segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Perda das palavras



Agora acabou!
Dessa vez para nunca mais.
As palavras doces de antes agora tem um sabor amargo.
Meu coração está triste, porque ele não entende, mas sabe que precisa aceitar.

Não há mais palavras, apenas o silêncio, que outrora muitas vezes me fez companhia.

De novo meu coração tenta interceder, dizendo que fui má e injusta.
Mas não há o que ou quem me diga o contrário.

Será que devo pagar por não saber lidar?
Será que essa foi realmente a causa?
Será que era demais uma atenção que me ajudasse a compreender?

Racional e emocional confrontam-se, e eu não sei.
Não sei o porquê.
A chance de saber me foi negada.

A cabeça reproduz os fatos, me torturando com cada um dos detalhes sofridos e silenciosos.

E o meu coração?
Ah! O meu coração nada sabe, só sofre, sofre por amar, sem saber a quem.

E quem sou eu? Razão? Emoção?
Acho que nenhum dos dois, pois me vejo aqui observando de longe mais uma estória que acabou, sem nem mesmo começar.

E assim, volto para onde eu vim antes que me despertastes.
Volto para dentro de mim, triste, fria e calada.

E mais uma vez meu coração pergunta - onde esteve você que viu tudo isso acontecer e nada fez para mudar?

Talvez a resposta seja simples, mas não me arrisco a dizer, pois ela não está em mim, e sim dentro de você.

AE.15/12/2008-RA

domingo, 14 de dezembro de 2008

Sentimento



Há vento que sopra de dentro para fora, de fora para dentro, mas a relva, oscilante, permanece enraizada. Não é fácil destruí-la, ela resiste à força com toda a sua extensão. Mas não é só o vento que a maltrata, existem outros fatores adversos, e por mais que ela queira resistir, não sente razão e nem um tempo favorável a sua existência.

Nem sempre olhamos para a relva, nem sempre acreditamos que ela está lá, mas ela existe por todos os lados independentemente de querermos, de cuidarmos. Não olhamos, pois não nos chama a atenção, não olhamos, pois não nos é importante, pois se fosse, cuidaríamos dela, por mais simples e sem importância que pareça.
E mesmo que ela a grosso modo passe essa impressão, é preciso que se saiba que nenhuma relva é igual a outra, cada uma é peculiar e especial em sua existência.
Quando aprendemos a observar as coisas dessa forma valorizamos cada relva como se ela fosse única, como de fato é, e assim a valorizaríamos por tudo que ela significa.
Ela não é apenas mais uma no meio de tantas, ela é única no meio de muitas, e por isso merece cuidado.
E para que de fato exista, ela precisa de condições mínimas. E na ausência de cuidado, mingua até que o inevitável fim chegue, e no processo final de sua existência, cada minuto é crucial para sua sobrevivência.
Infelizmente, mesmo que não queiramos, ela existe, pois houve uma semente plantada, e esta precisa seguir o seu ciclo, ela brota, cresce, reproduz e morre, mas isso não significa que será assim, se ela não encontrar condições ideais em algum momento o ciclo pode ser rompido.
Queria que sentisse isso, pois entenderá melhor. Não há partida, não há chegada, o que sempre existe, ainda agora, é uma travessia. A travessia não pára, mas isso não significa que as pessoas sempre nos acompanharão, muitas vezes elas param pelo caminho e nos forçam a seguir, pois cada um de nós possui visões, valores e necessidades diferentes.
Não há como parar e nem forçar alguém a seguir conosco, por mais que queiramos. As pessoas precisam se mostrar dispostas a querer continuar, e não nos deixar em meio a ausências e silêncios dolorosos.
Não há relva que consiga suportar tanta variação temporal e climática, se mesmo com o cuidado a travessia muitas vezes é difícil, imagine a mercê de toda oscilação que possa vir.
A travessia pode acontecer só ou acompanhada, e esta última só acontece se ambas as partes estiverem dispostas a seguir e com objetivos comuns.


AE.14/12/2008-RA

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Carlos Drummond de Andrade



A Um Ausente


Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.
Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enloqueceu, enloquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.
Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Triste




É tão triste ter que fazer o meu coração acreditar que os sonhos que disseram a ele ser possíveis não se realizarão!


Toda vez que ele me faz recordar de algum momento, como se isso significasse um "mas", meu racional tem que dizer a ele que não há mais fatos que sustentem a realização destes sonhos.


AE. 04/12/2008-RA