segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Sol quente de dia de primavera.


Não tenho estado afim de nada muito filosófico ou literal.

Quero vestidinho leve que ameaça voar com o vento, florido como a estação.

Os pés a mostra com os dedos entre as tiras da sandália, aliviando-os da pressão dos calçados de dias frios.

Quero a leveza das coisas que são e apenas são, das coisas que eu tenho e das coisas que eu quero conquistar.

Dos sonhos que ainda irei realizar e das metas a atingir.

Quero a beleza dos dias quentes e do céu limpo da primavera, quero ser feliz, me manter ativa, realizar, construir e investir.

Tudo se ressignificou em mim e pra mim, tudo é mais leve e calmo como sempre foi, tudo vivo e claro.

Cansei de nhenhenhe e blábláblá.

Quero seguir, quero compor, quero sentir , sentir o perfume das flores e compor de novo um novo final.

Sendo assim, reabro a temporada das flores.

AE.29/08/2011-AE 

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Flor


Sinto-me como uma flor que desabrocha.
Estou aliviada, meu coração já consegue se alegrar.
Consigo perceber a beleza no que sempre a teve para mim - flores e pequenas coisas.
Tudo isso porque deixei de querer quem me fez tanto mal.
Agora feliz.


AE.25/08/2011

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Egoísta


Tive que ler que você não sabia do que eu sentia e por isso que as coisas chegaram onde chegaram e se as coisas acabassem por aqui ninguém mais se machucaria e todos poderiam seguir suas vidas em paz.
E eu? A única que se machucou e a única que perdeu a paz. É claro, isso nunca contou.


AE.19/08/2011-LF

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Acalmando e clareando.


Às vezes tento colocar algum lirismo nas coisas que eu escrevo, no entanto existem situações e pessoas que merecem tão somente a realidade.

Ontem eu não chorei e, hoje também não, mesmo que a dor ainda continue sendo uma constante. Talvez não seja só a dor, seja tristeza somada à decepção.

E em minhas fugas mentais às vezes eu penso no que ficou, o que restou de tudo isso em mim.

Lembro-me de ter te conhecido há um ano e meio atrás, e sem saber de sua vida dupla me apaixonei. Soube, não porque me contou, soube por mim mesma e, depois de tudo, sou capaz de afirmar que se eu não tivesse descoberto não teria sido você que haveria me contado. Com qual intenção fez isso não sei.

Já nesse tempo pedi que se afastasse, que me deixasse em paz. Mas de tempos em tempos você me procurava. Buscava-me de todas as formas. Até o dia em que eu quis te ouvir, dar atenção ao que falava, alguém que busca outra pessoa por um ano com tanta insistência não pode ser a toa.

E o sentimento que eu pensava não existir mais, estava apenas adormecido, você o acordou. Sempre me dizendo que eu era especial, que em todo esse tempo não tinha me esquecido. Eu permanecia retraída, tinha medo de você e do que eu ainda não sabia que havia dentro de mim.

Nos vimos duas vezes, e eu tentei não dar muito ouvido para as coisas que você falava, pois eu acreditava que se eu não deixasse o que você dizia entrar na minha cabeça talvez eu conseguisse verdadeiramente conhecer você.

Mas algo em você me chamou a atenção. Toda vez que nos falávamos ou estávamos perto você queria saber o que eu sentia e se eu gostava da forma como agia comigo. Sempre achei estranha toda essa especulação, pois nunca disse nada por medo, eu não conseguia confiar.

No mês em que ficamos afastados, você se aproximou ainda mais, com atitudes e palavras, dizia que estava com saudades e me queria perto. A partir daí eu não soube mais como agir, pois não mais eram só palavras, eram atitudes também.

Pensei talvez que o que você dissesse fosse sincero, já que eu sentia coisas parecidas, e para mim pareceu fazer sentindo. Mas às vezes eu ficava confusa, pois suas palavras não condiziam com a sua realidade dupla, mas ainda sim você às dizia sempre. Pensei que sendo assim, não era justo pesar seus sentimentos com a minha balança.

Nos vimos mais uma vez, mas dessa vez  para mim dessa foi diferente, eu senti você, não eram apenas palavras ou gestos, era o que eu via e a intimidade que eu sentia. Era bom te ter ali, era bom estar ali, rir com você, abraçar e beijar você enquanto conversávamos, mas mais uma vez quis acreditar que não era assim, que não era dessa forma, pois eu não podia, eu não devia gostar de você.


Eu não sabia o que fazer, não conseguia mais separar as coisas e então pedi que não me procurasse mais, mas você não parou. Foi então que eu comecei a perceber que havia algo errado, pois eu sentia sua falta, queria te ter por perto. Ouvir sua voz acalentava todo o caos que havia dentro de mim quando você não estava por perto.


Disse então que eu estava apaixonada por você e que muitas vezes não demonstramos fragilidade por medo e, também porque quando queremos ser fortes demais perdemos um pouco da fé e a vida um pouco do seu colorido, e então você me disse que eu estava começando a conhecer você.


Mas não consegui mais me aproximar, o toque doía, os beijos não tinham mais sabor e então chorei. E soube que o que você sente por mim é amizade e algo físico, e se eu perguntasse à você se você estava apaixonado por mim a sua resposta seria não.

Muitas coisas me passam pela cabeça e eu tento esquecer, deixar para lá, mas em alguns momentos algo dói e tudo volta e o que eu mais me pergunto é o por quê?

Por que perder tanto tempo nutrindo sentimentos em alguém que sabe sentir algo diferente de você?

Por que perder tanto tempo com alguém com quem você só quer passar o tempo?

Por que especular sentimentos e atitudes para revelá-los a você?

Por que retornar depois de tanto tempo se não era para ficar?

E ao me dizer que está vendo as coisas com outros olhos depois de ler o que eu escrevo - eu digo a você - acho que fui eu quem nunca quis ver o que realmente havia em você, o que hoje se torna claro e límpido como água para mim.

Seduzir para destruir? Qualquer semelhança com a realidade terá sido mera coincidência.

Cansativo né? Pois é, eu também cansei.

AE.18/08/2011-LF

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Tudo no seu normal e em mim dor.

Foto A. E. Castro

Assim que eu acordei já senti um sentimento estranho e logo me veio à consciência. Você não está mais aqui, talvez nunca estivesse estado.

Tudo em mim doía. Quanto mais eu observava a normalidade do mundo, mas eu sentia o entorpecimento da resignação. Tudo permanecia igual, tudo aparentemente estava em seu lugar. Os aviões no céu se preparando para pousar, as pessoas indo para seus empregos, o vento tocando as árvores e vez ou outra tocava um ipê rosa e fazia com que suas flores caíssem e, vez ou outra eu me perdia no cair de uma dessas flores, o desprendimento que não tem volta.

O sol enfim saiu, tocava tudo suavemente, os prédios da cidade que ainda estavam adormecidos, tocava as ruas que aos poucos iam se enchendo de pessoas e carros, mas esse mesmo sol não conseguia me aquecer.

Talvez um dia eu consiga deixar de pensar nas coisas que eu penso, nas coisas que aconteceram, e talvez um dia a dor diminua. Por hora não consigo e eu acho que vou continuar sentindo medo até que isso acabe.

Por mais que diga que não, para mim foi uma despedida, sei o que significa tudo o que você me disse, mas, por favor, não volte só para saber se eu estou bem e nem me observe aqui, não quero perder a autenticidade das minhas palavras.

Talvez um dia seja diferente, talvez um dia tudo não doa tanto assim, mas até lá lido apenas com o que eu tenho hoje - tenho que continuar.

AE.16/08/2011-LF

Serena


E então dissemos adeus. Peguei meu facho de luz e corri mentalmente para debaixo de uma árvore e abraçada a ele chorei, enquanto sua voz sumia no escuro do meu quarto.

Senti medo e fiquei com aquela sensação de que entendi e não sei o que eu entendi, mas me senti abraçando você, me senti ao seu lado e me senti inteira nesse momento, não quis pensar nos “ e se” que podem ou não vir, que podem ou não serem bons.

Sua voz se foi, mas meu corpo ainda sente as vibrações, sente calor, um calor sereno e inocente como de duas pessoas que deitam sobre cobertas em um gramado para contemplar uma noite de céu estrelado e sorriem, e se sentem acarinhados mesmo sem se tocar.

Voltei com meu facho de luz e com um sentimento bom, de paz.

Pensei - vou sentir saudades, mas é melhor que seja assim.

Coloquei o facho de luz na cama, me deitei ao seu lado e suspirei pensando – amanhã é outro dia.

AE.15/08/2011-LF


Essa música alimenta minha sensação de paz.

domingo, 14 de agosto de 2011

Sentimento torpe, pessoa leviana.


Hoje mais uma vez choro, choro na tentativa desesperada de diminuir o que há dentro de mim.

Um sentimento que cresceu, sem que eu pudesse impedir e que tomou conta de mim, um sentimento que foi friamente cultivado por alguém que nunca teve qualquer tipo de intenção de cuidar dele.

Palavras doces, porém falsas, atitudes calculadas e a displicência de quem vive na segurança de sua vida dupla.

Às vezes me pergunto o porquê de atitudes tão sórdidas. Como pode existir tanta frieza da parte de alguém que sabe o que está fazendo à outra pessoa, negligenciando todo o sofrimento que pode ser causado na vida de alguém que tem planos e sonhos. 

Lutei contra esse sentimento o quanto e como pude e, o fato de agora ter que superar isso não altera o que eu penso de atitudes assim - uma das maiores covardias – pessoa que a todo custo procura alguém que sabe ter sentimentos sinceros por ela com atitudes, palavras e gestos para estimular ainda mais o sentimento na outra pessoa, para que esse alguém não o esqueça, para que esse alguém esteja ali para quando achar necessário ou para aliviar uma necessidade, seja lá do que for. E ainda se sente justificado pelo fato de em algum momento você ter sentido algo bom, pois é capaz de dizer: “Sei que para você também foi bom”.

Por muito tempo eu disse não, mas a insistência me cercava de todos os lados, sempre sabendo como burlar o não, como tocar os sentimento e trazê-los à tona.

Me perdi, perdi as forças para lutar contra e me deixei levar, mas os toques duplos ferem a alma, o alívio da necessidade desse alguém afrontam suas vontades e em algum momento você ainda pensa que a culpa é sua por ser fraca, mas ao lembrar de todo o período de nãos ditos, percebe o quão fria é essa pessoa, sabendo que é mais fácil para quem não sente se afastar do que para quem sente continuar negando as investidas. Mas esse alguém como quem busca uma vitória prazerosa e pessoal continua, esse alguém que já tem outro alguém não se satisfaz e ainda acredita não ter culpa caso você venha chorar. Leviano, leviano, leviano.

Meus dias estão nublados e o colorido das flores ofuscado com tamanha maldade, conquistar alguém apenas por conquistar, manter esse alguém por perto só para emergências de sua alma ou vida descontente.

Não quero dó, ou qualquer sentimento complacente, é apenas um desabafo de quem ainda estranha condutas como estas nos dias de hoje, onde vemos sentimentos e atitudes distorcidas em tantas pessoas, isso não deveria ser uma surpresa para mim.

Mas hoje apesar de ainda estar triste e temer as noites de Sábados quando alguém sai e fecha a porta sem se importar com o que acontecerá atrás dela e segue para sua noite feliz com outro alguém que também é enganado.

De certa forma me sinto mais aliviada por saber que não mais conseguirá contato comigo, pois fechei as portas por onde você poderia entrar com sua bagagem de mentiras. 

Fechei todas menos esta, por julgar não ser justo comigo fechar também a porta por onde toco e sinto minhas flores, que me ajudam curar a ferida que você abriu em meu peito, pois, ainda sim, consigo estar aqui e escrever como em todo esse tempo, única e exclusivamente com o mesmo propósito aliviar minha alma.

AE.14/08/2011-LF

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Devaneios em fragmentos


Sinto uma saudade física.
Meus pensamentos são ocupados pela rotina, mas em meu peito algo dói.
Tento esquecer, mas meu corpo não deixa e, nesse momento, minha razão querendo acalentar meu coração diz: "Calma, que vai passar".
AE.27/07/2011-LF

Às vezes me pego pensando em você e me surpreendo com a sensação de presença que as lembranças me fazem sentir. Mas logo depois vem o frio, o frio de um sentimento que existe inadequadamente.
Sinto sua falta, mas não devo, pois não posso ter você.
AE.28/07/2011-LF

Eu fico olhando para você, horas e horas, meu coração se acalma e eu quase consigo te sentir.
Me desencontrei quando te encontrei e tive para mim que desencontrar tem cheiro, tem sabor. E eu sinto que o que ficou de você em mim, talvez seja o suficiente para suportar a ausência até que chegue o dia em que eu consiga te esquecer.
E talvez só assim o cheiro se dissipe e o gosto se dilua no amargo da distância sem que o meu coração possa saber o que houve com a gente, se é que houve. O que há em mim eu sei, é forte, é real, mas em você não sei, nunca soube, sequer saberei até mesmo se de fato algo houve.
Hoje tenho outra companhia, a saudade, que me diz tantas coisas, coisas que você não disse e em outras vezes coisas que machucam, coisas de sentimentos frívolos e levianos que talvez tenham sido uma constante nesse período.
Não sei o que dói mais, o toque duplo ou a saudade física que continua a me acompanhar.
Tudo tão errado e tão sentido, sinto tanto que quase vejo você em minha frente vindo me abraçar dizendo que tudo começa agora, sem esconde, sem mentiras e sem enganos.
É difícil deixar ir ou partir, quando mesmo sem saber porquê o coração ainda acredita em algo bom, por mais impossível que seja.
AE. 29/07/2011-LF

Eu gosto de você de querer ficar junto, de querer ficar perto.
Eu gosto de te querer pra mim, de te querer em mim, de te querer comigo.
Eu gosto de você de querer fazer planos, de querer construir, de querer transpor.
Eu gosto de você de longas conversas, de carinhos nas costas, de aconchego embaixo do cobertor.
Eu gosto de você talvez sem nem mesmo saber medir, talvez apenas de gostar, isso não se pode e ninguém consegue explicar.
AE. 30/07/2011-LF


terça-feira, 2 de agosto de 2011

Refletindo


Às vezes olho-me no espelho e me surpreendo ao reconhecer externamente o que lapido por dentro, e o que eu vejo me agrada.  E nesse processo, passo boa parte do meu tempo olhando internamente, para o meu mundo, e algumas vezes me esqueço que sou alguém que possui um rosto, uma identidade como todas as pessoas.

Embora, delicadeza e paciência nunca tenham sido meu forte, sou capaz de reconhecer um amigo ou alguém próximo a mim pela feição trazida em seu rosto e quase consigo sentir o que sentem pelo que expressam em seus olhos.

No entanto, outras pessoas já dizem a que vem pela forma como agem, os olhos sempre as entregam, a malícia salta por eles e quase nos invade, e isso reconhecemos logo no início. Não convém dizer a eles, pois pode ser que se aprenda alguma coisa antes que a pessoa torne isso explícito como quem diz - surpresa! E ai você olha e diz - não há novidade nenhuma no que me revela.

Há também aquelas pessoas que fazem isso para trazer algum conforto para suas vidas, perdendo tempo e energia, testando a si próprios e aos outros, tentando um sim de quem lhes diz não. E com esses percebi que mostrando querer enfim conseguimos deixar de ser quistos, isso alivia, pois com o bem, afastamos o mal.

O mais importante nisso tudo para mim é me permitir ser e me sentir como ser humano que sou e que às vezes erra e em outras acerta, que confunde o caminho e depois se encontra, que se fecha e se abre para o mundo e para as pessoas.

E depois de toda turbulência posso enfim curtir a mansidão de águas calmas, após definir quais direções tomar, consigo olhar e ver as pessoas que me esperam no cais, com suas feições familiares e seus sorrisos que aquecem até o mais frio mundo que às vezes há dentro de nós e faz com que pensemos que a areia que está perto e reluz ao sol é mais firme que a rocha que nos sustentou até aqui.

AE.30/07/2011-LF

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário. Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas Se achar que precisa voltar, volte!  Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente. Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a. Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!

Fernando pessoa