama e encontrar o pior dos monstros, que vai nos engolir inteiros em um processo fulminante de dor.
Olhar para dentro de si não é fácil mesmo, e menos ainda prazeroso quando não se tem o hábito, mas com o passar do tempo em algum momento da vida sentimos a necessidade de adentrar aquele cômodo escuro que há em nós onde entulhamos todo tipo de tralha, lembranças e sentimentos que não usamos mais, que doeram muito e por vezes ainda doem. Traumas de quando éramos crianças e até mesmo o que nos causa desconforto depois de adultos.
E o que eu peço a você é que mesmo sem coragem pare na frente da porta desse cômodo, olhe para ela se acostume a ela e somente quando se sentir confiante comece a destrancá-la. Tudo em nossa vida é representado por fases até mesmo o autoconhecimento, não dá para entrar nesse quarto escuro e andar até a janela e abri-la se o que há em você te causa assombro, você primeiro de tudo precisa querer, tem que se sentir, se conhecer e depois de um passo o outro, reconheça cada local, cada coisa guardada lá e quando sentir que é a hora abra a janela, olhe de frente para o que há nesse quarto, espane a poeira e escolha aquilo de que já pode se desfazer, aquilo que ainda não está pronto para deixar, nada disso, nenhum desses processos requer pressa, pelo contrário o tempo necessário para isso quem ditará é você, o tempo que precisará para sentir cada coisa ai guardada e resignificá-la dentro de você. Sinta a liberdade de tocar o que é seu, no que depende de você, de acordo com o seu limite. Sente-se em um lugar calmo, coloque uma música, faça o que quiser, sinta-se bem, a prioridade é você, escute-se.
Para o que já foi reserve apenas a experiência, para aquilo que ainda acontece, daqui para frente você pode fazer melhor, e quando tudo estiver tão bagunçado, confuso e você sentir dor, não volte para trás e tranque a porta novamente, fique onde está e procure alguém, uma amiga, um parente e até mesmo um profissional, mas na certeza de que você é capaz e tem total competência de lidar com o que é seu, que você é forte o bastante para melhorar quem você já é. E lembre-se sempre das grandes pessoas que passam pela nossa vida, da força que elas têm, da coragem e firmeza com que elas caminham na direção que elas escolheram seguir.
Para cada um de nós há um grau de dificuldade, pessoas reagem de forma diferente a uma mesma situação, mas o mais importante é que você saiba - que leve o tempo que levar daqui para frente não tem mais que ser como antes.
É difícil? Pode até ser, mas você vai chegar lá, você abrirá a janela desse seu quarto escuro e dirá: “Quem manda aqui sou eu”.  Simples assim.
Todos podem ir, mas se você vai estar aqui eu também estarei, seja como for, hoje será diferente de ontem e o amanhã virá.


AE.25/08/13-PC

É impressionante...



... quantidade de fantasma que nós permitimos que assombre a nossa vida. 
Temos a grande a capacidade se supervalorizar sentimentos, acontecimentos e até mesmo a importância e relevância de algumas pessoas.
Nos permitimos sofrer, nos diminuir, para ofuscar nosso brilho, turvar nossa visão e não termos consciência do nosso valor.
Muitos desses fantasmas não sabemos identificar, e menos ainda sabemos como eles foram parar embaixo da nossa cama, dentro de nossas mentes e corações. Esses são mais difíceis de identificar, muitas vezes estão conosco desde quando éramos crianças e não conseguimos mais discernir o que há da gente neles e deles em nós.

No entanto, existem também aqueles que esgueiram sem nenhum pudor pela nossa vida, se agarram em nós e nos suga o vigor, o brilho nos olhos, por causa de sentimentos que se colam em nosso estômago, sem nos deixar saber a que estamos amarrados na outra ponta. Muitas vezes o sentido já se perdeu, o bom sentimento já se foi e você continua ali, com aquilo preso a você, que não te leva mais a lugar algum e, não raras vezes estamos cegos sentados em algum lugar que não conseguimos tatear e a nossa bagagem é tão pesada que ficamos ali parados, perdidos, sem conseguir discernir o que é real do que já se transformou em apego e  com seus efeitos fantasmagóricos sobre a nossa vida, rotina e o que somos.

Não deixe que façam isso com você, mas acima de tudo não faça isso a si mesmo. Não delegue poder - de enganar, ferir, magoar e alimentar fantasmas - às pessoas, acontecimentos e sentimentos que nada de bom, que valor algum acrescenta a sua vida.
Há situações que se repetem, se repetem e se repetem em nossa vida com nossa própria permissão. Sentimentos de situações que não existem ou nunca existiram são frutos da nossa desconexão com quem realmente somos, e por ser assim algumas pessoas se aproximam e permanecem além do tempo, da mesma forma, os sentimentos de situações passadas que hoje não encontram sequer mais nenhum suporte para sustenta-las na atualidade.
Sei que identificá-los, colocar o dedo em suas faces e dizer - aqui você não tem mais nenhum poder - é muito difícil e dolorido também, mas tão importante quanto aprender com as experiências é identificar a hora que as pessoas, acontecimentos e sentimentos passam a significar apenas isso, algo de onde tiramos algum aprendizado.
Abra sua janela, coloque o rosto no sol e sinta-se, e mesmo que ao abrir sua janela constate que o tempo está chuvoso, não desanime, nada melhor que água da chuva para lavar a alma.
Não se acostume com seus apegos, não se submetam a uma situação por anos a fio na esperança de que em algum momento as coisas vão voltar a ser como nos primeiros dias.
Identificar o tempo que as coisas devem ter em nossa vida impende que nos roubemos de nós mesmos.


AE.01/09/13-PC

Artigo de luxo


Tenho pensado muito no tempo de forma geral.
No tempo que dispensamos para nos tornar quem queremos ser, no tempo que levamos para decidir isso, no tempo que as coisas e pessoas têm em nossa existência, e no tempo que perdemos tentando esticar a permanência de uma ou outra em nossa vida.
 Pensei também no tempo que dedicamos às pessoas que nos são caras e os fatores que consideramos para nos dedicarmos a elas.
O tempo que escorre pelas mãos nas nossas obrigações diárias que se acumulam em responsabilidades e compromissos sem fim. E este mesmo tempo quase pode ser comparado a artigo de luxo, são tantas coisas, tantas prioridades e urgências que esse mundo dinâmico e cheio de requisitos e informações quase nos domina exigindo excelência em tudo.
Penso que devemos mesmo é selecionar e nos aperfeiçoar.
Selecionar as áreas que são de nosso interesse e queremos seguir investindo tempo de qualidade para nos superarmos e podermos ser reconhecidos por fazermos bem o que escolhemos. Selecionar as pessoas, somente as que agregam valor e tornam nossos dias leves deveria permanecer. Ninguém tem o direito tocar a vida de outra pessoa que não seja para o bem, já temos coisas demais para nos sufocar. Devemos também selecionar o que ler, o que ouvir e falar e o que é saudável para nosso corpo e alma.
Perceba o que te faz bem, o que te move e o que tem o poder de transformar os seus dias e consequentemente o que você será no futuro.
Tire um tempo para identificar essas coisas no seu cotidiano e gaste todo o resto do tempo se dedicando a elas.


AE.16/09/13-PC

Tecnologicamente fácil assim



Às vezes o que a gente precisa é soltar as correntes se libertar das amarras, sejam elas internas ou externas, atualizar o software. Tornar a vida leve, cabe a nós uma boa quantia de desapego. Sabe aquele "medinho" de formatar o computador que está mais emperrando que funcionando? Inseguro de perder algo que é importante para nós? Temos essa mania, de ficar sofrendo por coisas que nem sabemos se estão mais lá, ou se realmente estão salvas em nosso HD. Aquele arquivo fidedigno, sem reescritas ou releituras, apenas aquilo que é, sem que nenhum arquivo tivesse sido corrompido. Mas ainda sim, ficamos vasculhando nossa memória à procura de algo importante que possamos por ventura termos esquecidos de fazer o backup, mas pense comigo... Se fosse realmente importante você não saberia onde salvou, se fosse vital assim não estaria na sua área de trabalho? Mas não, insistimos em ficar revirando as pastas à procura de algo precioso que (na grande maioria das vezes) não fazemos ideia do que é, e acabamos esbarrando em algum arquivo que não abre direito, que trava ou que foi salvo com erro. Coisas que deixamos de apagar e que só ocupam memória e por um motivo ou por outro permitimos que estes arquivos continuem a ocupar o espaço de coisas novas e consequentemente menos pesadas, afinal a tecnologia está em constante atualização e a todo o momento surgem aplicativos novos, mais leves e que contribuem mais para a nossa vida.
Pense na quantidade de coisas inacabadas que ficam pelo caminho, coisas que julgamos que um dia vão ser terminadas, igual aquela peça de roupa que está há mais de um ano na gaveta esperando aquela sua determinação para emagrecer e ter condições de voltar a vesti-la. Não faça isso a si mesmo, seja feliz hoje, com o que é importante para você agora. Aperte sem medo o botão “limpar memória RAM” encerre tudo que está apenas ocupando espaço e impedindo o perfeito funcionamento do seu sistema operacional.
Eu podia estar dormindo, mas não fui impelida a escrever.
AE.02/11/13-PC

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Laço Frouxo


Hoje depois de três meses eu senti vontade de escrever, não para você, pois essa vontade passou na primeira semana. Passou depois de tudo, depois de subitamente eu ter percebido que já havia algum tempo que você havia deixado de ser quem era para mim. Depois de fotos friamente renomeadas alegadas como suas quando você dizia ter um propósito maior ao mostra-las. Tão friamente intencionado.


De todas as feridas que eu permiti que você causasse em mim, essa talvez nunca se feche, não porque sofrerei por isso até o fim da vida, e sim porque a atitude justificada superficialmente como carência revela o que há de mais profundo em alguém que age como você agiu. Será como um lamento, infeliz por ter acontecido.

Eu quis de verdade, disse que deixaria tudo para trás e sabe por quê? Porque eu vi a possibilidade de tornar um sonho real e, por saber que o que havia feito nunca poderia ser justificado de forma aceitável sem que houvesse um rompimento - inaceitável, inexplicável e abominável, então preferi deixar como estava. Mas tudo isso jamais saiu do meu coração.

Tivemos momentos realmente bons juntos que nada significaram diante da facilidade com que foram descartados por você. Quando eu doente fisicamente, insegura emocionalmente, queria confiar, mais uma vez fui deixada de lado no silêncio que tantas vezes me feriu. Tudo isso fez com que eu me sentisse insignificante, apesar de suas palavras e gestos, quando fez prevalecer seu egoísmo ao agir como se todos os maiores problemas do mundo fossem os seus, da sua frieza, incapaz de se colocar no lugar de alguém. Mas nem por isso eu o culpo, pois pude ver você me conhecendo minuto a minuto nos momentos em que estivemos juntos, como se muito pouco soubesse de quem eu era e do sentimento que eu carregava há tanto tempo dentro de mim,  desde o primeiro dia, desde o primeiro “Oi?”.

Laço frouxo, sem eixo e sem sustentação, incapaz de manter algo que conecta o todo em uma vida, o amor, e não falo apenas de homem e mulher, falo de forma geral, amor pelo que se faz, pelo que se é, e pela importância da vida de alguém que se conecta a sua.

Eu nunca consegui te entender, nunca fui capaz de ver claramente como você conseguia inverter todos os significados universais de condutas e falas. Tão confuso que me fez pensar – você pode me acusar de querer atenção, de querer entender, de querer estar junto, de querer dividir, mas nunca por ter agido de má fé, de ter testado você, de não ter sido verdadeira. Já eu não quero e nem posso te acusar de nada, eu nem saberia do que, simplesmente por você nunca ter permitido que eu me aproximasse o suficiente para saber quem de fato você é, pois de tudo que eu vivi longe ou perto, eu sempre soube que um dos dois não era real – o atencioso, comprometido e acessível ou o que ignora, se acha o único merecedor de compreensão no mundo, tão egoísta e frio que chega a dar medo.

No dia que me disse: “eu paro aqui” foi muito, muito difícil para mim, por tudo que eu sentia fisicamente que você nem se dignou em saber,e pelo que emocionalmente eu passei a sentir. Senti como se em segundos eu fosse parar de respirar, e por mais que eu esticasse as minhas mãos eu seria incapaz de tocar as suas, tão disponíveis poucos dias antes, antagônico e cruel.


Eu me desculpei por qualquer que fosse o meu erro, mas novamente silêncio. O silêncio que tantas vezes eu senti chorando a dor que ele me causava sem nunca ter sido capaz de oferta-lo a você, incapaz disso e de tantas outras coisas que você fez e eu consegui que suportar.

Eu tentei escrever, mas não havia nada dentro de mim que quisesse ser expresso, eu não mais o sentia dentro de mim, pensei que era por ser recente, então eu esperei, mas o que eu sentia antes não voltou e as minhas lembranças eram substituídas por fotos falsas renomeadas, por coleira, por mimimi, por “você não tem o direito”, pelo “eu paro aqui” e mais uma vez vi a janela se fechar.

Eu tive momentos de raiva, momentos de mansidão e momentos de nada, e confesso que estes últimos foram os que mais prevaleceram. Eu não sinto mais nada! Sei que é pesado dizer isso, eu mesma fiquei abismada quando constatei, e ainda sim eu esperei, quis ter a certeza do que eu sentia ou da ausência do sentimento. E aqui comigo nem seu silêncio ou falta estavam como sempre estiveram para me fazer companhia. Eu tentava recorrer às lembranças dos momentos presencias que tivemos e eu não conseguia mais sentir, não sei se foi por eles terem ficado pequenos demais diante de tudo o que houve após eles e as fotos... Hoje eu sei que foi ali que você começou a me perder, ou que eu comecei a deixar de sentir, e então eu compreendi a pequenez da presença compartilhada – a base era falsa – tanto que puderam ser tão facilmente descartados, primeiramente por você e depois, se tornaram muito distantes para mim. Duplamente chocada, pela facilidade que não deveria existir tanto de sua parte de ir e nem da minha por esquecer.

Hoje eu vejo tudo de forma tão diferente, mas não me arrependo, pois foi me permitindo viver que eu pude sentir o que hoje eu sinto. O lugar que antes era vazio pelo seu silêncio e atitudes dentro do meu peito, foi preenchido, não por outra pessoa, mas por mim, não sei como e nem que nome dar, talvez seja amor-próprio somado a consciência de que eu não deveria ter passado por metade das coisas que eu passei em todos os anos que eu esperei ter a chance de viver o que eu sentia.


O que eu sinto agora é leve, não sinto raiva ou qualquer coisa que o valha, talvez eu sinta pena, não sei, algo como uma judiação por todos os valores terem sido invertidos. Mas hoje eu consigo entender que a gente é capaz de perder a nós mesmos na travessia, mas que, sobretudo também conseguimos nos reencontrar.

E por isso, hoje me sinto bem em vir aqui e dizer - laço frouxo que agora desfaço dentro de mim.

AE.19/01/15-RA

quarta-feira, 23 de julho de 2014


Gostaria que você pudesse ser capaz de sentir o que eu sinto aqui dentro de mim.
Esse sentimento que não reconhece distância nem mesmo a passagem do tempo e vai além. Tão livre que existe por si só, por se alimentar da força e da plenitude que tem em si.
Sinto-o em cada célula do meu corpo, e é tão impressionante como ele todo responde a você - desejo-te com tanta intensidade que sou sua antes mesmo de poder ser, sou porque o meu coração te escolheu, porque ele é capaz de te sentir, e fazer com que você para mim seja a mais pura e sublime expressão do que é amar, pois desejo do fundo da minha alma que você seja feliz e que possa continuar sendo quem você é.

Que seja fértil, que possa germinar!

AE.23/07/2014-RA