quinta-feira, 24 de setembro de 2009

A Roseira e a Formiga Cortadeira



Há no meu jardim uma linda roseira de sonhos e, talvez, seja por isso que eu a valorize tanto e cuide tão bem dela. Mas ela nem sempre foi assim.
Ela já passou por um inverno tão rigoroso que fez com que suas folhas caíssem e seus galhos, de tão fracos, quebrassem. Nesse momento ela nada mais era do que a parte vegetativa de suas lembranças, lembranças de outras estações, de quando brotava, florescia, frutificava e havia companhia em seus dias.
Como tudo na vida esse inverno passou, mas por ter durado muito tempo, fez com que ela se acostumasse a ser sozinha e não mais acreditar em suas lembranças e sonhos, que um dia foram reais.
Quando novamente pôde sentir o calor do sol, ela sentia medo e, por isso, nunca mais floresceu e nem sequer produziu mais ramos vistosos e fortes.
Ela sabia de sua capacidade, mas temia sofrer novamente e, por muito tempo, as primaveras foram apenas mais uma entre as outras estações do ano.
Não havia nela mais motivos para acreditar, e os dias se passavam sem que houvesse coragem para voltar a sonhar e, novamente, pudesse brotar e florir.
Com o passar do tempo, ela percebeu que, mesmo sendo como era, houve algumas formigas que retornaram, e isso fez com que ela se sentisse parte integrante da vida mais uma vez, despertando assim, vontade de ser melhor para poder revelar todo seu potencial e pudesse se sentir completa.
As lembranças de primaveras floridas fizeram com que ela florescesse de novo, mostrando o que de melhor ela possuía. Foi a mais linda florada que eu já vi. Seus ramos eram vistosos e fortes, suas folhas de um verde vivo e suas flores... Ah! Suas flores refletiam o sol em luz e ela não cabia em si de tanto contentamento. Ela realmente acreditava que os tempos eram outros e que não havia mais motivos para temer.
Certo dia, sem que ela menos esperasse, as formigas fizeram dos seus sonhos, que cresceram com seus ramos, folhas e flores, pedaços. Ela não podia acreditar que aquelas formigas, que pareciam ser tão confiáveis, estivessem fazendo aquilo com o que de melhor brotara dela, com aquilo que retornara depois que elas apareceram, a capacidade de sonhar. A decepção foi tão grande que a dor emocional transpassava a física.
As formigas se foram, deixando seus sonhos em pedaços.
Levou um tempo para que ela superasse mais esse descontento e pudesse florir, para que assim seguisse sua vida.
Toda vez que ela estava bem e florida, as formigas voltavam e, ela sempre, mesmo que intimamente, não acreditava que seriam capazes de outra monstruosidade. E mais uma vez ela sentiu a decepção, e viu seus sonhos serem feitos em pedaços e carregados para longe pelas formigas.
E assim fizeram de tempo em tempo.
Hoje a minha roseira se fortaleceu, não apenas fisicamente, mas, o mais importante, emocionalmente. Ela aprendeu que até as formigas, que se mostram mais confiáveis podem fazê-la sofrer. E sempre que elas retornavam, a roseira entendia que cortar e despedaçar fazia parte da natureza das formigas e, com o tempo, ela concluiu que isso era parte de um ciclo e, assim, decidiu que o que marcaria o início de um novo período não seria a perda de seus sonhos e, sim, os ramos, folhas e flores novas que trariam mais um recomeço, significando que havia novos sonhos para serem realizados.
.
AE.20/09/2009-

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Fotografia


(Foto: A. E. Castro)

Hoje resolvi treinar meus dotes com fotografia, se é que tenho algum. Mas seja como for, o resultado está logo acima.
Gosto de fotos assim como gosto de flores e escrever, porém preciso melhorar sempre, pois não é porque gostamos que faremos bem feito. Vou continuar me esforçando, pois isso me traz felicidade e faz com que minha vida tenha o seu brilho renovado.
Pra mim fotos não são só uma imagem, eternizam o momento e revelam além, não é uma simples flor na calçada, sou eu feliz em poder admirar a beleza que tudo isso é por si só.
Descobri muitas coisas hoje, e entre elas está o fato de que se o sol estiver na mesma direção de onde vem o vento, isso não ajuda, pra ser sincera atrapalha muito. Mas sobretudo redescobri que é muito gratificante, e até divertido, quando nos dispomos e queremos ver as maravilhas que nos cercam.
Fantasioso?
Não sei, apenas sei que elas estavam lá e continuam para quem quiser admirar.
Muitas pessoas me olhavam, passavam a pé ou em seus carros. Alguns olhavam como se vissem uma coisa de outro mundo, outros tão perdidos na sua realidade, que acho que nem me notaram ali. Mas nem por um momento me incomodei com que o poderiam pensar de alguém com uma câmera na mão no meio da rua fotografando flores. Não me importo, pois elas jamais saberão o quanto eu estava feliz naquele momento: fotografia, flores e eu.
Tenho o hábito, bom ou mal, de ser muito intensa, tudo é tão muito mesmo sendo pouco, apenas me policio para que isso ocorra mais facilmente com as coisas boas, as más não merecem intensidade, pelo contrário, talvez mereçam, a intensidade para guardar o aprendizado que elas revelam e esquecê-las.
Sei que hoje em dia o tempo é algo raro, e talvez isso tenha um lado bom, já que tudo que acreditamos ser pouco é mais valorizado. Por isso o nosso tempo tem que ser gasto com coisas, pessoas e situações que valem a pena, que nos fazem feliz. E talvez seja por isso que eu tenho percebido que vir a pé da academia tem se revelando uma experiência muito gratificante.

AE.16/09/2009




(Fotos: A. E. Castro)

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Chuva, música e eu.



Estava na academia cuidando do meu pequenino coração. Quando saí coloquei o fone pra ouvir Ira-Blue Label no mp4 e segui pra casa.
No meio do caminho, alguns pingos tímidos de chuva começaram a cair, e eu ali, naquele misto de insegurança e vontade.
Sou apaixonada por chuva, tudo é lavado numa doce e calmante sinfonia. Mas naquele momento havia coisas que não podiam molhar.
Aos poucos fui me deixando levar pela sensação boa da água tocando em mim, e quando percebi já estava envolvida e molhada. Nesse momento ouvia a música "Tudo em Mim".
Comecei a olhar ao meu redor como se o mundo tivesse parado, como se nada existisse além da chuva, a música e eu.
Tudo estava sendo lavado naquele momento, inclusive a minha alma que agora se prepara para a chegada da primavera.
Algumas flores tímidas já se anteciparam a estação e tudo agora tem novo ar, nova cor e novas sensações.
E eu estava ali em meio a tudo aquilo, numa sensação de entorpecimento, e pude ver que o brilho antes procurado, o sentido outrora desejado, estavam ali, em tudo que eu via.
Naquele momento eu não precisava de mais nada, era como se eu estivesse absorta de qualquer outro acontecimento.
Manhã maravilhosa que eu tive hoje: brilho, felicidade e alma lavada.
Espero que eu não fique gripada, mas seja como for valeu a pena.

AE.09/09/2009

sábado, 5 de setembro de 2009

Primaveril



Enfim é chegada a época de florir.
Sinto os meus botões se aquecendo pela luz do sol.
Sinto as energias voltarem e a esperança renascer.

A estação mais esperada, onde tudo está mais claro e perfumado.
E neste momento, sinto vontade de revelar o que há de melhor em mim.

A natureza não condena a vida a uma única estação, ela renova e ressignifica tudo, revelando o melhor do que passou.

Dentro de mim está a vida.
Dentro de mim está o belo.

Hoje flores desabrocham revelando cores e trazendo mais vida aos dias frios que pertenceram ao inverno.

É chegada uma estação que aquece a alma.

Hoje posso sentir o vento tocar minha pele, da mesma forma que o vejo acarinhar as pétalas de uma flor, que traz consigo o resultado do seu trajeto, revelando o que faz tudo valer a pena.

Sinto-me melhor agora, posso ver o céu azul e limpo, tudo tão mais leve e iluminado.

Hoje mais uma vez recorro às flores, pois somente elas são capazes de me fazer entender coisas que não precisam ser ditas, só elas tem o poder de me ensinar que por mais estações que possam ter uma vida, a primavera sempre chegará para que tudo seja e cheire melhor e eu perceba a vida mais bonita.

Na primavera me sinto assim, como se tudo de bom que há em mim, estivesse agora florescendo, junto com todas as outras flores.
E é aqui que eu percebo o que a vida é capaz de revelar:
O recomeço.

AE.05/09/2009

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Pra não falar de amor



Às vezes penso em como a minha vida é tão boa e ainda sim, em muitos momentos me sinto insatisfeita e com uma saudade não sei do que.
Perco muito tempo do meu dia pensando no que pode estar errado e não consigo encontrar, parece mesmo é que falta um pedaço de mim.
Será que é pela pessoa que irá me completar?
Não acredito muito em alma gêmea, mas sei também que ninguém nasceu para ser sozinho, não dá para dividir sozinho, trocar sozinho e compartilhar sozinho.
Por muito tempo me dediquei a me encontrar, a me conhecer e agora, não sei.
Sinto-me sozinha, com algo de bom, e sem ter a quem mostrar.
Será que a culpa é somente minha por não saber reconhecer, aproveitar e entender?
Ou a culpa é do outro por não se fazer perceber e compreender?
Hoje desperdiço flores para ilustrar o que eu não sei.
Hoje desperdiço flores com coisas desconexas e complexas.
Talvez fosse mais fácil ir levando e fingindo que não sinto, fingindo que não vejo.
Mas o que eu apenas sei, é que não é fácil sofrer tanto com medo de sofrer.

AE.01/09/2009