terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Foto A.E. Castro

"Lamentar o tempo passado é banalizar o aprendizado de cada momento vivido"

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Sol quente de dia de primavera.


Não tenho estado afim de nada muito filosófico ou literal.

Quero vestidinho leve que ameaça voar com o vento, florido como a estação.

Os pés a mostra com os dedos entre as tiras da sandália, aliviando-os da pressão dos calçados de dias frios.

Quero a leveza das coisas que são e apenas são, das coisas que eu tenho e das coisas que eu quero conquistar.

Dos sonhos que ainda irei realizar e das metas a atingir.

Quero a beleza dos dias quentes e do céu limpo da primavera, quero ser feliz, me manter ativa, realizar, construir e investir.

Tudo se ressignificou em mim e pra mim, tudo é mais leve e calmo como sempre foi, tudo vivo e claro.

Cansei de nhenhenhe e blábláblá.

Quero seguir, quero compor, quero sentir , sentir o perfume das flores e compor de novo um novo final.

Sendo assim, reabro a temporada das flores.

AE.29/08/2011-AE 

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Flor


Sinto-me como uma flor que desabrocha.
Estou aliviada, meu coração já consegue se alegrar.
Consigo perceber a beleza no que sempre a teve para mim - flores e pequenas coisas.
Tudo isso porque deixei de querer quem me fez tanto mal.
Agora feliz.


AE.25/08/2011

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Egoísta


Tive que ler que você não sabia do que eu sentia e por isso que as coisas chegaram onde chegaram e se as coisas acabassem por aqui ninguém mais se machucaria e todos poderiam seguir suas vidas em paz.
E eu? A única que se machucou e a única que perdeu a paz. É claro, isso nunca contou.


AE.19/08/2011-LF

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Acalmando e clareando.


Às vezes tento colocar algum lirismo nas coisas que eu escrevo, no entanto existem situações e pessoas que merecem tão somente a realidade.

Ontem eu não chorei e, hoje também não, mesmo que a dor ainda continue sendo uma constante. Talvez não seja só a dor, seja tristeza somada à decepção.

E em minhas fugas mentais às vezes eu penso no que ficou, o que restou de tudo isso em mim.

Lembro-me de ter te conhecido há um ano e meio atrás, e sem saber de sua vida dupla me apaixonei. Soube, não porque me contou, soube por mim mesma e, depois de tudo, sou capaz de afirmar que se eu não tivesse descoberto não teria sido você que haveria me contado. Com qual intenção fez isso não sei.

Já nesse tempo pedi que se afastasse, que me deixasse em paz. Mas de tempos em tempos você me procurava. Buscava-me de todas as formas. Até o dia em que eu quis te ouvir, dar atenção ao que falava, alguém que busca outra pessoa por um ano com tanta insistência não pode ser a toa.

E o sentimento que eu pensava não existir mais, estava apenas adormecido, você o acordou. Sempre me dizendo que eu era especial, que em todo esse tempo não tinha me esquecido. Eu permanecia retraída, tinha medo de você e do que eu ainda não sabia que havia dentro de mim.

Nos vimos duas vezes, e eu tentei não dar muito ouvido para as coisas que você falava, pois eu acreditava que se eu não deixasse o que você dizia entrar na minha cabeça talvez eu conseguisse verdadeiramente conhecer você.

Mas algo em você me chamou a atenção. Toda vez que nos falávamos ou estávamos perto você queria saber o que eu sentia e se eu gostava da forma como agia comigo. Sempre achei estranha toda essa especulação, pois nunca disse nada por medo, eu não conseguia confiar.

No mês em que ficamos afastados, você se aproximou ainda mais, com atitudes e palavras, dizia que estava com saudades e me queria perto. A partir daí eu não soube mais como agir, pois não mais eram só palavras, eram atitudes também.

Pensei talvez que o que você dissesse fosse sincero, já que eu sentia coisas parecidas, e para mim pareceu fazer sentindo. Mas às vezes eu ficava confusa, pois suas palavras não condiziam com a sua realidade dupla, mas ainda sim você às dizia sempre. Pensei que sendo assim, não era justo pesar seus sentimentos com a minha balança.

Nos vimos mais uma vez, mas dessa vez  para mim dessa foi diferente, eu senti você, não eram apenas palavras ou gestos, era o que eu via e a intimidade que eu sentia. Era bom te ter ali, era bom estar ali, rir com você, abraçar e beijar você enquanto conversávamos, mas mais uma vez quis acreditar que não era assim, que não era dessa forma, pois eu não podia, eu não devia gostar de você.


Eu não sabia o que fazer, não conseguia mais separar as coisas e então pedi que não me procurasse mais, mas você não parou. Foi então que eu comecei a perceber que havia algo errado, pois eu sentia sua falta, queria te ter por perto. Ouvir sua voz acalentava todo o caos que havia dentro de mim quando você não estava por perto.


Disse então que eu estava apaixonada por você e que muitas vezes não demonstramos fragilidade por medo e, também porque quando queremos ser fortes demais perdemos um pouco da fé e a vida um pouco do seu colorido, e então você me disse que eu estava começando a conhecer você.


Mas não consegui mais me aproximar, o toque doía, os beijos não tinham mais sabor e então chorei. E soube que o que você sente por mim é amizade e algo físico, e se eu perguntasse à você se você estava apaixonado por mim a sua resposta seria não.

Muitas coisas me passam pela cabeça e eu tento esquecer, deixar para lá, mas em alguns momentos algo dói e tudo volta e o que eu mais me pergunto é o por quê?

Por que perder tanto tempo nutrindo sentimentos em alguém que sabe sentir algo diferente de você?

Por que perder tanto tempo com alguém com quem você só quer passar o tempo?

Por que especular sentimentos e atitudes para revelá-los a você?

Por que retornar depois de tanto tempo se não era para ficar?

E ao me dizer que está vendo as coisas com outros olhos depois de ler o que eu escrevo - eu digo a você - acho que fui eu quem nunca quis ver o que realmente havia em você, o que hoje se torna claro e límpido como água para mim.

Seduzir para destruir? Qualquer semelhança com a realidade terá sido mera coincidência.

Cansativo né? Pois é, eu também cansei.

AE.18/08/2011-LF

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Tudo no seu normal e em mim dor.

Foto A. E. Castro

Assim que eu acordei já senti um sentimento estranho e logo me veio à consciência. Você não está mais aqui, talvez nunca estivesse estado.

Tudo em mim doía. Quanto mais eu observava a normalidade do mundo, mas eu sentia o entorpecimento da resignação. Tudo permanecia igual, tudo aparentemente estava em seu lugar. Os aviões no céu se preparando para pousar, as pessoas indo para seus empregos, o vento tocando as árvores e vez ou outra tocava um ipê rosa e fazia com que suas flores caíssem e, vez ou outra eu me perdia no cair de uma dessas flores, o desprendimento que não tem volta.

O sol enfim saiu, tocava tudo suavemente, os prédios da cidade que ainda estavam adormecidos, tocava as ruas que aos poucos iam se enchendo de pessoas e carros, mas esse mesmo sol não conseguia me aquecer.

Talvez um dia eu consiga deixar de pensar nas coisas que eu penso, nas coisas que aconteceram, e talvez um dia a dor diminua. Por hora não consigo e eu acho que vou continuar sentindo medo até que isso acabe.

Por mais que diga que não, para mim foi uma despedida, sei o que significa tudo o que você me disse, mas, por favor, não volte só para saber se eu estou bem e nem me observe aqui, não quero perder a autenticidade das minhas palavras.

Talvez um dia seja diferente, talvez um dia tudo não doa tanto assim, mas até lá lido apenas com o que eu tenho hoje - tenho que continuar.

AE.16/08/2011-LF

Serena


E então dissemos adeus. Peguei meu facho de luz e corri mentalmente para debaixo de uma árvore e abraçada a ele chorei, enquanto sua voz sumia no escuro do meu quarto.

Senti medo e fiquei com aquela sensação de que entendi e não sei o que eu entendi, mas me senti abraçando você, me senti ao seu lado e me senti inteira nesse momento, não quis pensar nos “ e se” que podem ou não vir, que podem ou não serem bons.

Sua voz se foi, mas meu corpo ainda sente as vibrações, sente calor, um calor sereno e inocente como de duas pessoas que deitam sobre cobertas em um gramado para contemplar uma noite de céu estrelado e sorriem, e se sentem acarinhados mesmo sem se tocar.

Voltei com meu facho de luz e com um sentimento bom, de paz.

Pensei - vou sentir saudades, mas é melhor que seja assim.

Coloquei o facho de luz na cama, me deitei ao seu lado e suspirei pensando – amanhã é outro dia.

AE.15/08/2011-LF


Essa música alimenta minha sensação de paz.

domingo, 14 de agosto de 2011

Sentimento torpe, pessoa leviana.


Hoje mais uma vez choro, choro na tentativa desesperada de diminuir o que há dentro de mim.

Um sentimento que cresceu, sem que eu pudesse impedir e que tomou conta de mim, um sentimento que foi friamente cultivado por alguém que nunca teve qualquer tipo de intenção de cuidar dele.

Palavras doces, porém falsas, atitudes calculadas e a displicência de quem vive na segurança de sua vida dupla.

Às vezes me pergunto o porquê de atitudes tão sórdidas. Como pode existir tanta frieza da parte de alguém que sabe o que está fazendo à outra pessoa, negligenciando todo o sofrimento que pode ser causado na vida de alguém que tem planos e sonhos. 

Lutei contra esse sentimento o quanto e como pude e, o fato de agora ter que superar isso não altera o que eu penso de atitudes assim - uma das maiores covardias – pessoa que a todo custo procura alguém que sabe ter sentimentos sinceros por ela com atitudes, palavras e gestos para estimular ainda mais o sentimento na outra pessoa, para que esse alguém não o esqueça, para que esse alguém esteja ali para quando achar necessário ou para aliviar uma necessidade, seja lá do que for. E ainda se sente justificado pelo fato de em algum momento você ter sentido algo bom, pois é capaz de dizer: “Sei que para você também foi bom”.

Por muito tempo eu disse não, mas a insistência me cercava de todos os lados, sempre sabendo como burlar o não, como tocar os sentimento e trazê-los à tona.

Me perdi, perdi as forças para lutar contra e me deixei levar, mas os toques duplos ferem a alma, o alívio da necessidade desse alguém afrontam suas vontades e em algum momento você ainda pensa que a culpa é sua por ser fraca, mas ao lembrar de todo o período de nãos ditos, percebe o quão fria é essa pessoa, sabendo que é mais fácil para quem não sente se afastar do que para quem sente continuar negando as investidas. Mas esse alguém como quem busca uma vitória prazerosa e pessoal continua, esse alguém que já tem outro alguém não se satisfaz e ainda acredita não ter culpa caso você venha chorar. Leviano, leviano, leviano.

Meus dias estão nublados e o colorido das flores ofuscado com tamanha maldade, conquistar alguém apenas por conquistar, manter esse alguém por perto só para emergências de sua alma ou vida descontente.

Não quero dó, ou qualquer sentimento complacente, é apenas um desabafo de quem ainda estranha condutas como estas nos dias de hoje, onde vemos sentimentos e atitudes distorcidas em tantas pessoas, isso não deveria ser uma surpresa para mim.

Mas hoje apesar de ainda estar triste e temer as noites de Sábados quando alguém sai e fecha a porta sem se importar com o que acontecerá atrás dela e segue para sua noite feliz com outro alguém que também é enganado.

De certa forma me sinto mais aliviada por saber que não mais conseguirá contato comigo, pois fechei as portas por onde você poderia entrar com sua bagagem de mentiras. 

Fechei todas menos esta, por julgar não ser justo comigo fechar também a porta por onde toco e sinto minhas flores, que me ajudam curar a ferida que você abriu em meu peito, pois, ainda sim, consigo estar aqui e escrever como em todo esse tempo, única e exclusivamente com o mesmo propósito aliviar minha alma.

AE.14/08/2011-LF

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Devaneios em fragmentos


Sinto uma saudade física.
Meus pensamentos são ocupados pela rotina, mas em meu peito algo dói.
Tento esquecer, mas meu corpo não deixa e, nesse momento, minha razão querendo acalentar meu coração diz: "Calma, que vai passar".
AE.27/07/2011-LF

Às vezes me pego pensando em você e me surpreendo com a sensação de presença que as lembranças me fazem sentir. Mas logo depois vem o frio, o frio de um sentimento que existe inadequadamente.
Sinto sua falta, mas não devo, pois não posso ter você.
AE.28/07/2011-LF

Eu fico olhando para você, horas e horas, meu coração se acalma e eu quase consigo te sentir.
Me desencontrei quando te encontrei e tive para mim que desencontrar tem cheiro, tem sabor. E eu sinto que o que ficou de você em mim, talvez seja o suficiente para suportar a ausência até que chegue o dia em que eu consiga te esquecer.
E talvez só assim o cheiro se dissipe e o gosto se dilua no amargo da distância sem que o meu coração possa saber o que houve com a gente, se é que houve. O que há em mim eu sei, é forte, é real, mas em você não sei, nunca soube, sequer saberei até mesmo se de fato algo houve.
Hoje tenho outra companhia, a saudade, que me diz tantas coisas, coisas que você não disse e em outras vezes coisas que machucam, coisas de sentimentos frívolos e levianos que talvez tenham sido uma constante nesse período.
Não sei o que dói mais, o toque duplo ou a saudade física que continua a me acompanhar.
Tudo tão errado e tão sentido, sinto tanto que quase vejo você em minha frente vindo me abraçar dizendo que tudo começa agora, sem esconde, sem mentiras e sem enganos.
É difícil deixar ir ou partir, quando mesmo sem saber porquê o coração ainda acredita em algo bom, por mais impossível que seja.
AE. 29/07/2011-LF

Eu gosto de você de querer ficar junto, de querer ficar perto.
Eu gosto de te querer pra mim, de te querer em mim, de te querer comigo.
Eu gosto de você de querer fazer planos, de querer construir, de querer transpor.
Eu gosto de você de longas conversas, de carinhos nas costas, de aconchego embaixo do cobertor.
Eu gosto de você talvez sem nem mesmo saber medir, talvez apenas de gostar, isso não se pode e ninguém consegue explicar.
AE. 30/07/2011-LF


terça-feira, 2 de agosto de 2011

Refletindo


Às vezes olho-me no espelho e me surpreendo ao reconhecer externamente o que lapido por dentro, e o que eu vejo me agrada.  E nesse processo, passo boa parte do meu tempo olhando internamente, para o meu mundo, e algumas vezes me esqueço que sou alguém que possui um rosto, uma identidade como todas as pessoas.

Embora, delicadeza e paciência nunca tenham sido meu forte, sou capaz de reconhecer um amigo ou alguém próximo a mim pela feição trazida em seu rosto e quase consigo sentir o que sentem pelo que expressam em seus olhos.

No entanto, outras pessoas já dizem a que vem pela forma como agem, os olhos sempre as entregam, a malícia salta por eles e quase nos invade, e isso reconhecemos logo no início. Não convém dizer a eles, pois pode ser que se aprenda alguma coisa antes que a pessoa torne isso explícito como quem diz - surpresa! E ai você olha e diz - não há novidade nenhuma no que me revela.

Há também aquelas pessoas que fazem isso para trazer algum conforto para suas vidas, perdendo tempo e energia, testando a si próprios e aos outros, tentando um sim de quem lhes diz não. E com esses percebi que mostrando querer enfim conseguimos deixar de ser quistos, isso alivia, pois com o bem, afastamos o mal.

O mais importante nisso tudo para mim é me permitir ser e me sentir como ser humano que sou e que às vezes erra e em outras acerta, que confunde o caminho e depois se encontra, que se fecha e se abre para o mundo e para as pessoas.

E depois de toda turbulência posso enfim curtir a mansidão de águas calmas, após definir quais direções tomar, consigo olhar e ver as pessoas que me esperam no cais, com suas feições familiares e seus sorrisos que aquecem até o mais frio mundo que às vezes há dentro de nós e faz com que pensemos que a areia que está perto e reluz ao sol é mais firme que a rocha que nos sustentou até aqui.

AE.30/07/2011-LF

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário. Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas Se achar que precisa voltar, volte!  Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente. Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a. Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!

Fernando pessoa

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Desconexo


Hoje eu senti vontade de escrever tudo que há dentro de mim, algumas coisas são fáceis, outras nem tanto, outras talvez eu nunca tenha condições de expor.


Mesmo com essa vontade tudo que eu sinto é desconexo, parece que algumas coisas precisam se encontrar, talvez eu que precise me encontrar.


A.E. 21/07/2011.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Breve texto de uma história curta.


Sim, eu gosto do que fazemos juntos.
Sim, eu gosto da nossa comunicação quando longe.
Sim, eu sinto saudades.
E se a situação fosse outra?
"Não podemos viver de 'se'" - me disse certa vez.


Parti.


AE.18/07/2011-LF

domingo, 10 de julho de 2011

Amor, força de mãe.



Escrevo para não esquecer, escrevo para me lembrar de cada detalhe.

Se fosse para eu definir esse período que eu passei com a minha família, está palavra seria mãe.

Acho que nunca na minha vida eu estive tão próxima a ela, pude ter a sensação de ventre materno, pude ver além dos olhos dela.

Um ser humano que ainda, depois, de muito tempo consegue chamar seus filhos já adultos de filhinho e filhinhas. Posso perceber a maternidade em cada um dos seus gestos, na forma como se antecipa às nossas necessidades e desejos.

É impressionante, como ela consegue antever qualquer vontade e realizá-la antes mesmo de tomarmos consciência de que precisaríamos.

É tanto cuidado que chego ser mais humana ao seu lado, é tão dedicada que me sinto mais motivada com ela por perto. Um ser humano com partes de si externas a si, refletida nas palavras e gestos que direciona a nós.

Não há muito o que dizer, não sei bem como expressar, mas sei que a gratidão é extrema e a vontade de aproveitar cada segundo também.

Não importa o que cozinhe, tudo tem seu gosto, sei que em qualquer lugar do mundo, que a lasanha da minha mãe é a lasanha da minha mãe e, mesmo que qualquer outro ser humano do mundo fosse capaz de combinar todos os mesmo ingredientes, por mais que tentasse não conseguiria a fórmula para tal sabor. O mesmo acontece com o chá-mate e o bolinho de polvilho azedo.

Quero sentir mesmo que na minha mente, em toda manhã da minha vida o cheiro do seu café, e antes de levantar ser capaz de sentir o gosto do café com manteiga que você sempre levava, e ainda leva, quando estamos juntas, em nossa cama alegando ser bom para fortalecer o “peito”. E ao ficar de pé me sentir assim, fortalecida, onde quer que eu esteja e, que minha alma sempre esteja da mesma forma como em todo esse tempo fez e faz com nossa casa, sempre colocando as coisas no lugar, organizando e limpando, e é assim que eu quero permanecer, de alma limpa.

Uma vida inteira por perto e, posso dizer que em muitos momentos de não saber o que fazer, não saber ao que recorrer, você sempre me ensinou a primeiro me acalmar e cuidar de mim, e assim, bem e mais calma poderei resolver qualquer problema, poderei analisar as coisas da melhor forma para tomar a decisão mais acertada, mesmo que está seja deixar o tempo agir por si próprio.

Mãe, em você vejo o ser humano divino, aquele que se antecipa por amor, conforta e com o gesto mais simples consegue revelar a paz, a parceria e o pilar.

E com amor encerro, emocionada, por sentir em mim a paz que certamente senti em seu ventre, por saber que está ai e cuida de mim, onde e como for.

E por reconhecer tudo isso, me vejo diante de um sem número de palavras que jamais, mesmo que se somadas umas as outras nunca poderão expressar a gratidão por cada momento dividido com você, passado ao seu lado e por tudo que eu aprendi e ainda aprendo com você que pode me nortear nos momentos em que não estar presente.

Mãe, amo você e obrigada por tudo, antes mesmo de eu nascer.

Hoje, sou maior que você, mas ainda distante de ser da sua altura.

AE.10/07/2011-MAE

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Lições de uma vida.



Penso eu que a maior felicidade do mundo se esconde na história que temos com quem amamos.

Em momentos vividos – de alegria, tristeza, amor, trocas e até mesmo discussões.

É na família que encontramos nosso referencial, e lá que nos enxergamos como gente, como pessoas viventes e importantes no mundo.

Todos temos a nossa família, seja aquela de formato padrão, pai, mãe e irmãos, quer seja aquela moldada - vó, primos, amigos, cachorro, papagaio e periquito.

Poucas coisas me deixam tão emocionada quanto falar com meu pai ao telefone, de ver na simplicidade daquele ser humano uma história de vida e um sentimento pré-entendido.

Na vida ele muito pouco se expressou em palavras, mas seus olhos, seus gestos e as poucas palavras que dizia significaram muito para mim. Frases em momentos de discontração e puxões de orelha que eu lembro até hoje e ainda servem para ensinar a mim e outras pessoas.

“Conversa comigo que você não sofre”;

“Nunca tente dar uma de esperta, pois sempre aparece alguém mais esperto do que você”;


"Nunca se baseie nos maus ou nos que não conseguiram, sempre se espelhe nos melhores”;

“Não existe inferno, é aqui que pagamos por tudo aquilo que escolhemos fazer”;

“Quando as coisas estão muito ruins, eu me sinto aliviado, pois há grandes chances das coisas dali para frente melhorarem”.

E que quando a coisa estava feia dizia: "Vamos acudir o que está caindo".


Nesse momento não consigo me lembrar de muitas, o que para mim é uma pena, mas revejo muitas situações que ficaram registradas em minha alma, desse orgulho e admiração de alguém que me ensinou a identificar quais eram as espécies de todas as mudinhas de verduras que ele plantava na  horta.

Era ele que de domingo de manhã saía para andar no bairro observando em cada terreno baldio as mudas de tomate, pepino, melão e melância que brotavam.

Foi ele que me ensinou que as acerolas que caem no chão quando jogadas para as galinhas evitam mau cheiro, moscas, e ainda as alimenta.

Foi ele que me ensinou a olhar para trás toda vez que se faz alguma coisa para se certificar de que não deixamos nada fora do lugar.

E eu ainda estou certa, de que foi dele que eu herdei essa minha vontade de ficar deitada, pois nos finais de semana, depois de tirar o iogurte (que tinha hora para ser tomado) da geladeira deitava para ver a programação da TV logo cedinho, e que depois de bebê-lo ia à feira e passava o resto do dia lá, deitado.


E que quando saiu de casa o que mais me doeu foi pensar que não mais teríamos os domingos de ficarmos deitados o dia todo.


Mas não foi isso que aconteceu. O tempo revela tudo, e hoje depois do medo, consigo me lembrar de vários domingos que deitamos juntos no chão da sala para assistir à programação da TV.

É do meu pai muita coisa em mim, sobre tudo o amor e admiração que eu sinto por ele e, de ter aprendido tudo em uma casa que parecia um sítio, mas que representava bem mais que isso, era o nosso pequeno mundo.

Ao meu Thelinha* com amor.

*Ele em uma época chamava algumas pessoas de "Tilápa" Beiçuda, diminui e me acostumei a chamá-lo de Thela, mas o amor assim o definiu Thelinha.


Nem ao me despedir do que escrevo consigo deixar de lembrar dos pequenos momentos que trouxeram grandes lições, das pequenas e simples coisas que nortearam a minha vida e da paixão e interesse que eu sinto por cada planta.


E é em cada um desses detalhes que eu consigo vislumbrar no meu dia-a-dia que eu tiro seus ensinamentos.

E é com lágrimas nos olhos que reafirmo o que venho dizendo há um tempo: “O que importa é tão somente quem temos na vida”.

AE.26/05/2011-PAI

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Dos outros



Não sou de postar coisas que não são minhas aqui, a não ser quando elas tocam muito em mim. E hoje esse texto tocou em mim, e achei que merecia um lugar aqui para repassar.
Mas não consegui encontrar o nome do autor, se alguém souber me passe para que eu possa fazer as devidas honras.

Se existem verdades absolutas neste mundo, uma delas é que todos nós temos medo de sofrer. Assim, ingenuamente tentamos controlar as situações ao nosso redor, como se isso fosse possível...

Obcecados por esse desejo
 de nos proteger, gastamos nossa energia e nosso tempo tentando controlar os pensamentos, as atitudes e até os sentimentos das pessoas que amamos e que, sobretudo, desejamos que nos amem.

No entanto, não nos damos conta de que a vida se baseia no imprevisível, no incontrolável, no surpreendente! Nenhum sentimento é garantido, nenhuma consequência é revelada antecipadamente. O futuro é totalmente incerto. E apesar de tamanha imprevisibilidade, temos em nosso coração toda a possibilidade de conquistarmos o que e quem amamos, o que é muito diferente de controlar, prever ou obter garantias!


Muitas pessoas não conseguem encontrar um amor, não se entregam a uma relação profunda e verdadeira simplesmente porque estão, todo tempo, tentando obter certezas. As perguntas não param de gritar, as dúvidas não têm fim e o medo de se deparar com a dor parece assombrar milhares de corações, impedindo-os de enxergar uma outra possibilidade, tão plausível quanto a de sofrer.

Será que ele me ama? Será que vale a pena perdoar e tentar de novo? Será que ele não vai me trair? Será que não estou sendo idiota? Será que não vou sofrer mais do que se ficar sozinho? Será? Será?...

O que será, eu responderia com muita tranquilidade, não importa agora! Na verdade, nunca importará! A pergunta correta é: “Eu quero? Quando aprendermos a responder, com respeito e responsabilidade, essa simples perguntinha, teremos previsto qualquer possibilidade.

Sim, porque o amor é uma chance, uma oportunidade; não uma garantia; nunca uma certeza! Podemos vivê-lo conforme nossa vontade, de acordo com nosso coração ou... passaremos a vida inteira tentando controlar o incontrolável, garantir o incerto!
Jamais teremos como saber
se o outro está sendo fiel, se o amor que sentimos é correspondido na mesma medida, se vamos sofrer ou seremos felizes. Jamais saberemos do amanhã ou do outro.

Então, que usemos nossa inteligência, a despeito de todo o medo que isso possa nos fazer sentir. Ou seja, que possamos, de uma vez por todas, abrir mão dessa tentativa inútil de controlar o amor, a vida e o outro e nos concentremos em nós, em nosso coração e em nossos reais objetivos!

Descobriremos que nos ocupar com nossos próprios sentimentos já é trabalho para vida inteira. Descobriremos que agir conforme nossa vontade é o bastante para que nos sintamos preenchidos, embora possamos mesmo vir a sofrer... simplesmente porque o sofrimento é uma possibilidade tão possível quanto a felicidade!
E digo mais:
só conseguiremos entrar de fato no coração de alguém, mesmo sem termos certeza disso, quando tivermos a audácia e a coragem de nos entregar ao imprevisível; quando conseguirmos compreender que a segurança é mérito pessoal, interno, sentimento que não se pode ter em relação a ninguém além de nós mesmos.

Portanto, para todas as pessoas que têm me perguntado sobre qual é o “segredo” para viver o amor sem sentir tanta insegurança, tanto ciúme e tanto medo de sofrer, aproveito este momento para responder: o segredo está em saber se você quer, se você realmente quer! Porque se você quiser e fizer por merecer, agindo você com sinceridade, qualquer possibilidade de dor e sofrimento valerá a pena. Porque quando a gente quer de verdade, com o coração, a magia do amor nos faz entender que sofrer faz parte do caminho e, no final das contas, é tudo crescimento, aprendizagem, evolução e, por fim, a tão desejada felicidade. 


E não que ela esteja no final do caminho ou no final da vida, simplesmente porque ser feliz é isso: entregar-se ao imprevisível e aceitar a dor e a alegria como partes do amor! E quando penso que essa entrega é realmente difícil, me lembro de uma frase que gosto muito:
"Se o seu problema tem solução, relaxe... ele tem solução.
E se o seu problema não tem solução, relaxe... ele não tem solução!"
É uma frase engraçada, mas muitíssimo sábia. Portanto, quando estiver doendo muito, não resista!

Simplesmente relaxe e aceite, pois a resposta virá!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

E foi



O momento da partida ficou entre você e eu... Entre nós.
Me despedi de você que sempre estará em mim.
Saudades do que eu tenho aqui dentro e jamais vou esquecer.


AE.11/05/2011-DL

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Ele


Enfim você chegou e foi como eu sabia que seria.

Você ali, quietinho e eu ao passar senti a impressão de ter visto algo. E era você.

Tão simples, tão diferente de tantos iguais a você.

Meu primeiro dente-de-leão se abriu e o meu dia parou.


Parou em uma felicidade sem fim, parou numa beleza sublime que apenas é e se deixa ser.

Meu coração se aquece, olha você e sorri. Sorri comigo que ao passar os dedos em você sente a leveza e a pureza da fragilidade que há, e na coragem de se abrir pelo tempo necessário de tornar o dia de alguém mais feliz, de alguém que te esperou todo esse tempo e sabia, eu sabia dentro de mim, que seria o mais lindo de todos por ser o que eu tanto esperei.

Meu primeiro dente-de-leão logo irá completar aquilo a que veio, mas nunca sairá de mim, nunca será esquecido ou menos lembrado, pois te sentia antes mesmo de tê-lo aqui.

Seja enquanto há de ser e depois desmanche-se nessa beleza incontida que traz dentro de ti e eu ficarei aqui, a cuidar, a zelar dos que virão depois, mesmo sabendo que não serão iguais a você, já que nenhum deles tornará a ser o meu primeiro dente-de-leão.

AE.06/05/2011-DL

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Ainda ele


Hoje assim que te vi você sorriu e meu dia se alegrou.

Tudo se tornou pequeno diante da grandeza que você tem para mim.

Sua flor estava lá, aberta e, o que eu vi ontem foi apenas uma sombra, sombra do que você parecia ter sido.

Amarelo como o sol e lindo como o dia de hoje.

Queria ser capaz de abraçar-te e dizer: Seja bem vindo, meu primeiro dente-de-leão.

AE.27/04/2011-DL

terça-feira, 26 de abril de 2011

Meu primeiro dente-de-leão


Hoje sua primeira flor abriu. E eu pude apreciá-la somente no comecinho da manhã o seu início de desabrochar.

Queria ter podido ficar mais, mas não deu. A vida nos empurra. E eu tinha tanta esperança de que eu pudesse te encontrar a noite, mas não, você já tinha partido.

A tristeza só não foi maior, pois eu sei que muito em breve ele virá, o meu primeiro dente-de-leão.

Talvez essa felicidade se sobreponha àquela que eu senti no dia em que soube que você chegaria, e neste instante, lembrei-me de quando te trouxe para casa, tão pequenino, ainda semente em minha mão.

E hoje, em um dia nublado de quase inverno sua flor se abriu, amarelo como o sol, o sol que me aqueceu o dia todo com essa alegria.

Agora fico aqui, com esse sentimentozinho de saudade, saudade daquilo que eu não vi e, aguardando quem observarei com carinho até que se desmanche e vá para longe, vá levar aquilo que um dia trouxe para mim... A felicidade que há nas coisas simples.

AE.26/04/2011-DL