domingo, 17 de fevereiro de 2013

Porque sempre há de haver poesia...


Esta que me motiva e emociona.
Esta que dá cor aos meus dias e aquece meu coração.
Esta que me faz companhia e faz com que eu tenha fé em dias melhores.
Esta que eu encontro no meu dia a dia, nas pequenas coisas, nos gestos e objetos mais irrelevantes.
Esta que preenche o que eu sou e sustenta tudo aquilo que eu quero e busco para mim.
Talvez seja inocência considerar o que para tantos já se perdeu, mas me sinto tão feliz a cada vez que sou pega de surpresa pelas prosas e lirismos da vida.
Tão difícil de se ver quando não se consegue enxergar e tão onipresente quando se acostuma a sentir.
A poesia dos cheiros, das cores, dos sons, das palavras... Daquilo que faz o coração bater mais forte e a alma suspirar.
Não quero que ela se perca, por isso a cultivo, a cada olhar e a cada manifestação de meus sentidos.
Um estado de espírito que me move.

A.E.17/02/2013



quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013



O tempo escorre pelos dedos da minha mão e se vai como areia pelo canal da ampulheta, passiva, respondendo em sua inércia a gravidade.
Responsabilidades e afazeres que se acumulam em horas e horas de obrigações que justificam a si próprias e constantemente nos tiram de perto daquilo que mais gostamos e se pudéssemos escolher seriam gastos assim, inquestionavelmente em favor de tais momentos.
Tantas vezes gostaria de ser flor, que nasce, cresce e morre no mesmo lugar, apenas contemplando a poesia que há no que a cerca e cumprindo o seu papel. Mas me vejo polinizador, com função itinerante e exaustiva que são consequências de escolhas feitas no passado.
Não lamento, mas o cansaço físico e mental me consomem em uma positividade quando me dou conta de que mesmo incontrolável, não raro asfixiante, assim como o tempo cumpri o seu papel – passar – eu faço agora o que precisa ser feito, como flor desgastada, mas sem deixar de olhar e sentir as belezas ao redor.

AE.04/02/2013

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013



Preciso me replantar em vaso novo.
AE.04/02/2013

Lembro-me de ter chegado em casa, e tirado o celular da bolsa... Uma mensagem... Era você.
Lembro-me de ter sentado para ler enquanto as lágrimas instantaneamente percorreram meu rosto e a dor transpassava a minha alma. Eu não conseguia ler de tanto que tremiam as minhas mãos.
Tantos dias em silêncio profundo quase que mortal, depois de uma promessa de que viria - tantos dias... Tantos dias se passaram e agora assim, do nada me tocas, vem até mim através de palavras, mas depois de tanto tempo, de tanta dor, enxergo apenas palavras sem nenhum outro significado que não seja gramatical. Letras unidas que formam palavras, frases e nada dizem.
O que havia de você em mim, tão lindo, forte e puro vejo agora jogado, quebrado, desfigurado e foi você que atirou ao chão. Se foi, se perdeu.

Levantei, sequei minhas lágrimas, virei as costa e saí.
Flor tão esperada e infértil.

AE.01/02/2013

Eu sinto ânsia por esse amor urgente, que corre pelas veias e ampara um mundo inteiro. Que está no que é, demorado e permanente.
O desejo arrebatador que consome a alma em uma vida que só tem sentido através desse amor que alimenta, que transcende. Duas vidas em uma, que se sustentam e conquistam a si próprias e todo o resto de que precisam. Completas em sim e imperfeitas sozinhas.
Alguém que chega não se sabe de onde, mas tão esperado.
Todos os meus sentidos o reconhecem. Os olhos percebem a beleza de cada traço, onde um ponto está nele e o outro em mim. O toque - coração na ponta dos dedos, e em qualquer parte do corpo que eu o sinta sou capaz de tocar também seu coração sob a pele em ligações subcutâneas que fazem com que minha mão siga cada batimento cardíaco dentro dele. Seu gosto em minha boca se torna um elixir vital que nutre cada pequena parte do meu corpo, com esse gosto que é único no mundo. O seu cheiro é para mim como o único ar que capaz de encher meus pulmões, num momento lucidez onde meus ouvidos escutam palavras suas como um hino aos deuses - "você é para mim o que eu me preparei à vida inteira para receber" - humano e celestial demais.

A.E.12/02/2013

Há nele um mistério que me atrai, um jeito preocupado que me envolve.
Gosto quando ele para de costas pra mim, calça jeans e camisa, sensualizando, mesmo sem perceber, com os braços cruzados.
Não sei explicar, desde o primeiro dia quando o olhei, seu jeito indiferente mexeu comigo, senti um frio na barriga.
Outro dia tentando pegar algo em um lugar mais alto, vi sua blusa levantar e precisei controlar o impulso de tocar a sua pele a mostra.
Há pouco me ligou, pegou-me de surpresa, me interessei por seu timbre de voz mesmo antes de ter a certeza de que era você. Quando se identificou, senti como se fosse o primeiro dia, quando despretensiosa e inconscientemente meu corpo respondeu a você.

AE.09/02/2013

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Construções da mente



Um quadro com um dente-de-leão incompleto em minha frente, pintado por mim, tão real que quase posso tocar suas sementes.
O construí baseado no que parecia real, do que eu tirei de melhor em tantos que já observei.
O olhar é subjetivo, talvez eu tivesse apenas supervalorizado, colocado um pouco mais de
brilho nos traços que eu construí.
O dente-de-leão mais lindo, com as cores mais vivas. Parecia tão verdadeiro que ao sinal da mais suave brisa sentia meu coração gelar, tinha medo de que ele se desmanchasse. 
E aqui, mais uma vez o tempo se mostra implacável. 
Deixei a janela aberta e vi meu dente-de-leão se desfazer em minha frente, eu não fiz nada, apenas observei a poesia que havia ao ver sementes tão lindas e leves sucumbindo fragilmente ao vento. Fiquei em choque, não parecia fazer sentido que o vento fosse capaz de tirar a tinta da tela. Traços reais em demasia, correm o risco de ser ilusão, construção de nossa mente.

AE.03/02/2013

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013



Tomou-me em seus braços, sem nem mesmo um aviso, um sinal de que essa era a sua intenção. Te recebi, nesse gesto úmido e quente que parecia queimar cada vez mais.
Meu consciente tentou censurar-me dizendo ser precipitado demais, fingi não entender, quis aproveitar o momento e esquecer o peso dos pensamentos que paralisa atos, impedindo que momentos sejam vividos e sensações deliciosas sejam sentidas.
Chega uma hora que devemos nos desprender de amarras, coisas, sentimentos e pensamentos que nos atravancam e nos impedem de seguir. Chega uma hora que viver consome tempo demais para perder desperdiçá-lo com o que não é positivo, não é leve e não nos faz feliz.
Perdi a noção do tempo, não sei quanto tudo isso demorou, mas sei que depois desse instante eu mesma não era mais igual.

AE.05/02/2013