segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Parei de escrever quando parei de viver.


Percebo agora que este movimento ocorreu aos poucos, de forma quase imperceptível, mas de fácil constatação agora.

Tudo ao me redor se move, até mesmo em minha vida, mas, no entanto eu me sinto estagnada, como os sentimentos encrustados dentro de mim. Água de represa quase sem oxigênio.

Não tenho histórias para contar, eu as sinto, mas não as vivo, presa por correntes que eu insisto em arrastar.

Tanto tempo usei para levantar muros - de medo e insegurança - cada vez mais altos entre tudo ao meu redor que me sinto confortável na grande maioria do tempo com esta estabilidade que eu criei, e quando o que me move me impele a escrever, sou superficial e não raras vezes artificial.

E neste instante, pergunto-me: Onde foi que eu me perdi? Será que nos momentos de decisão e incerteza tenha percebido que por trás dessa minha armadura há alguém frágil, sensível que na pressa de cessar o mal seguiu pela direita ao invés de ir pela esquerda ou vice-versa?

Exijo tanto de mim e sempre me percebo falhando com os outros e até mesmo comigo. Será que todo mundo sabe o que fazer? Será que a maioria das pessoas domina sua vida e consegue agir coerentemente com o que sente? Enquanto eu me sinto tateando, sozinha em um quarto escuro do qual desconheço a disposição dos móveis, totalmente perdida que prefere se sentar em algum lugar confortável quando deviria perder o medo de bater a canela ou chutar alguma mobília, quando deveria levantar e continuar até que possa encontrar a saída.

Sinto medo, mas isso não deveria servir de cimento para que eu inclua mais tijolos em meus muros, deveria ser mais um degrau de coragem para que eu possa subir e olhar além dos meus limites, mas não consigo, me sinto desestimulada e sem saber ao certo o que fazer. Tão acostumada a estar sozinha que de tanto observar consigo identificar esse mecanismo, como um alçapão que prende o passarinho... Ao menor sinal de movimento a porta se fecha e tudo trava, deixa de fluir.

Não é fácil assumir-se vulnerável mesmo depois de construir muros tão altos. Quero ser água limpa em movimento, preciso me oxigenar, e na fragilidade dos meus medos assumo entre as frestas da minha muralha e vestida com a minha armadura: eu sinto medo, tanto medo e não sei o que fazer.


AE. 30/12/2013

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013


Hoje ao acordar, li o texto abaixo, me senti mal, e suas palavras reverberaram em mim. Não porque eu as merecesse ouvir, não sei, mas porque eu as sinto e não fui capaz de expressá-las. Coração oco, profundo sem fim, um fim de quase tudo, não apenas dessa angústia.

Sofrimento comedido e sereno. Tão pobre, não possui mais nem palavras, apenas faz com que eu me reconheça no que eu gostaria de ter dito e não fui capaz.  Não há maior pobreza do que aquela que se perde na alma. Acho que eu perdi o jeito de saber de mim ao perder você. Você? Mas quem é você? 

Quando ia me dizer, foi quando se foi.

Rio manso não luta contra o curso do leito, as águas passam pra não mais voltar.

Eu que tinha a força do mundo dentro de mim e acreditava a cada dia, hoje não a tenho mais, não te sinto, se foi e fim.

AE.11/12/13 – RA

“O amor parece ter nascido aqui nesse leito sereno para depois morrer confuso, ali, no seu peito ausente. Talvez nada lhe falte e até sobre verdade sobre a mesa do jantar que não jantamos ontem. Talvez até sobre um recado no bolso do paletó, que diz que a paixão é um pequeno pecado doido para ser perdoado. Eu perdoei loucamente todos os seus pecados: um por um, dores por dores, sentimentos por sentimentos. Talvez ainda reste um resto de eu te amo enrolado neste guardanapo que roubei do balcão do meu bar predileto… Na gaiola invisível ainda ouço a liberdade se prender ao canto do curió – meu pássaro favorito! Curiosos são aqueles que querem a verdade, o que eu quero é ver, rever, berrar: reverberar!

Ainda me lembro do dia em que dissemos: seremos felizes até que a poesia nos repare. Primeiro, você riu, eu gargalhei e nós casamos. Depois, eu li, você ouviu e, nus, transamos. Por fim, eu lembrei, você se esqueceu e nós cansamos. Hoje, ainda que me falte você, nunca me faltará poesia. Um poema é o próprio abandono descrito em versos, diversas vezes. É o poeta em estado onírico implorando em rimas, alexandrinos, decassílabos decadentes: “Volta para mim, palavra bonita. Volta!”. Seu mundo sempre foi confuso, uma mistura moderna de Garcia Márquez com qualquer pintura de Velásquez. Você só parece amar quem pisoteia nos seus sonhos, quem tapa os seus sorrisos com lágrimas, quem lhe abandona sem roupa, sem mundo, sem beijo. Veja só: As Meninas na corte do rei parecem cortejar o seu coração. Corta a cena: seu azar foi ter vivido Cem anos de Solidão em uma única relação. Talvez por isso nada lhe emocione mais: nem o piano que toca algumas notas de jazz, nem o coração em guerra que, no peito, hasteia uma bandeira de paz. Talvez por isso nada lhe interesse mais: nem as cartas nem as caras de amor. Todas elas são ridículas, já dizia o poeta, todas elas são partículas de sentimento que não insiste mais… Contudo ainda me pego algumas vezes tateando uma sombra incompreensível que fala e que fuma e que finge estar viva. Só finge! Uma sombra precisa de luz para ser viva. Um amor precisa de vida para reluzir. Eu preciso de ambos para existir.

Agora podemos ir, dobrar uma esquina qualquer, reconhecer que a vida tem seus tropeços, seus problemas e seus soluços. E soluços nada mais são do que palavras que morreram engasgadas na vontade de dizer. O tempo dirá, o remorso roerá, o cigarro apagará e eu tenho a mais absoluta certeza que outra beleza menos confusa e mais Clara amanhecerá no meu mundo para me amar como eu não te amei.

E se você foi covarde, tudo bem… Todo mundo tem suas fraquezas. Nem todo mundo aguenta ser feliz. Eu também preciso de uma Trégua…

Fique com seus romances latinos;

Eu versifico com os meus poemas batidos:

O amor é bem mais do que isso… O amor é bem mais do que tudo isso”.

[o amor é bem mais do que isso; antônio]

terça-feira, 3 de dezembro de 2013


Pensei que a inspiração tinha se escondido por conta do casamento, das provas de final de semestre, da rotina incessante de trabalho, mas não, ainda não a sinto aqui, e dentro de mim o caos.
Acho que eu estou perdendo o tino de expressar o que há em mim, endurecendo feito pedra e esfriando como gelo.
Tudo no seu lugar, mas eu sinto aqui, dentro de mim essa urgência descabida de quem precisa fazer o mundo saber... Não consigo mais tocar, talvez seja isso, perdi a habilidade do toque.
Primavera sem flor.

AE.03/12/2013

domingo, 3 de novembro de 2013


"Toda saudade é a presença da ausência de alguém, de algum lugar, de algo enfim. Súbito o não toma forma de sim como se a escuridão se pusesse a luzir. Da própria ausência de luz o clarão se produz, o sol na solidão. Toda saudade é um capuz transparente que veda e ao mesmo tempo traz a visão do que não se pode ver porque se deixou pra trás mas que se guardou no coração".

(Gilberto Gil)

Há um ano atrás...

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Certezas incertas


Sabe o que me faz sorrir e me alivia? As certezas que eu trago comigo.
E a mais evidente delas é o fato de que nada nessa vida é exato.
Um desabrochar precoce ou quando já se achava não mais ser possível, um fruto cair antes de madurar e mesmo vistoso não ser suculento. É quando é primavera dentro de mim mesmo quando fora algumas coisas indicam que ainda é outono.
Contemple a vida, as pequenas e sublimes coisas com a certeza de que nada é certo e tudo pode acontecer.

AE.01/10/2013-AE.

domingo, 29 de setembro de 2013

Às vezes eu sinto saudade...
Sinto saudade de alguém que eu conheci há muito tempo atrás, mas talvez não tenha sabido quem é na realidade, afinal, quem realmente é capaz de reconhecer a si no todo?
Deve ser bom seguir a vida acima do bem e do mal, sem nunca ter errado na vida e espreitando da janela que antes foi fechada e agora ainda que aberta só para ver passar.
Muitos diriam que é para que eu sofra, para que eu tenha o contato e este constantemente silenciado... O silêncio é ouro... Um fortuna sem valor acumulada no decorrer dos anos.
Eu sei apenas que alguém que sente tanto quanto dito não desaparece batendo a porta e depois a reabre só para ignorar...

AE.29/09/13-RA

sábado, 28 de setembro de 2013



Eu pensei um pouco esses dias no tempo que me foi possível. Foi triste ler você confirmar que não gosta de mim, não se importa comigo e não me quer por perto de forma alguma, e que enfim  todas as suas ausências e silêncios nada mais eram que desprezo, e tudo isso foi dito tão sutilmente - "esperava que tudo isso já tivesse sido entendido". 
Em todo esse tempo eu esperei o dia em que sentaríamos e você me contasse todas as suas verdades e inocente eu acreditei que isso aconteceria na certeza de que seja lá o que fosse eu seria capaz de perdoar, e esse dia nunca chegou e nem chegará, apenas se foi, e há bem poucos dias disse que tinha planos de me falar tudo que precisava ser dito e que queria que fosse o fomos quando estivemos juntos, e que eu confiasse em você se eu pudesse, como em tantas outras vezes, mas não cabe a mim questionar suas motivações.
 Eu lamento muito, lamento ter perdido tanto tempo, ter chorado tanto,  esquecido do brilho de alguns dias e eu inocente, sempre esperando que você seria quem eu de verdade acreditei que você era e que poderíamos fazer tudo aquilo que você já me disse, mas enfim, como me disse o que eu penso não importa, isso se é que algum dia importou.
Mas levo comigo a certeza de que um dia você terá deixado de ser quem foi para mim.
Vida que segue.

AE.28/09/2013-RA

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Deixar um amor partir deve ser um dom dado a poucos por tamanha dor que se sente no peito, mas certamente doeria mais ver a infelicidade desta outra pessoa. Eu aceito, sempre deixei que fizesse o que escolheu mesmo sem nem mesmo saber ao certo o que se passa em você e ao seu redor.
Mas o amor às vezes se conforma com a resignação dos que apenas sentem passivamente, já que nada pode ser mudado. "A relva persiste mesmo sem cuidarmos dela".
Eu vou, como sempre, em todo esse tempo, com seu silêncio e com uma enorme dor no peito, mas vai passar, afinal sempre passa.

AE.24/09/13-RA

segunda-feira, 23 de setembro de 2013


Às vezes eu me pergunto - qual parte que eu não entendi?
Se o que completava cada palavra minha, fazia planos pensando nos detalhes, das conversas de horas e da certeza de ser você ou a que me ignorava, da ausência dos e-mails que eu mandei onde eu pedia - "que se você não fosse quem eu pensava me que falava de sentimentos e planos, que então não voltasse, que uma hora você ia deixar te ter algum significado para mim".
Mesmo você não respondendo eu insistindo, acreditando que só não respondeu por estar chateado. Te liguei e não obtive sucesso. E foi nesse dia que eu pude enfim acreditar que alguém que desfaz de outra pessoa de tantas formas, por tanto tempo, que eventualmente aparece se mostrando disponível e já no outro dia some, e nem se dá ao trabalho de proferir uma resposta, que alguém a quem inspirou tantos textos meus em sua maioria com os mesmos assuntos - distância e silêncio - não pode ser quem diz ser, não pode sentir o que diz sentir.
E eu realmente gostaria que não fizesse diferença, que fosse só uma reflexão clichê - "nem tudo que reluz é outro". Talvez tenha sido isto, me ofusquei com o seu brilho que me cegava e não me permitia chegar mais perto, me afastava por já saber que era falso ou por poder diminuir suas misérias se pintando para alguém que conseguia ver o que talvez existisse de melhor em você. Mas, como me disse, a minha opinião a seu respeito não importa e acredito que nunca importou, sempre apontando o dedo para mim, julgando-me do seu pedestal como a pessoa mais ocupada e equilibrada do mundo. E foi de lá que na primeira oportunidade viu justificado o seu silêncio, ao me culpar, sequer foi capaz de perguntar e tentar entender o que aconteceu, recolheu todas as coisas que disse, incluindo seus planos e metas para nós e se foi, você se foi e ponto, depois de anos dos mesmo assuntos, incapaz de ter alguma atitude se de fato quisesse. Mas nem tudo foi ruim, eu me construí, me dediquei, estive disponível todos esses anos, eu esperei você.
Sei que sou melhor do que eu era antes, profissionalmente também, mas acima de tudo como pessoa, e o sou por acreditar que de fato você existia. Aprendi muitas coisas confiando que chegaria o dia que enfim poderíamos ser melhores juntos, mas isso não aconteceu e eu lamento, pois sei de cada uma das coisas que eu admirei em você. E mesmo não sabendo quem você é eu sou grata de coração por saber que quem eu sou e eu fui melhor através de você e eu fico triste por saber que eu sempre esperei o melhor de você.

AE.23/09/2013-RA

domingo, 22 de setembro de 2013

E assim foi... Se foi.



Aos poucos eu fui deixando, fui me deixando, esquecendo o que eu queria, o que eu precisava e passei a me submeter. Hoje vejo isso com clareza.
Respeitava seus horários, seus silêncios, mas não me respeitava.
Valorizava sua inteligência seus compromissos, mas deixava de dar valor ao que eu construía em minha própria vida.
Eu deixava qualquer coisa para estar perto, para trocar coisas com você. Mas acho que eu me tornei disponível demais, interessada demais e não consegui perceber que todas as vezes que me deixou falando sozinha ou me ignorou era porque não havia nada a ser dito.
Eu construí dentro de mim um mundo para você, fui o melhor que eu pude para estar com você e hoje eu entendo – se até eu me abandonei porque você haveria de estar perto.
Pensei que o amor era uma força que nos movia, que fazia com que quiséssemos ser melhores, que de fato seríamos melhores. Algo que aquece o peito e ilumina o olhar numa vontade permanente de estar junto, de fazer junto, de construir junto. Mas me enganei, não em relação ao amor, mas talvez tenha me enganado na medida em que eu o entreguei. Sempre tão disponível e abnegado.
Eu queria ser igual a você, queria ser melhor do que eu era só para ter coisas tão sérias e importantes quanto as que você tinha para me contar – sua faculdade, seus trabalhos, suas aulas particulares, o trânsito e seu conhecimento acerca de tudo. Isso me fascinava, eu te admirava e achava que eu poderia me tornar mais interessante, assim como você era para mim, mas eu falhei.
Hoje eu faço faculdade, trabalho a tarde e dou aulas todas as noites, enfrento trânsito, rodovia (já que eu estudo em outra cidade) e sei de algumas coisas, não de tudo. Falhei, pois não consigo ser fria e indiferente, não consigo dizer e não realizar, não consigo amar e não querer perto, não buscar estar perto e não dividir. Talvez você também não consiga quando sente estas coisas por alguém. Desculpe-me por falar assim, sei que não gosta, mas infelizmente eu não sinto diferente depois da forma como me tratou.
Eu nunca entendi, talvez porque que nunca quis ver, talvez eu tenha feito realmente muita coisa errada quando me deixava em silêncio por dias ou me ignorava depois de ter feito planos. Talvez eu seja realmente a instintiva e primitiva, e não tenha sabido reagir às coisas que você fazia deixando de fazer, realmente eu não sei, não sei disso e de muitas outras coisas.
Não sei o porquê depois de todo esse tempo, depois de tudo eu consiga me lembrar de detalhes – da sua blusa marrom de manga comprida, da sua calça jeans, mochila preta e da rosa vermelha com trigo que me deu no nosso primeiro encontro e da forma como me pediu um abraço antes de nos despedirmos, mas acima de tudo, lembro-me da certeza de que eu tinha de que era você.
Das nossas longas conversas de conteúdo ou não, e de como éramos bons juntos.
Não me esqueço das flores coloridas da segunda vez, da sua calça palha, sua blusa listrada com vermelho, a forma como cruzava a perna para ficar de frente para mim, de como tudo parecia estar em seu lugar e a certeza que aumentava a cada segundo - de todos os lugares e pessoas no mundo, era ali e com você que eu escolheria estar.
Lembro-me de nós entrando no elevador e o seu corpo se aproximando do meu, e ele, inteiro respondia a você. Sua mão acariciando o meu ombro e me levando para perto de você quando falou no meu ouvido entre meus cabelos. Não consigo me lembrar sem me emocionar, eu lutei para perder cada uma dessas lembranças, mas nisso também eu falhei.
Tudo aconteceu tão rápido que sinto como se tivesse sido um sonho e eu acordei, acordei sozinha, tendo que ir para a faculdade, para o trabalho, dar aulas e aprender sobre algumas coisas, mas de algumas eu nunca saberei. Mas sou melhor e todas as coisas que eu faço hoje são coisas que eu gosto e que me fazem muito feliz.
E isso é o que se passou para mim, são minhas sensações e impressões do que eu vivi depois que eu te conheci, e infelizmente não é o que ficou. Não queria que tivesse sido da forma que foi, eu havia dito que tinha medo, pedi para que ficasse perto e novamente silêncio. Talvez não saiba o que é isso, pois eu nunca fiz isso com você.
Talvez todas as coisas que eu não quis ver fizessem sentido, talvez o que leu possa ser verdade, não sei. Julgou-me e condenou por coisas que eu não fiz, o que sempre pediu que eu não fizesse e eu não acho justo, mas também o que é que eu tenho que achar depois de você já ter decidido.
Hoje eu sinto muitas coisas aqui dentro de mim, sinto saudades dos momentos em que estivemos juntos e lamento por não termos conversado sobre tudo isso, algo tão forte e bonito que acabou assim.
Sinto-me infantil ao relembrar essas coisas, ao escrever sobre essa história e coisas que eu não sei, da contradição de atos e palavras.
Mas fiz a minha parte, tentei conversar, eu escrevi para você, pedi para que não se afastasse a menos que você não fosse quem eu pensei quem você era, e você não voltou. Não posso viver uma vida inteira justificando atos que sempre me deixaram a margem. Por isso encerro aqui esta história com meu último post no lugar aonde tantas vezes vim por não encontrar você. Preciso voltar para mim.

AE.22/09/13-RA


"Enquanto não encerramos um capítulo, não podemos partir para o próximo. Por isso é tão importante deixar certas coisas irem embora, soltar, desprender-se. As pessoas precisam entender que ninguém está jogando com cartas marcadas, às vezes ganhamos e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é".

(Fernando Pessoa)

domingo, 15 de setembro de 2013

Eu sempre vou amar você.



Eu me lembro como se fosse hoje, calça bege, blusa listrada. Seu primeiro abraço, nosso segundo, me pegou de surpresa e foi tão bom, eu te senti, você era real, assim como todo o sentimento que sempre houve em mim.
Eu olhava para você, olhava dentro dos seus olhos e era lá que eu sempre quis estar, era lá que eu passaria a minha vida inteira.
Em suas mãos havia flores. Desastradamente charmoso inebriantemente desastrado, o meu coração escolheu você e é uma pena que ele esteja dentro de mim, assim não pode mais ficar com você.
Você me tocou, e dessa vez não foi com palavras, falou em meu ouvido, meu corpo todo reagiu a você, parece que eu havia nascido para viver aquele momento, o mundo parou naquele instante, no instante em que éramos nós e foi tão bom era exatamente como eu sabia que seria. Eu sempre amei você com tudo que eu sou.
Muitas coisas não pudemos ser, em muitos momentos eu não soube lidar, mas o amor esse sim não há como mudar, é eterno em si ainda na hora de dizer adeus.
Você se foi, e sinto aqui dentro agora que tudo realmente acabou e me sinto em paz pela certeza de não mais nos magoaremos e isso me alivia. Não falo pelas circunstâncias, não falo pelas reações que tivemos um em relação ao outro, falo pela certeza que há em mim que mora nesse sentimento que é livre e surreal.
E ainda no fim a gratidão me toma, sou grata por amar tanto e saber que em algum lugar do mundo você existe, que é real e já me abraçou como quem queria que eu ficasse.
Nunca serei capaz de esquecer quem você foi e sempre será para mim.
Despeço-me, mesmo sabendo que nunca deixarei de amar você.

AE.15/09/2013-RA

segunda-feira, 19 de agosto de 2013


Mesmo envolvida em outros projetos e com a agenda lotada até as tampas, sinto falta daqui, de respirar esse ar onde há tanto de mim.
E embora eu não venha, estou com elas por onde passo, vejo as inflorescências globosas dos ipês rosas, enquanto alguns apressadinhos amarelam a paisagem e, os ainda calmos, ipês brancos aguardam sua vez, ao ponto que suas folhas se desprendem de seus caules pelos ventos do mês de Agosto sob o céu azul e limpo .
Eu aguardo, e aprecio com serenidade cada uma das belezas que os dias reservam, afinal todos os dias podemos escolher como reagiremos a vida, ao mundo e as pessoas que nos tocam, e então, na grande maioria dos dias eu escolho estar em paz e tocar de forma positiva àqueles que passam por mim.
Outono florido como primavera.

AE.19/08/2013

terça-feira, 30 de julho de 2013


Satisfação de estar onde se deve, paz de se fazer o que tem que ser feito e felicidade por constatar a serenidade que há quando se reconhece que está criando raízes fortes e profundas.
AE.30/07/2013

quarta-feira, 17 de julho de 2013


As pessoas são para nós o que elas são ou o que nos tornamos através delas? 
AE.17/07/2013

quarta-feira, 19 de junho de 2013


E eu te digo: o mundo é pequeno demais para o tamanho das mentiras que contou. A verdade cedo ou tarde aparece. Foi o que aconteceu.

AE.19/06/2013

domingo, 9 de junho de 2013


Para que o amor permaneça ele precisa diariamente ser construído, moldado, lapidado. Assim como nós e não apenas a mim. Construir juntos significa em igualdade não o imaculado e confiável no seu pedestal apontando e tratando o outro como marionete cega e surda sem senso crítico próprio.
Você já parou para pensar que aos meus olhos  talvez você não seja tão perfeito e digno de confiança quanto pensas que é?!
Não adianta ainda ter o que dizer - paredes não são erguidas sem alicerce, sementes não germinam em solo infértil - é preciso atitude.
Para que se siga por algum caminho, antes primeiro precisa-se decidir que rumo tomar, seguindo na mesma direção ou em direção opostas e com a certeza de que independentemente do caminho que se siga de alguma forma se pode ser feliz e seguir juntos.

AE.09/06/2013

sexta-feira, 7 de junho de 2013


Eu acho bonito quem é capaz de amar pelo que é através do sentimento por outro alguém.
Acho sublime quando eu vejo empenho em palavras, mas, sobretudo em atitudes que são capazes de revelar e fazer crer no que se traz na alma.
Não é necessário rótulo algum, o que o torna real é o comprometimento que vai além, pois ele não é somente com a outra pessoa, mas sobre tudo consigo mesmo, embasado apenas pela força do sentimento verdadeiro que há em si. Algo que muda a ti, ao outro e o mundo. Nada mais é igual, tudo tem outra cor, outro brilho, até mesmo a tristeza ou desânimo que em alguns momentos encontram energia no que há em você e se restauram.
Duas pessoas, muitas vezes perto, talvez, nem sempre ou até mesmo nunca perto... Sempre com objetivo de crescer e ao longo da travessia dividir seja lá o que for para estar junto e de alguma forma conhecer o que há na essência um do outro até que tudo possa ser como se quis... Fortes e unidos.
Eu vejo isso acontecendo, e vez ou outra me emociono por saber que no mundo existem pessoas que não se perdem em brevidades, que acreditam no que há de maior e mais gratificante, em um sentimento que é capaz de transcender aos percalços e ainda fazer acreditar que acima de tudo o que se sente pode ser vivido da forma única pela qual dois corações se reconhecem.

Poucos os que identificam o amor, e raros são aqueles que têm coragem e disposição para vivê-lo.

AE.07/06/2013

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Coisas que eu só tenho coragem de contar a mim mesma.




Hoje eu te vi, no último instante antes de você subir na escada rolante.
Te vi de relance arrumando o cabelo. Óculos escuros, mochila, calça e blusa pretas, um corvo que veio voando e me causou ânsia, quis involuntariamente nesse momento colocar tudo para fora, sentimento, essa história e você. Mas não pude, não houve como, não pude escolher, assim como não tive a chance e nem o direito de te pedir para ficar.
Você subindo e eu passando, calça jeans, blusa branca e mochila amarela, um pouco mais de cor, diferente de você não escondia meu rosto, cansado e perturbado.
Tanta coisa mudou desde a última vez, exatos 120 dias.
As pessoas com quem moro não mais estarão comigo, decidi encontrar outras, encontrei, tudo certo, combinado, planejado. Mas algo clama em mim, essa inquietude e essa necessidade ambígua de ter quem eu amo perto e de estar na solidão da capital, na cidade mais movimentada desse país.
Comecei a pensar em voltar, troquei uma idéia aqui e outra ali, e tudo se arranjou como se ao desejar, de imediato já tivesse decido, e ao decidir, de imediato realizar.
Não posso querer-te aqui, não me permito a isso, coisa demais para esquecer e deixar para trás.
Te vejo hoje, em um dia não tão bom, em um dia de cansaço, rosto abatido e confusão em mim.
Quero ir, quero ficar, quero almoço de domingo em família quero a liberdade inspiradora dessa cidade.
Te quis, talvez te quero e o seu querer se foi quando soube disso. Você quis não querendo e se foi quando eu parti. Você se foi e o acaso hoje te colocou em minha frente arrumando o cabelo ao subir a escada, te colocou na minha frente todo de preto, tão escuro como a onda que me leva e tira de mim a intensidade.
Vou indo, levada pelos acontecimentos na serenidade e aceitação de quem entende que há momentos alegres e tristes, mas dentro de mim, onde quer eu vá haverá esse saber de que o que é aqui, será lá e em qualquer lugar. Uma vontade de colocar para fora em contraste com a inércia do mundo externo o meu caos interno. Ambíguos, antônimos. Dois mundos separados apenas pela minha pele. Vontade de romper essa barreira e sentir a liberdade, e a paz de ver tudo ali estirado ao chão, se misturando, uma alquimia mundana na calma de não sentir necessidade de ouvir essa voz ponderada com ar de responsável que habita em mim querendo que eu siga algumas convenções que cresci achando que eram certas, que amadureci acreditando que era o que eu precisava fazer, mas quero irromper, ultrapassar, transpor, transcender, estar em mim e realizar o que eu desejo o alívio externado quando eu escrevo.
Eu sabia que você estava ali. Mas não olhei para trás, não quis saber se também me viu, se me olhava, te deixei subir da mesma forma que te vi partir, passiva e resignada.
Em mim encontro ânsias ambíguas e involuntárias. A fisiológica de colocar tudo para fora e a emocional de te querer perto em uma realidade que não é a que houve e nem a que há.
Te vi subir, de preto, óculos escuros e arrumando o cabelo.

AE.15/11/2013-LF

domingo, 19 de maio de 2013


Foto: A. E. Castro
Música: The one that got away - Katy Perry

O que escrever quando tudo está instável, quando ainda não se tem uma rotina.
Tenho estado introspectiva esses dias, um tanto quanto superficial.
Pensamentos passam e lembranças se vão.
Quero guardar todas, imortalizá-las em minha mente e vez em quando trazê-las à tona.
Armazenar dentro de mim o que foi vivido, gavetas organizadas por fases, não por anos - estes revelam a convenção temporal que há no mundo, não o meu período funcional, não o que foi vivido por mim, os ciclos da minha vida.
 Em cada gaveta eu colocaria cheiros, sensações, gostos e os rostos que compuseram cada fase – guardaria também os silêncios que foram necessários para que tudo se compactasse e se conservasse em mim, na ânsia que cada detalhe se imortalizasse naquilo que é mortal.
Gavetas de uma vida inteira, que se abrem quando chegamos para iniciar um ciclo novo, enquanto outros ainda estão abertos, da mesma forma que se fecham, no tempo que as coisas tem por si só, na dinâmica pulsante do que se é.
Ciclos que se encontram e se entrelaçam, ciclos que se completam e se sustentam.
Algumas gavetas guardam muitas coisas, aquilo que vamos recolhendo no período em que aquele ciclo esteve aberto. Muitas vezes recolhidos com medo de que nada fique para trás vamos guardando de tudo.
O que fica no final do ciclo nem sempre será aquilo que levaremos a vida toda conosco, em algum momento talvez seja necessário rever o que ficou retido para que somente o que for essencial permaneça, como naquelas gavetas que contem poucas coisas, talvez um único evento. Pouco pode revelar muito e muito... Nem sempre revela o que é.
Aos poucos as gavetas vão se fechando, contendo as importâncias adquiridas durante uma vida que assim como os ciclos se enroscam, se emaranham na existência de outras pessoas.
Talvez eu encontre dificuldade para classificar em uma única palavra cada gaveta dos ciclos da minha vida, mas certamente no meu armário estaria gravado saudades.

AE.14/02/2012-SP

quarta-feira, 15 de maio de 2013



Foto: A. E. Castro
Música: Keep holding on - Avril Lavigne

Depois de tanto tempo consegui sentir vontade de escrever alguma coisa.
Talvez não tenha qualidade, talvez só reflita a desorganização mais intensa do que sempre esteve desorganizado dentro de mim. Busca constante, encontros incompletos.
Senti vontade de escrever, sem nem mesmo saber o que, não quis deixar essa preocupação me impedir do ato.
Tanta coisa mudou: cidade, casa, pessoas do convívio.
Continuo fotografando, tentando encontrar, tentando me encontrar.

Fiquei com medo de nunca mais conseguir escrever, a vontade sumiu, e às vezes, até pensei nisto com certo desdenho, e isso me chateava, pois em boa parte da minha vida, uma das poucas certezas que eu tinha era a de que eu adorava escrever, por isso neste momento não me apego em sentidos e significados, quero começar de novo, quero sentir o prazer de esvaziar quando a alma inflada nos remete a confusões que fazem com que momentaneamente nos percamos das pessoas, projetos e até de nós mesmos.
Sinto algumas saudades, mas sei que as lembranças nem sempre revelam o que poderia ser no hoje, elas sempre são o que são... Passado.
Experimento também algumas urgências e o dilema de algumas delas, pois para umas são necessárias o tempo e para outras é preciso atitude, mas no momento não me percebo agindo em algumas direções.
Há também carências, vontade de deitar no colo de alguém para que cocem as minhas costas.
Às vezes tenho a impressão que pensar junto alivia também, pois ao dividir, o “peso” diminui. Sinto que muito escrevi e pouco consegui me expressar, talvez seja necessário um pouco mais de tempo.
Acredito que vida é feita de fases, talvez a minha atual seja essa... Deixar que o tempo cuide das minhas urgências e me revele o que há para ser feito em cada momento.

AE.12/04/2012-AT

sábado, 4 de maio de 2013

Um lugar só meu.



Tudo arrumado e embalado mais uma vez.
Ao contrário do que possa parecer normal, não escolho o que deixarei na partida, prefiro deixar para selecionar o que permanecerá na chegada.
Levar?! Eu quero levar tudo, material, emocional e racional, e só depois com calma abrir todas as caixas, esparramar pelo chão e sem pressa olhar, considerar e re-significar cada objeto, sentimento e valor.
Uma busca constante que foi e sempre será para revelar o melhor que há em mim.
Um dente-de-leão que emerge na forma de botão, floresce, frutifica, e para brotar novamente precisa voar, levado pelo vendo até encontrar um lugar só seu...

... Um lugar tão eu. 

AE.20/01/2012

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Flor entre pedras



Foto: A. E. Castro

Música: Wish you were here - Avril Lavigne

Tão singelo entre as frestas da vida, da rotina do dia a dia, como uma flor que nasce entre as pedras. Assim é o que eu sinto por você, não sei exatamente o que, ou que nome dar, muitas coisas e sentimentos não necessitam de definições.
Em minha frente um calendário com os dias riscados me revela a contagem regressiva para um futuro próximo e você me faz lembrar de todo o tempo passado em que juntos não passamos.
Onde o que há de você em mim não consegue perceber a ação do tempo, anos se parecem com semanas, meses equivalem a dias.
Sentimento atemporal, que não envelhece, não diminui e não passa. Adormece e é capaz de despertar com apenas uma palavra, com qualquer coisa que você me escreva.
Cada letra lida percorre meu corpo, sinto seu toque trazendo sensações que só suas palavras são capazes de causar em mim. Palavras que me envolvem e fazem com que eu me sinta melhor e como em todo esse tempo faz com que eu queira ser melhor.
E ao saber que estaremos novamente afastados física e geograficamente, consigo sentir você, uma força que sempre envolveu essa história que consegue ser inexplicável e intensa.
Alguém com nome de anjo que em todo esse tempo nunca esteve verdadeiramente distante, alguém que consegue extrair o tempo da história, como se isso fosse possível e inevitável, estando um para o outro assim como é para vida o simples ato de respirar.
Quando meus olhos captam suas palavras um mundo de sensações me invade e da mesma forma como o ar me é vital, escrever se torna necessário, como se eu fosse uma flor que exala seu perfume para cumprir o seu papel – dar oportunidade para que algo fecunde e gere vida – o que eu sinto precisa viver, e é por isso que de mim emanam palavras, algo concreto, que marca o papel para registrar aquilo que tem força de tornado e acontece como uma brisa soprada em um fim de tarde de inverno.
Expiro, suspiro e inspiro – inspiração.

AE.30/01/2012-RA


quarta-feira, 24 de abril de 2013



Quando a alma pede o corpo entende que não há como lutar.
Não adianta fechar as portas e levantar muros.
Não adianta expor mágoas e justificar medos.
O melhor mesmo é se entregar, se jogar de cabeça, sem resistir.
Então abri as janelas, espanei o pó e limpei minha casa.
Deixei a luz do dia e o perfume das flores entrarem.
Coloquei roupa nova no melhor que posso ser.
Uma alma livre que espera pelo melhor e realiza o melhor.
Tratemos de ser feliz hoje, independente dos frios na barriga que os altos e baixos da vida no causam.
Sejamos enfim, uma flor que se abre na primavera.

AE.25/04/2013


Porque quando é diferente
a gente sente.
Fica contente
até meio displicente.
O coração bate alegremente
e na pele há um toque ardente.
E vejo quando está ausente
o dia correr insipidamente.
Te sinto tão atraente
e o rosto quente,
ao te dar de presente
minha rima premente.

AE.23/04/2013



Primeira vez que ouso brincar de rimar.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

(Aperte o play)
Caso não visualize o vídeo, segue o linkwww.youtube.com/watch?v=rIBRcQdzWQs

Você se foi quando eu não quis discutir. Disse ser ironias parvas quando eu falei que tudo ficaria bem, e pedi para que se acalmasse e refletisse. Esteja certo que se tais palavras fossem ditas olhando nos seus olhos saberia que eu estava em paz, que eu queria te abraçar para que tudo isso acabasse logo e ficássemos bem como você queria. Mas certamente minha falta de jeito em momentos de tensão não souberam expressar o real sentimento com que eu disse. Se algum dia puder, me perdoe.

Você não vai mais voltar, eu sei, mas isso não impede que na sua ausência as coisas continuem iguais, como sempre foram nos momentos em que não esteve aqui... Eu sinto sua falta, sinto falta de cada segundo das suas duas preciosas horas naquela noite. 
Agora nada mais importa. Não importa todo tempo em que vivemos inseguros sem saber ao certo o que aconteceria logo em seguida em todo esse tempo, sem saber se o que o outro sentia correspondia ao que sentíamos. Irrelevante nossos medos, inseguranças ou feridas em nossa alma...Tudo isso é tão pequeno perto do que nos trouxe até aqui tanto tempo depois. 
Eu nunca o esquecerei, você tem  toda razão, não é natural e mesmo que nunca mais fale comigo isso não importa, pois o que eu sinto aqui dentro do meu peito, em cada célula do meu corpo cada vez que eu respiro é a força desse sentimento por você, e isso independe de ter você perto, não depende de que eu queira, é o que é pela simples razão de ser, e aonde quer que eu vá, onde quer que você esteja meu desejo é um só... Eu quero que você seja feliz, mesmo que para isso eu nunca mais leia sequer uma letra sua direcionada a mim, nem que durante toda a minha vida eu não tenha outra oportunidade de te abraçar, eu vou te amar, pois isso é uma das coisas que melhor eu sei fazer, desinteressadamente, apenas por amar, por me fazer bem e me motivar, ainda que hoje muito distante do ideal, ser melhor a cada dia, pois foi isso que eu aprendi com você, foi isso que eu extrai do que você é, imperfeito também, mas o que você é.
Não posso estar perto, mas o que eu sou em sentimento te acompanhará sempre, eu nunca vou deixar você... Mesmo com meu jeito temperamental, decisivo, petulante e medroso... Apenas humana. Porque "eu não posso, meu coração não quer ficar longe de você".

Eu queria dizer tudo isso, mas tanta coisa aconteceu e parece que algo quebrou aqui dentro de mim.


AE.11/04/2013

domingo, 7 de abril de 2013


Quando o sentimento se sobrepõe e transborda pelos olhos a gente sabe que o que há dentro de nós está sufocando sem ar, sem vida, sem função. Mas tudo tem seu tempo, como botão de flor que mesmo depois de revelada sua beleza, chega sua hora de cair ao chão. Tudo parece ser um ciclo que o tempo se encarrega de abrir e fechar.

A.E.07/04/2013-:(

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Porque sempre há de haver poesia...


Esta que me motiva e emociona.
Esta que dá cor aos meus dias e aquece meu coração.
Esta que me faz companhia e faz com que eu tenha fé em dias melhores.
Esta que eu encontro no meu dia a dia, nas pequenas coisas, nos gestos e objetos mais irrelevantes.
Esta que preenche o que eu sou e sustenta tudo aquilo que eu quero e busco para mim.
Talvez seja inocência considerar o que para tantos já se perdeu, mas me sinto tão feliz a cada vez que sou pega de surpresa pelas prosas e lirismos da vida.
Tão difícil de se ver quando não se consegue enxergar e tão onipresente quando se acostuma a sentir.
A poesia dos cheiros, das cores, dos sons, das palavras... Daquilo que faz o coração bater mais forte e a alma suspirar.
Não quero que ela se perca, por isso a cultivo, a cada olhar e a cada manifestação de meus sentidos.
Um estado de espírito que me move.

A.E.17/02/2013



quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013



O tempo escorre pelos dedos da minha mão e se vai como areia pelo canal da ampulheta, passiva, respondendo em sua inércia a gravidade.
Responsabilidades e afazeres que se acumulam em horas e horas de obrigações que justificam a si próprias e constantemente nos tiram de perto daquilo que mais gostamos e se pudéssemos escolher seriam gastos assim, inquestionavelmente em favor de tais momentos.
Tantas vezes gostaria de ser flor, que nasce, cresce e morre no mesmo lugar, apenas contemplando a poesia que há no que a cerca e cumprindo o seu papel. Mas me vejo polinizador, com função itinerante e exaustiva que são consequências de escolhas feitas no passado.
Não lamento, mas o cansaço físico e mental me consomem em uma positividade quando me dou conta de que mesmo incontrolável, não raro asfixiante, assim como o tempo cumpri o seu papel – passar – eu faço agora o que precisa ser feito, como flor desgastada, mas sem deixar de olhar e sentir as belezas ao redor.

AE.04/02/2013

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013



Preciso me replantar em vaso novo.
AE.04/02/2013

Lembro-me de ter chegado em casa, e tirado o celular da bolsa... Uma mensagem... Era você.
Lembro-me de ter sentado para ler enquanto as lágrimas instantaneamente percorreram meu rosto e a dor transpassava a minha alma. Eu não conseguia ler de tanto que tremiam as minhas mãos.
Tantos dias em silêncio profundo quase que mortal, depois de uma promessa de que viria - tantos dias... Tantos dias se passaram e agora assim, do nada me tocas, vem até mim através de palavras, mas depois de tanto tempo, de tanta dor, enxergo apenas palavras sem nenhum outro significado que não seja gramatical. Letras unidas que formam palavras, frases e nada dizem.
O que havia de você em mim, tão lindo, forte e puro vejo agora jogado, quebrado, desfigurado e foi você que atirou ao chão. Se foi, se perdeu.

Levantei, sequei minhas lágrimas, virei as costa e saí.
Flor tão esperada e infértil.

AE.01/02/2013

Eu sinto ânsia por esse amor urgente, que corre pelas veias e ampara um mundo inteiro. Que está no que é, demorado e permanente.
O desejo arrebatador que consome a alma em uma vida que só tem sentido através desse amor que alimenta, que transcende. Duas vidas em uma, que se sustentam e conquistam a si próprias e todo o resto de que precisam. Completas em sim e imperfeitas sozinhas.
Alguém que chega não se sabe de onde, mas tão esperado.
Todos os meus sentidos o reconhecem. Os olhos percebem a beleza de cada traço, onde um ponto está nele e o outro em mim. O toque - coração na ponta dos dedos, e em qualquer parte do corpo que eu o sinta sou capaz de tocar também seu coração sob a pele em ligações subcutâneas que fazem com que minha mão siga cada batimento cardíaco dentro dele. Seu gosto em minha boca se torna um elixir vital que nutre cada pequena parte do meu corpo, com esse gosto que é único no mundo. O seu cheiro é para mim como o único ar que capaz de encher meus pulmões, num momento lucidez onde meus ouvidos escutam palavras suas como um hino aos deuses - "você é para mim o que eu me preparei à vida inteira para receber" - humano e celestial demais.

A.E.12/02/2013

Há nele um mistério que me atrai, um jeito preocupado que me envolve.
Gosto quando ele para de costas pra mim, calça jeans e camisa, sensualizando, mesmo sem perceber, com os braços cruzados.
Não sei explicar, desde o primeiro dia quando o olhei, seu jeito indiferente mexeu comigo, senti um frio na barriga.
Outro dia tentando pegar algo em um lugar mais alto, vi sua blusa levantar e precisei controlar o impulso de tocar a sua pele a mostra.
Há pouco me ligou, pegou-me de surpresa, me interessei por seu timbre de voz mesmo antes de ter a certeza de que era você. Quando se identificou, senti como se fosse o primeiro dia, quando despretensiosa e inconscientemente meu corpo respondeu a você.

AE.09/02/2013

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Construções da mente



Um quadro com um dente-de-leão incompleto em minha frente, pintado por mim, tão real que quase posso tocar suas sementes.
O construí baseado no que parecia real, do que eu tirei de melhor em tantos que já observei.
O olhar é subjetivo, talvez eu tivesse apenas supervalorizado, colocado um pouco mais de
brilho nos traços que eu construí.
O dente-de-leão mais lindo, com as cores mais vivas. Parecia tão verdadeiro que ao sinal da mais suave brisa sentia meu coração gelar, tinha medo de que ele se desmanchasse. 
E aqui, mais uma vez o tempo se mostra implacável. 
Deixei a janela aberta e vi meu dente-de-leão se desfazer em minha frente, eu não fiz nada, apenas observei a poesia que havia ao ver sementes tão lindas e leves sucumbindo fragilmente ao vento. Fiquei em choque, não parecia fazer sentido que o vento fosse capaz de tirar a tinta da tela. Traços reais em demasia, correm o risco de ser ilusão, construção de nossa mente.

AE.03/02/2013

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013



Tomou-me em seus braços, sem nem mesmo um aviso, um sinal de que essa era a sua intenção. Te recebi, nesse gesto úmido e quente que parecia queimar cada vez mais.
Meu consciente tentou censurar-me dizendo ser precipitado demais, fingi não entender, quis aproveitar o momento e esquecer o peso dos pensamentos que paralisa atos, impedindo que momentos sejam vividos e sensações deliciosas sejam sentidas.
Chega uma hora que devemos nos desprender de amarras, coisas, sentimentos e pensamentos que nos atravancam e nos impedem de seguir. Chega uma hora que viver consome tempo demais para perder desperdiçá-lo com o que não é positivo, não é leve e não nos faz feliz.
Perdi a noção do tempo, não sei quanto tudo isso demorou, mas sei que depois desse instante eu mesma não era mais igual.

AE.05/02/2013

sábado, 12 de janeiro de 2013



Abra o seu coração para a leveza da vida, não se contamine, descubra aquilo que tira o peso de suas costas e coloca sorriso em seus lábios.

Se livre de coisas que não usa e das coisas que sabe que não irá mais usar.

Jogue fora os sentimentos que não te acrescentam e só tiram o brilho dos seus dias.

Se afaste de quem nunca acrescentou ou pouco acrescenta em sua vida.

Valorize o seu tempo invista em coisas e pessoas que a cada gesto reforçam em você o motivo de tê-las por perto.

Libere seu coração, desobstrua seu caminho, deixe o amor entrar.

Seja o que é de melhor, busque dentro de você sonhos que queira realizar e dê um passo em direção a eles, mas acima tudo deixe as pessoas se aproximarem, muitas podem ser surpreendentes e trazerem dentro de si um mundo novo de coisas que vale a pena conhecer.

Seja você no mundo um raio de luz, um toque de esperança que acrescente e valha a pena ter por perto.

Uma flor que desabrocha, ilumina e alegra a vida.

AE.12/01/2013

#coisassimples

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

A felicidade das pequenas coisas



Com o tempo cheguei à conclusão de que a felicidade se encontra em pequenos instantes que colecionamos ao longo da vida.
Pequenos momentos que validamos segundo a importância que cada um deles tem para nós e reconhecê-los é fundamental para que a cada vez que eles acontecerem sejamos capazes de identificar a alegria contida ali.
Ver o Toni e a Lilica (meus gatos) brincando e fazendo carinho um no outro faz com que eu entre em estado de absorção, a vida se enche de graça ao perceber como eles aproveitam o que é simples para serem felizes e mostram como poucos e fundamentais cuidados fazem a diferença e nos permite ter verdadeiros companheiros.
Comer cachorro-quente muda o meu dia, não o faço todos os dias por não ser tão saudável, mas é quase terapêutico quando me permito, quando eu preciso de um carinho meu. Ingredientes tão simples que alimentam a minha alma.
Almoço em família. É aconchegante quando percebemos em nós traços de pessoas que nos acompanham antes mesmo de nascermos e somos capazes de passar muito tempo juntos rindo de acontecimentos que só nós entendemos.
Beber vinho, ouvindo música e cozinhando, um dos meus passatempos favoritos e que já me renderam muitas e boas histórias para contar.
Ler e assistir filmes, se possível de romance, adoro sentir a emoção que está contida nas entrelinhas, da força desse sentimento que é capaz de mudar o mundo, talvez eu seja inocente pensando assim, mas a capacidade do ser humano, pra mim, é sempre maior do que aquela que eles acham que têm.
Andar de moto. É como se fosse me dado asas artificiais, que faz com que eu sinta a leveza que a vida tem, através do vento que toca a minha pele, do sol que me aquece e das belezas que sempre me pegam de surpresa quando olho o retrovisor.
Caminhar . Sentir o corpo todo em pleno funcionamento, digno de gratidão pelo simples, mas não menos importante, faro de senti-lo perfeito e funcional.
Os sorrisos das trocas diárias que fazem parte do dia-a-dia, por identificar coisas corriqueiras no convívio com as pessoas que fazem parte da minha vida no trabalho e em casa.
Aos grandes amigos de longa data que sempre que nos encontramos temos a sensação de que não passou um dia sequer e que a cumplicidade é tamanha que nos dá a real dimensão da importância da vida dessas pessoas para nós.
A conquista das metas diárias que nos levam gradualmente ao futuro que almejamos e, nos dão a sensação de utilidade e sentimento de valer a pena todo conhecimento adquirido.
As flores que desabrocham a cada dia e revelam força e cores, que me ensinam e me inspiram a seguir, sempre.
Ao amor verdadeiro, digno e real que me motiva a ser sempre uma pessoa melhor, para que eu te reconheça ao te encontrar.
E assim, com a simplicidade desses sentimentos, desejo a todos nós mais um ano de saúde e realizações, e que você seja capaz de identificar e aproveitar as suas pequenas coisas.

AE.02/01/2013