segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Perda das palavras



Agora acabou!
Dessa vez para nunca mais.
As palavras doces de antes agora tem um sabor amargo.
Meu coração está triste, porque ele não entende, mas sabe que precisa aceitar.

Não há mais palavras, apenas o silêncio, que outrora muitas vezes me fez companhia.

De novo meu coração tenta interceder, dizendo que fui má e injusta.
Mas não há o que ou quem me diga o contrário.

Será que devo pagar por não saber lidar?
Será que essa foi realmente a causa?
Será que era demais uma atenção que me ajudasse a compreender?

Racional e emocional confrontam-se, e eu não sei.
Não sei o porquê.
A chance de saber me foi negada.

A cabeça reproduz os fatos, me torturando com cada um dos detalhes sofridos e silenciosos.

E o meu coração?
Ah! O meu coração nada sabe, só sofre, sofre por amar, sem saber a quem.

E quem sou eu? Razão? Emoção?
Acho que nenhum dos dois, pois me vejo aqui observando de longe mais uma estória que acabou, sem nem mesmo começar.

E assim, volto para onde eu vim antes que me despertastes.
Volto para dentro de mim, triste, fria e calada.

E mais uma vez meu coração pergunta - onde esteve você que viu tudo isso acontecer e nada fez para mudar?

Talvez a resposta seja simples, mas não me arrisco a dizer, pois ela não está em mim, e sim dentro de você.

AE.15/12/2008-RA

domingo, 14 de dezembro de 2008

Sentimento



Há vento que sopra de dentro para fora, de fora para dentro, mas a relva, oscilante, permanece enraizada. Não é fácil destruí-la, ela resiste à força com toda a sua extensão. Mas não é só o vento que a maltrata, existem outros fatores adversos, e por mais que ela queira resistir, não sente razão e nem um tempo favorável a sua existência.

Nem sempre olhamos para a relva, nem sempre acreditamos que ela está lá, mas ela existe por todos os lados independentemente de querermos, de cuidarmos. Não olhamos, pois não nos chama a atenção, não olhamos, pois não nos é importante, pois se fosse, cuidaríamos dela, por mais simples e sem importância que pareça.
E mesmo que ela a grosso modo passe essa impressão, é preciso que se saiba que nenhuma relva é igual a outra, cada uma é peculiar e especial em sua existência.
Quando aprendemos a observar as coisas dessa forma valorizamos cada relva como se ela fosse única, como de fato é, e assim a valorizaríamos por tudo que ela significa.
Ela não é apenas mais uma no meio de tantas, ela é única no meio de muitas, e por isso merece cuidado.
E para que de fato exista, ela precisa de condições mínimas. E na ausência de cuidado, mingua até que o inevitável fim chegue, e no processo final de sua existência, cada minuto é crucial para sua sobrevivência.
Infelizmente, mesmo que não queiramos, ela existe, pois houve uma semente plantada, e esta precisa seguir o seu ciclo, ela brota, cresce, reproduz e morre, mas isso não significa que será assim, se ela não encontrar condições ideais em algum momento o ciclo pode ser rompido.
Queria que sentisse isso, pois entenderá melhor. Não há partida, não há chegada, o que sempre existe, ainda agora, é uma travessia. A travessia não pára, mas isso não significa que as pessoas sempre nos acompanharão, muitas vezes elas param pelo caminho e nos forçam a seguir, pois cada um de nós possui visões, valores e necessidades diferentes.
Não há como parar e nem forçar alguém a seguir conosco, por mais que queiramos. As pessoas precisam se mostrar dispostas a querer continuar, e não nos deixar em meio a ausências e silêncios dolorosos.
Não há relva que consiga suportar tanta variação temporal e climática, se mesmo com o cuidado a travessia muitas vezes é difícil, imagine a mercê de toda oscilação que possa vir.
A travessia pode acontecer só ou acompanhada, e esta última só acontece se ambas as partes estiverem dispostas a seguir e com objetivos comuns.


AE.14/12/2008-RA

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Carlos Drummond de Andrade



A Um Ausente


Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.
Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enloqueceu, enloquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.
Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Triste




É tão triste ter que fazer o meu coração acreditar que os sonhos que disseram a ele ser possíveis não se realizarão!


Toda vez que ele me faz recordar de algum momento, como se isso significasse um "mas", meu racional tem que dizer a ele que não há mais fatos que sustentem a realização destes sonhos.


AE. 04/12/2008-RA

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Você



O meu dia muda quando tenho notícias suas.
As coisas passam a ter mais cor quando sinto você.
E o futuro é muito mais agradável,
Quando pensado ao seu lado.

Você chegou para mostrar que a vida realmente pode ser surpreendente.
Mesmo quando pensamos já estar tudo certo,
Ela vem e muda tudo de lugar.

Você despertou em mim desejos, sonhos e sentimentos...
Você completa o que sou.
Você completa minha vida e minha alma.

Sinto sua energia em mim, e essa nossas energia, se transformam nessa força que nos une e nos faz prosperar cada vez mais, construindo um futuro que é a soma dos dias que dedicamos para tê-lo.

Hoje sou melhor não só por ter você em minha vida,
Mas pelo que já havia em mim que você despertou.
Você faz com que eu queira ser melhor,
Faz com que eu queira o melhor.

Com você aprendi que duas pessoas podem ser completas, cada uma com seu potencial e estarem unidas por somarem uma na vida da outra.

Aprendi também que as pessoas não são iguais, e se soubermos olhar para o lado certo, as diferenças nos fazem crescer, e não há uma sequer, que impeça duas pessoas que querem e sabem porquê estão juntas.

AE.15/10/2008-RA

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Você se foi



Você se foi da mesma forma que veio, de maneira inesperada.
Você se foi e me deixou aqui, com sonhos.
Você se foi com o tempo, sem coragem de me dizer adeus.

Eu já havia decidido e aceitado que não gostaria mais de ninguém.
Resisti!
Tentei ao máximo, mas dia após dia você foi me mostrando algo que parecia tão real que já não havia em mim mais forças capazes de me fazer lutar contra o sentimento que começou a existir aqui dentro.

Entreguei-me!
Entreguei-me de corpo e alma a você, vivi intensamente cada momento e cada palavra sua.
Como era bom te sentir em mim através das coisas que você escrevia, me fazendo ver uma realidade mais leve e possibilidade nos sonhos.
Você conseguiu fazer com que eu voltasse a sonhar.

E agora você se foi, se foi e me deixou aqui, aqui no meio de palavras vazias e sonhos que não se realizaram.
Você sabe o quanto dói a morte de um sonho?


Você se foi mesmo depois de dizer que não desistiria e que ficaria comigo pela vida inteira.
Sonhos!
Apenas isso, acho que acordei.

AE.28/08/2008-RA

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Sem inspiração



O que escrever quando se está assim?
Sinto algo que vem de dentro, que não consigo controlar.
Algo forte que precisa ser revelado.

Será isso inspiração?
Não sei.
Nada faz sentido.
Tudo desconexo.

Sentimentos!
Algo que provoca ação.

Terá ligação inspiração e sentimento?
Não faz sentido?
Não importa, não é essa a intenção.

O intuito é mudar, trazer o que está dentro para fora.
Transformar através da ação.
Renovar, dar espaço para o novo.
Novos sentimentos, e assim continuar, mais leve, embora do mesmo jeito.
Mudar para permanecer a mesma por fora, mas diferente de antes por dentro.

Escrevo não para fazer sentido, e sim para aliviar a alma.


AE.23/09/2008

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Clarice



Eu es­crevo para nada e para ninguém. Se alguém me ler será por conta própria e auto-risco. Eu não faço lite­ratura: eu apenas vivo ao correr do tempo. O resul­tado fatal de eu viver é o ato de escrever.

... e vou definitivamente ao encontro de um mundo que está dentro de mim, eu que escrevo para me livrar da carga difícil de uma pessoa ser ela mesma.

Em cada palavra pulsa um coração. Escrever é tal procura de íntima veracidade de vida. Vida que me perturba e deixa o meu próprio coração trêmulo so­frendo a incalculável, dor que parece ser necessária ao meu amadurecimento — amadurecimento? Até agora vivi sem ele!É. Mas parece que chegou o instante de aceitar em cheio a misteriosa vida dos que um dia vão morrer. Tenho que começar por aceitar-me e não sentir o hor­ror punitivo de cada vez que eu caio, pois quando eu caio a raça humana em mim também cai. Aceitar-me plenamente? É uma violentação de minha vida. Cada mudança, cada projeto novo causa espanto: meu co­ração está espantado. É por isso que toda a minha pa­lavra tem um coração onde circula sangue. Tudo o que aqui escrevo é forjado no meu silên­cio e na penumbra. Vejo pouco, ouço quase nada. Mergulho enfim em mim até o nascedouro do espírito que me habita. Minha nascente é obscura. Estou escre­vendo porque não sei o que fazer de mim. Quer dizer: não sei o que fazer com meu espírito. O corpo informa muito.

E não agüento o cotidiano. Deve ser por isso que escrevo. Minha vida é um único dia. E é assim que o passado me é pre­sente e futuro. Tudo numa só vertigem. E a doçura é tanta que faz insuportável cócega na alma. Viver é mágico e inteiramente inexplicável.


(Um sopro de vida – Clarice Lispector)

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

O passar dos dias


E assim segue a soma dos dias...
Tantos dias.
Tantas estações.
Tantas flores.

Uma nova estação se aproxima.
A estação mais esperada.
A primavera.
Estação das flores.

É tão bonito, olhar as plantas que resistiram ao tempo, exibindo suas flores.
É tão tocante ver que conseguiram, apesar de todos os percalços.

Quando as plantas estão floridas é quase que impossível se lembrar do caminho que percorreram para que chegasse a época de ver suas flores desabrochadas.

Quando há flores, tudo vale a pena, todas as recompensas estão presentes. E mesmo que haja algumas cicatrizes, nesse momento já não importa mais.

O vigor da planta e a beleza das flores se intensificam conforme os desafios da travessia.

Aquelas flores são apenas dela. Embora muitos possam ver e admirar, somente a planta sabe o que cada uma delas realmente significa.

Enfim, mais uma vez é primavera.

AE.12/09/2008-AE

domingo, 31 de agosto de 2008

Longe do ninho



Onde meu coração não pode chegar ,
minha alma anseia,
os pensamentos fogem,
o coração dispara,
e na solidão,
ela vagueia,
sozinha,
a pessoa mais solitária do mundo,
nada diminui essa sensação...
Caminho incerto, indecisão.
Qual é a melhor direção?
Alguém responde:
Siga sua intuição...


by Peste - 31/08/2008

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Volte!



Ah! Quantas coisas aconteceram nesse tempo, quantas coisas eu senti nesse período e quantas outras ainda se fazem presentes na minha vida.
Você chegou sem avisar, de forma inesperada, mas muito significativa, aliás, tudo foi significativo, cada palavra, cada frase, cada noite até o amanhecer, cada sonho, cada desejo, você!
A pessoa mais especial que eu conheci nos últimos tempos, uma pessoa fantástica que entrou na minha vida com potencial para ficar a vida inteira. Você é perfeito pra mim, combinamos em muitas coisas, gostamos de outras tantas e muitas outras tivemos a oportunidade de aprender juntos. Uma forma tão nossa de estar perto, de se fazer presente um na vida do outro, não desejo que isso acabe.
Volte! Volte para estes momentos, estes sim valem a pena serem lembrados e cultivados, todo resto o tempo cuida, mas precisamos estar perto para que isso não se perca.
Você disse que não tinha medo, que ia me ajudar desde que eu quisesse, eu quero, e quero muito. Me lembro de tantas coisas, da forma como falava comigo, de como completava as coisas que eu escrevia, de como era capaz de me fazer sentir você, eu era capaz de sentir cada palavra sua em mim.
Seria tão bom te conhecer melhor, e quase que novamente, mas isso não tem sido possível, já que para isso precisaríamos no mínimo conversar ou pelo menos manter algum tipo de contato.
Quero você perto de mim agora, mas, você se faz tão distante que aí, infelizmente, eu não consigo alcançar.

AE. 27/08/2008 - RA

Saudades



É impossível viver sem ela.
Cada fase da nossa vida por pior, mais difícil ou complicada que seja deixa saudade.

Do que você sente saudade?
Pra mim o mais fácil é dizer sobre o que eu não sinto.

Saudade de tanta coisa, de tanto sentimento, de tantas pessoas, de tantos momentos...
Saudades de coisas antigas, de coisas nem tão antigas, de coisas que não vivi e outras que talvez nem chegue a viver.

Saudade da época de criança.
Depois de ir para a escola, ficar na casa da avó, essa avó que foi como uma mãe pra mim e para os meus irmãos. Tanto de você há em mim, tanta falta você faz, embora a sinta por perto.
Cada detalhe, cada comida que você fazia, cada ensinamento, tudo, nada será esquecido, tudo tem o seu momento de prática.
Uma avó presente e um avô que só se tornou participativo depois de sua partida.
Nessa época também haviam natais e férias de Julho, outros avós compunham o elenco, tios, tias, primos e primas de longe, para comemorar em família momentos que nunca mais sairão da minha cabeça e por mais tempo que passe, não tem a capacidade de apagar laços construídos entre as pessoas dessa época.

Saudade do povo do bairro.
Brincar na rua, subir em árvore, correr, roupas de bonecas costuradas por minhas próprias mãos.
Saudade da mãe chamar no melhor da brincadeira, depois era banho e cama, para no outro dia ir para a escola.
Da escola não lembro muito, sempre deixei que o tempo cuidasse disso.

Saudade da adolescência divida em dois atos.
Ato 1
Colegas da escola, nessa época sim, me lembro, de meninos e meninas também. Chegar em casa, novela da tarde ou no portão falando de momentos que nunca nos cansávamos de repetir. O tempo aqui passava mais devagar.
Só perto da hora da mãe chegar que coisas eram arrumadas. Nessa época, família por mais próxima que esteja tem um papel secundário. As prioridades são outras.

Ato 2
Lugar diferente, turma diferente, pessoas diferentes, sentimentos também diferentes e isolamento.
Muito daquela época guardo até hoje, vontade de ficar quieta, na minha, introspecção.
Acho que foi nessa época que formei a minha parte cognitiva, mas a duras penas, aprendi que sendo sozinha há menos probabilidade de sofrer, aprendi que ser sozinha dá medo, medo de passar a vida sem viver.

Saudade do reencotro.
Reencontro com os lugares de outrora, a mesma rua, as mesmas casas (com poucas modificações), mas mesmo assim nada era igual.
Eu não era igual a quando parti, percebi que tudo pode ser como antes e ainda ser diferente, pois você já não é a mesmo, a visão das coisas e momentos não são iguais. E aí há a dor da perda, mas há também a alegria da renovação.
Novos amigos, novos costumes e um gostar diferente, intenso, que só muito depois fui saber que era parte de mim, talvez uma forma de amenizar o medo de passar pela vida sem viver.

Saudade da limitação
Saudade de aprender a estudar depois de tanto tempo “estudando”, saudade da força de pessoas que eram tão próximas que de certa forma ainda fazem parte de mim, pessoas que me ouviram, que riram comigo, que eu fiz rir e que me fizeram rir, pessoas que acreditavam em mim e nunca, em nenhuma das vezes me deixaram desistir, pessoas que me mostraram que eu sou capaz, capaz de vencer o cansaço, a falta de instrução, a falta de dinheiro, a falta de comer o mínimo que se quer.
Saudade de viver junto a todo o momento, de senti-los comigo sempre, mesmo distante.
Sinto saudade até dos finais de semana de limpeza e vazios, hoje vejo que não eram vazios os dias e sim as pessoas que quase, por um momento cheguei a pensar que elas que possuíam valor. Mas isso também é discutível, uma vez que valores são subjetivos, mas lamentei por muito tempo ter tido vontade de ser o que eu nunca tive vocação para ser, comum e conformada.
Hoje agradeço a todas essas pessoas que passaram pela minha vida, pois de uma forma ou de outra contribuíram para o meu crescimento e para o que hoje eu sou. Não a melhor que existe, mas a melhor que eu posso ser, hoje sou melhor que ontem e amanhã, melhor que hoje. Clichê? Pode até ser, mas nada além disso, expressaria tamanha verdade.

Saudade da maior decepção e dor que eu já senti.
Depois de tanta entrega e valores deturpados em minha mente, veio o fim, um fim desesperador. Talvez o que não houvesse fosse estrutura para suportar, mas como exigir estrutura de alguém que sempre foi criada na raça e na coragem, pessoas assim são instintivas. E aqui novamente senti a intensidade, pois com a mesma força que eu amei eu sofri, e por não suportar a dor parti, talvez tenha tomado a atitude errada, mas mesmo que tenha sido assim, hoje sei que foi a experiência mais gratificante da minha vida, não somente em termos financeiros, mas também para a estrutura que me faltava. Foi lá que eu comecei a construir.

Saudade da construção.
A dor era tamanha, a ponto de chorar por querer voltar e saber que aqui não seria menos sofrido que permanecer lá, então resolvi ficar, aproveitei!
E aqui novamente me deparo com a intensidade. Tudo lá se tornou intenso, pessoas diferentes que precisam além de estrutura física, estrutura moral, pessoas que significam muito pra mim, e que foram parte fundamental da minha construção, e sei que também significo muito para elas. Uma experiência profissional incrível que refletiu em todas as áreas da minha vida.
Lá eu aprendi que tinha que ser forte da mesma forma que eu era intensa, pois pessoas intensas precisam de força para suportar o que possa vir, necessitam de uma força com o mesmo valor da sua intensidade, pois se não for assim, não são capazes de se tornarem melhores do que antes, e tirarem lição de cada momento vivido.
Um período de ganho espiritual, não por indução de valores de outros aplicados a mim, um ganho a partir do crescimento e buscas diárias .
Um ganho intelectual imensurável, que até hoje não posso descrever, apenas acho que o potencial já estava em mim, só precisava da situação certa para que tudo isso passasse a fazer parte integrante de tudo que eu sou, surpreendentemente melhor.
Lá pude viver uma família que há tempos não vivia, pessoas do meu sangue que me ensinaram muito, uma vivência de amor, compreensão e dedicação. E a estas pessoas eu devo muito, agradeço pelos ensinamentos de vida, pelo amor e pela saudade que ficou.

Saudade da volta.
Saudade do fim de algo que já havia acabado há muito tempo, mas todos se acomodaram em viver assim.
Doeu ver o meu pai me deixar e não voltar, não voltar para o nosso colchonete na sala, e às vezes ainda dói as distâncias que não param de crescer, assim como o universo, uma imensidão, onde tudo que está inserido tenta estar próximo da melhor forma, do jeito que aprenderam e com a capacidade adquirida ao longo do tempo.
Eu sei que daqui surgiu minha falta de estrutura, dessa comodidade agora finalizada, mas aqui também surgiu algo igualmente importante a garra e a determinação. Estas pessoas jamais desistiram, estão sempre lutando, como todo mundo, mas ainda sim de uma maneira particular.
Cada pessoa tem aquilo que a vida moldou, e é bonito ver o que tempo faz com as pessoas que possuem tais características, a superação é parte integrante da rotina dessas pessoas.

Saudade da vontade de crescer.
Pegar tudo que se tem e partir, dói, mas não se devemos ser levados pela dor, ela está sempre presente, mas somos nós que em muitos momentos determinamos a sua intensidade.
Eu aprendi isso ao ter que suportar cada uma das dores que eu senti na vida, muitas doem até hoje, outras ainda preciso cuidar para que cicatrizem e há aquelas que talvez nunca deixarão de doer. Essas são marcas na alma, marcas que nenhuma pessoa é capaz de racionalizar, apenas sentir, marcas onde não podemos amenizar nada, só esperar para que em algum momento a cura chegue.
Nessa época eu sentia saudade de tudo que eu não vivi por considerar não ter tido oportunidade, o racional chegou ao seu ápice, minha autoconfiança melhorou muito aqui, e eu pude pensar em tudo que eu já havia vivido.
Fiz uma faxina em mim, tirei sentimentos, valores e pessoas que não mais me acrescentavam nada, tirei o pó de coisas que ainda de certa forma me serviam e sem pensar coloquei o que eu conquistei.
Vivi momentos calmos, momentos de autocontrole, momentos de crescimento e oportunidades de vivenciar coisas que sempre estavam em mim, que eu gostava só não sabia, momentos de revelação.
Muitas coisas me foram reveladas nessa época, pessoas, sentimentos e até mesmo uma nova de mim, com gostos, personalidade, estórias, tudo isso de uma maneira tão própria.
É inegável a diferença da pessoa de antes e a que agora habita em mim, depois do tempo ter passado.
Mas voltei de lá também, precisava viver o que eu sentia, precisava pagar para ver. Mais uma vez deixei tudo em nome do que gritava em mim. Inconseqüente? Não sei, prefiro dizer ousada.

Saudade do sonho de ser feliz
Voltei! Voltei para o mesmo lugar de antes, para o mesmo lugar de sempre.
Voltei para sentimentos inacabados, voltei para as vontades não satisfeitas.
Isso que foi o mais triste, querer viver o que eu considerava não ter vivido por falta de oportunidade, e constatar que nada foi feito pelo simples fato de eu não gostar, não gostar de sair, não gostar de papos fúteis, não gostar de perder tempo com coisas a toa.
Paguei caro, mas ainda sim não me arrependo, me arrepender por quê? Nada seria tão claro se eu não tivesse voltado mais uma vez, e acima de tudo se eu não tivesse retornado com a bagagem cheia de coisas que foram aflorando em mim pelo caminho.
Hoje eu sei, eu posso, posso o que eu desejar, pode até não ser tão fácil, já que a facilidade está atrelada a muitas coisas que não conseguimos somente com garra e determinação, mas para isso tentei desenvolver minha paciência, ela ainda não é suficiente para sobrepor minha ansiedade, mas já é maior do que no inicio.
Ansiedade! Palavra que tem a ver com ânsia, anseio. Ah! Isso eu tenho e muito. Por mais que eu negue, por mais que eu mostre força e indiferença em alguns momentos, eu anseio sim, tenho vontade, tenho muita vontade, vontade de ser feliz, vontade de fazer as coisas certas para que eu possa me realizar em todas as áreas da minha vida, por julgar que mereço, por julgar que pode ser assim e que na verdade deve ser assim. Mas o medo fruto de tudo que eu já vivi, fruto de todo sofrimento e dificuldades passados, transformam a ânsia em ansiedade, talvez uma relação não verídica, mas explicita. É claro que todo esse trajeto deixaria seqüelas e talvez a ansiedade seja a pior delas.
Aquela que sempre me faz ter receio de perder o que eu ainda não tive, e por intensidade, geralmente faz com que eu perca mesmo, e depois de tanto tempo passando por isso acho que calejei.
Muitas vezes penso que as coisas serão sempre assim, não por fraqueza, e sim na tentativa de guardar forças para continuar uma vida que ainda está no mínimo pela metade, com tantos sonhos e com tantas necessidades, que se torna impraticável uma pausa para cuidar disso. Isso será tratado durante o percurso com as possibilidades, e talvez com as perdas que se somem pelo caminho.


AE.26/08/2008 - AE

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Confio em você.



Olhe as plantas Ana!
Elas te darão a resposta, olhe-as!
Confie no tempo, ele é justo e revelará a verdade.
Tenha fé, pessoas que a possuem são mais fortes.
A dor é inevitável em muitos casos, mas é a resignação da planta que revela a flor.

A sua flor virá, eu sei que virá.
Você é forte, corajosa e uma boa pessoa, embora, muitas vezes por motivos externos se torne confusa e ansiosa, mas acima de tudo você é uma pessoa maravilhosa, que se esforça, que sabe reconhecer, que sabe dar valor, e que assim como todas as outras pessoas possui defeitos que marcam sua personalidade.

Confio em você e sei que você conseguirá, sei que as suas forças aparecerão, pois elas estão aí, dentro de você, junto com suas flores.

O outono é assim mesmo, castiga, derruba as folhas, mas isso você precisa entender que faz parte do processo de renovação, pois logo chegará a primavera, e você tem que se preparar para quando sua flor desabrochar, revelando o que há de melhor dentro de você.

Há pessoas que conseguem ver o potencial de flor em uma planta, mas outras infelizmente só conseguem ver uma planta sem folhas, que é quando a planta não está em seu melhor, quando é outono.

Mas isso não é culpa sua e não deveria te fazer sofrer, isso é o modo de ver do outro. Talvez já tenha até saboreado os frutos, e por isso não seja interessante suportar todo o processo novamente até que se possa colher.

Mas se aquiete, Ana!
Você sabe que a sua flor virá e que ela será forte e vistosa, assim como você, não há como ser diferente, a natureza é sábia, e nunca nos dá menos do que necessitamos.


AE. 20/08/2008 - AE

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Encontro de almas



Isso significará muito, assim como todas as coisas que acontecerem pela primeira vez entre nós e em tudo que acontecerá após isso.

Quero olhar em seus olhos e ver sua alma. Poder compreender tudo em você.

O som de sua voz se tornará único, podendo ser reconhecido em qualquer lugar e em qualquer circunstância. Suas palavras terão poder de acalmar e despertar sentimentos.

Através do toque sentir sua textura, seu calor e, sua vida presente diante de mim, como em um sonho sendo realizado, ali, perante os meus olhos.

Em um abraço ter você inteiro comigo, sentir seu coração através do meu e perceber quão perto eles estão, e a vontade que ambos têm de se unir a fim de se tornarem um só.

Seu cheiro. Esse cheiro peculiar, que simbolizará você em todos os momentos que eu senti-lo, seja onde e como for, você pra mim estará nele.

Seu gosto. Esse gosto tão seu, esse gosto só meu. Tão esperado desde o primeiro momento e pela vida inteira.

Tantos detalhes, tantas coisas suas ali presentes despertando em mim o desejo de ser sua, da forma mais plena, suave e intensa que possa existir.

Olhares, palavras, toques, abraços, cheiros, beijos e desejos agregados a suspiros, arrepios, apertos, sensações e sentimentos.

Um encontro de duas almas que se desejam, se completam e se amam.

AE. 07/08/2008 - RA

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Lágrimas



Hoje elas caem novamente.
Mais uma vez de tantas.
Por que caem?
Algo dói?


Não sei, apenas caem.
Demonstrando o que transborda na alma.
Aceitação?
Talvez.

Muitas coisas acontecem em nossas vidas,
Muitas delas são boas,
Muitas delas são ruins,
E em outras horas, o sentimento se sobrepõe,
Impedindo de dar definições ao que se sente.

Isso não é fruto do silêncio,
Isso é fruto das palavras,
Acima disso até,
Isso é fruto do som das palavras.


Meu coração não aceita,
Mas ele reconhece que em certas horas a razão deve prevalecer.
Ainda que doa.
Ele sabe que as estações passam.

Mais uma vez é chegado o fim,
Não um fim trágico e doloroso,
Embora difícil, muito difícil.
Apenas mais um fim entre tantos.


Queria apenas dizer me perdoe,
Me perdoe por julgar,
Me perdoe por ser fraca,
Me perdoe por ser racional.


O que você deixou,
Ficará em mim,
Ficará para sempre,
Ficará com esse gosto de coisa boa,
Ficará para sempre como um sonho.

AE. 05/08/2008

sábado, 2 de agosto de 2008

Esperar



Isso angustia!
Angustia pela incerteza,
Angustia até mesmo pela certeza.

Tudo é esperar.
Esperar para nascer.
Esperar para crescer.
Esperar para morrer.

Todo mudo espera.
Espera um emprego,
Espera um carro,
Espera uma casa,
Espera coisas materias.

Há também aquelas que esperam coisas da alma.
Esperam atitude,
Esperam carinho,
Esperam amor,
Esperam felicidade.

Existem aqueles que não sabem esperar.
Não sabem esperar por uma resposta,
Não sabem esperar por um encontro,
Não sabem esperar por consideração,
Não sabem esperar por reciprocidade.

Muitas pessoas não querem esperar.
Não querem esperar pelo outro,
Não querem esperar pelo retorno,
Não querem esperar para serem felizes.

Algumas delas sofrem por esperar.
Sofrem por horas silenciosas,
Sofrem por páginas em branco,
Sofrem pela ausência,
Sofrem pelo tempo do outro.

Tem pessoas que simplesmente cansaram de esperar.
Cansaram de esperar por mudanças,
Cansaram de esperar por trocas,
Cansaram de esperar por espaço,
Cansaram de esperar por sua vez.

E aprenderam,
Que esperar pode ser bom ou ruim,
Pode alegrar e também pode fazer sofrer.

Certo mesmo é esperar sem criar expectativas.
Expectativas na situação,
Expectativas de retribuição,
Expectativas no outro.

AE. 02/08/2008 - RA

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Perfeição



Não acredito em perfeição e nem gosto muito desse rótulo - perfeito.

Quando buscamos a perfeição ou o que é perfeito,
deixamos de valorizar as pequenas coisas,
os pequenos detalhes.

Deixamos de olhar o real e o que é possível,
deixamos de reconhecer o que está a nossa frente e de valorizar o que temos.

Se tudo fosse perfeito nada teria graça,
são as imperfeições que tornam as coisas especiais e inesquecíveis.

São as coisas mais imperfeitas que nos dão prazer,
as frases mais imperfeitas que ficam,
as atitudes mais imperfeitas que nos fazem crescer,
as pessoas com suas imperfeições que amamos e as situações mais imperfeitas são as que marcam para sempre.

AE. 2006

terça-feira, 1 de julho de 2008

Probabilidades



Tudo tão distante e próximo ao mesmo tempo.
Onde está você?
Aqui e ai você diz.

Impossível?
Acredito que não, pois não te vejo mas te sinto aqui.
Desafiando as leis da Física?


Isso é perigoso!
Mas já me disse que não teme, e corajosamente tenta todos os dias.
Tenta aquilo que tantos buscaram e bem poucos quase conseguiram.


Será você?
Talvez, não quero que acabe.
E "prometo que meu coração não quer e eu não desejo isso”.


Promessas!
Até onde são válidas?
Até onde sentimos que são possíveis e você tem feito com que tudo se torne possível.
Errando ou acertando.

Inocência?
Pode até ser, mas prefiro pecar por inocência, coisa de criança que vive intensamente, do que por pessimismo, coisa de adulto que muitas vezes perde o que a vida tem de melhor.

Continuemos a travessia, sem esquecer do início e cuidando sempre para que não haja fim.
Sempre assim, eu perfumando seus dias com minhas flores e você me aquecendo com sua presença.

AE. 01/07/2008 - RA

domingo, 29 de junho de 2008

Valores


Onde estão?
Nas igualdades?
No senso comum?
Ou em cada um de nós?

Para que dar valor?
Quem liga para isso?
Isso é coisa do passado?
Algo que precisa ser resgatado?

O que não tem valor?
O que os outros julgam não ter?
O que dá mais trabalho?
O que não tem graça?

Como dar valor?
Pelo que é mais bonito?
Pelo que é mais fácil?
Ou pelo que é mais recompensador?

Onde estão os seus valores?
No mais prático?
No mais rápido?
Ou no que traz sentimentos?

Procure as respostas,
Ainda que seja confuso,
A procura de respostas,
Trás novos valores,
Conceituados por você,
E não por aqueles que já têm os seus
.

AE.29/06/2008 - RA

quarta-feira, 25 de junho de 2008

As flores e eu



Quem és tu ó planta?
Quem és tu que não se move a mercê do tempo, do povo e de toda a alteração que possa vir?
Quem és tu que apesar de tudo se esforça?
Quem és tu que o vento acaricia e os outros agridem?
Quem és tu que persiste?

Talvez a terra dura, talvez o sol cáustico ou fatores além de sua vontade a tivessem maltratado tanto, afim de que desista.
Mas não, tu continuas lá, como se os sofrimentos nada possam fazer a não ser te decair temporariamente, pois tu, tu continuas lá. Continuas lá da forma que dá, do jeito que podes.
E pra que, por quê?
Desista, dizem os que passam...
Aceite, dizem os que a maltratam...
E ela? Ela continua lá.
Lá no seu lugar,
Lá a se reconstruir,
Lá a vigiar,
Lá para ser o melhor que se pode ser.

Pois quando chegar a época certa, ela sabe o que virá.
Algo que fará tudo ter valido a pena.
A flor.


Como pode ser o fruto de todo o seu caminho e sofrimento algo tão belo, delicado e singelo?
A vida tem dessas coisas para mostrar que os que são capazes de suportar os maus zelos da vida podem sim ter no final algo que faça todo o trajeto ter valido a pena, basta querer.


Os que vencem são os que lutam e não aqueles que reclamam e deixam de seguir.
São aqueles que vão até o fim, que sentem o orgulho de terem feito o melhor que puderam com o que lhes foi dado, do único jeito que souberam.

Ela sente que não haverá outro jeito, pois, ainda que desista as coisas continuam a acontecer, e se entregar não a fará melhor nem mais feliz, pelo contrário, a tornará fraca e doente, e assim ela jamais saberá qual será a implicação de tanta consternação para a seqüência da vida.

Muitas vezes para que haja belas flores tem que haver resignação da planta, ainda que sofra, ainda que a machuquem e caia, sempre consegue forças para se recuperar e seguir em busca da tão esperada flor.


AE.24/06/2008

terça-feira, 24 de junho de 2008

Amar?



Em certas horas o coração gela e treme
Não sei se de medo ou de vontade
Tantos poderiam entrar ou ter entrado
Mas o frio gela e treme
Fazendo com que todas as possibilidades se esgotem
Será o frio?
Será o medo?
Sendo assim, não sei
O que fica aqui é sempre frio
Frio do que talvez pudesse ter sido
Se não fosse o medo.

AE.24/06/2008 - PE