quarta-feira, 4 de julho de 2012

Saudades de lá

                                                                                               Foto A.E. Castro

Enfim desabrocho e apareço como flor. Quero revelar belezas e agruras que me cercam.
Quero dividir nesse ínfimo momento da minha vida a vontade tão “as flores e eu” que há em mim.

Ressurjo... Geograficamente distante. Saudosa e contrastante entre os desafios das minhas escolhas e a liberdade de ter podido escolher.

Com o tempo percebo o peso que o tempo tem – tanto para amenizar quanto para intensificar o que há em nós.

Lembro-me de mim, me descobrindo, me revelando, num simples ato de andar por entre os quarteirões daquela avenida forrada de flores roxas de alguma espécie de Tabebuia.
Recordo de primeiras vezes de tantas coisas, de todos os sentidos atentos a tudo. Pessoas, passagens, idas e vindas. Saudades...

Tenho medo de sentir na minha alma que preciso voltar, sinto saudade daquele eu, tão eu, tão marcante e intensa, tão ocasião e oportunidade, tão sonho e realização. Quero-me lá aqui, incompreensível talvez, mas a mais pura verdade, me encontrei lá e sinto saudade de mim, das raízes ambulantes que lá deixei em todas as pessoas que passaram por mim. Minha alma é de lá assim como meu corpo é daqui, fisicamente impossível de o ser, dois corpos não ocupam o mesmo lugar, tão pouco um corpo ocupa dois lugares, uma impossível dissociação entre o que sou somado a tudo que fui.

Apego-me em qualquer resquício de recordação para encontrar e nunca esquecer as sensações mínimas que hoje são de grandes proporções, vento sobre a pele e raios de sol nas manhãs, da mesma forma que estes acarinham e iluminam as pétalas de uma flor recém desabrochada, tão certo como alguém que acaba de se descobrir nas lembranças de sua maior liberdade, nas lembranças de todos aqueles que emolduraram todos os momentos que hoje trago como quadros nas paredes da minha memória. E confesso, ás vezes chego, me tranco em mim e quero observar cada um deles por horas e horas e nunca o faço. Por quê? Eu sei a resposta, acabo de saber e não consigo compartilhar.

Dias de chuva, de frio e de sol, noite de longas conversas ou curtindo a minha própria companhia.  Poluição, correria, intensidades. Tudo expresso em lágrimas ou em risos de coisas cotidianas...

Saudades, saudades, saudades.

AE.04/07/2012-SP