terça-feira, 16 de março de 2010

Perda


Tenho pensado no tempo pela perda. Como é triste constatar na prática o que cansamos de saber na teoria e não agimos.
Há uma certeza, as pessoas se vão, se vão um dia, se vão de uma hora para outra, estão indo agora.
Quando isso acontece fico a pensar... não é a dor da perda que aflige, e sim a saudade enorme que fica e que nunca mais se poderá matar. Não é da saudade que virá que eu falo e sim do tempo que a pessoa esteve aqui e estivemos ausentes, mesmo que sempre lembradas, nunca anunciadas.
E novamente penso no tempo, no tempo que não volta mais, no tempo que deixamos de ficar perto das pessoas que são importantes para nós. E de repente a saudade, a tristeza de não mais poder re-viver as lembranças que agora, a todo momento voltam e revelam as pessoa maravilhosa que passou em nossa vida e com o tempo passamos a normalizá-la, tendo consciência somente quando se vão, e sempre e todas se vão.
E então começo a questionar, quais são as outras pessoas que eu ainda não perdi, que são importantes para mim e que eu estou deixando de me fazer presente.

AE.16/03/2010-ED

"Mas as horas há que marcam fundo...
Feitas, em cada um de nós,
De eternidades de segundo,
Cuja saudade extingue a voz."
(Manoel Bandeira)

domingo, 14 de março de 2010

Lembranças de você



É nesse espaço que me reservo a você, é aqui mais uma vez que eu me revelo e quase te toco.
Um história confusa sem começo, meio e fim.
Me lembro de você tão diferente, singular e especial.
Me lembro das suas, das minhas, das nossas incertezas.
Me lembro de como era bom te esperar e falar com você.
Me lembro do coração acelerado e o medo do incerto.
Me lembro das suas dúvidas e das suas decisões.
Me lembro de outra, de outra pessoa, de outra história.
Me lembro da ausência e do tempo passando.
Me lembro de você reaparecendo e sumindo novamente.
Me lembro que te amei de verdade e com força.
Me lembro que sofri e que também chorei.
Não há mágoas ou tristeza, apenas uma lembrança e sua manifestação.

AE.14/03/2010-RA

terça-feira, 9 de março de 2010

Hortência



Você aqui diante de mim revelando seus contornos, suas pétalas e suas folhas.
Você aqui diante de mim revelando sua paz, sua cor e seu valor.

Tão rosa, tão sublime e tão bela.
Contrastando com o que há no ambiente, contrastando com o que há em mim.
Tão singela em apenas ser.
Tão forte em existir.

Te vejo aqui diante de mim a me ensinar mais uma vez que o que vale pena e o que permanente está além da sua existência, revelando toda a transitoriedade existente em uma vida.
É contigo que aprendo.
É com você que me conheço.
Sempre assim, apenas de te olhar, a vida se manifesta diante de mim em resignação.
E a sua beleza dá novo significado ao tempo que tudo alivia, revela e transforma.

AE.09/03/2010