terça-feira, 12 de agosto de 2025

Como se eu nunca tivesse ido

 

Foto: Ana
Quase cinco anos depois volto. É engraçado como pode haver algo dentro de nós que sempre existiu e parece que sempre existirá dentro de nós.

Este é o meu lugar, e em tantos outros que eu estive, meu olhar sempre as contempla. Certamente, as flores e eu temos uma forte conexão.

Talvez assim como a escrita elas sejam uma parte imutável em mim. Aquela caixinha que temos guardada no fundo da alma com as lembranças, partes de nós que transcendem o tempo e as circunstâncias.

Sinto-me desacostumada de escrever, no entanto, dentro de mim, sinto o coração se ambientar em uma velocidade como rastro de pólvora que acessa um prazer indescritível dentro mim.

Há quase cinco anos atrás foi minha última visita, e agora, para mim, é como se eu nunca tivesse ido.

AE. 12/08/25

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Eu me trouxe até aqui.

 

                                                                   Foto: Pinterest

E quando sentimos saudade de momentos da nossa vida e constatamos que não necessariamente sentimos falta de quem viveu aqueles momentos com a gente, mas sim das possibilidades, das vivências e permissões que nos dávamos.

Morar sozinha, conhecer pessoas novas, trabalhar, se manter, saber que não importa o que acontecesse, você estaria ali para você, e fosse como fosse, você teria que dar o seu melhor.

Sabe, já vivi tanta coisa nesta vida, alegrias imensas e dores que pareciam que me consumiram até o meu fim, mas nada disso foi o ponto final. Em muitos momentos o que parecia fim era apenas mais um início, mas uma chance, mas uma alegria, mais uma oportunidade de crescer.

Eu me trouxe até aqui!

Tive pessoas comigo em alguns momentos, mas dentro de mim só estava eu, precisei dar significado e ressignificar algumas coisas e importâncias.

Liberdade! Está aí uma coisa da qual nunca abrirei mão, ser livre é o melhor em mim e o melhor de mim, é onde está a minha força e todo o meu potencial.

Sempre tive muito medo de que quando chegasse ao final da vida ao olhar para traz eu sentisse que não vivi, que não fiz valer a pena.

Hoje, tenho 39 anos se considerar que uma pessoa de boa saúde e bom hábitos pode viver até os 80 anos em média, sinto que no meu próximo aniversário o relógio possa zerar novamente, dando início a outra metade da minha vida e eu de verdade, do fundo do meu coração desejo que ela seja no mínimo tão incrível quanto esta.

AE.22/10/2020

quinta-feira, 30 de julho de 2020

Deixe o vento entrar.

                                                     Imagem de Anne Meadows por Pixabay 


Senti vontade de escrever hoje. Não sei se perdi ou se já tive jeito, mas escrevi. Este é novo, morninho, como bolo recém assado em cima da mesa.

O simples ato de abrir a janela e deixar o vento entrar, faz um carinho nessa alma angustiada que trago dentro de mim.
Penso em quantas vezes nas campinas um botão se deixa acarinhar assim, sentindo a vida dentro e fora de si.
Certamente, não tão sufocado pela rotina, compromissos e prazos, apenas ele, ali, contemplando em silêncio, a vida em sua essência e sua essência na vida.
Talvez o segredo esteja aqui, saber-se ser dentro e fora, ter a plenitude das flores que são e apenas são, assim como o vento que entra por esta janela.

AE.30/07/2020-

quinta-feira, 2 de julho de 2020

Algumas coisas não há como apagar.



Você também consegue apagar de onde não está escrito e sim marcado? Duvido que consiga, isso vai além dos seus poderes e habilidades cognitivas.
Avança mais quem consegue olhar de onde saiu e onde está agora com a cabeça erguida de quem enfrentou e não de quem fugiu, como flor que permanece lá, lidando com o que há para lidar, sol, chuva, predadores, e, ainda sim, ela continua, pois a sua única missão é florescer, seja onde e como for.
Espero que um dia você também consiga floresça.

AE.02/07/2020-

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Desabroche 2019


Há quanto tempo não escrevo sobre elas... Nem sei dizer, mas não perdi a capacidade de admirá-las e aprender com elas.
Elas estão por toda parte, impossível não vê-las, não sentir sua presença.
Impossível ser indiferente quando ao andar por aí me deparo com uma, é como se ao contemplá-la, dentro de mim se passasse toda uma história em cores e silêncio que sempre traz uma nova constatação ou um novo significado.
O que houve, foi o tempo... Aquele tempo que há entre uma coisa e outra, entre o que eu fui antes e o que sou agora e de tudo isso o que permaneceu.
Precisava me reencontrar e reorganizar o que há por aqui até que o momento chegasse novamente, Precisava das estações até que novamente chegasse a época de florir externando o que há por aqui.
Um novo ano, uma nova estação e uma nova proposta.
Um ano que finda como flor que desabrochou e um novinho como botão que sutilmente se rompe.
As flores estão por toda parte e não deixam de florir, da mesma forma eu, sempre há flores ainda que não as vejamos elas estão por ai e sou capaz de afirmar em toda parte para quem conseguir sentir.
Em 2018 soma-se 10 anos deste blog, e por mais que muitas tenham sido as estações a essência e a ligação, não mudam, por isso que antes e ainda hoje somos As Flores e Eu.

AE.31/12/2018-AFE



quarta-feira, 9 de maio de 2018

Quantas vezes



Por medo, por vergonha, por preguiça, por falta de interesse, a gente deixa de olhar para si.
Não somos estimulados a isso, e como conclusão empurramos a vida com a barriga, com atitudes mais ou menos, com pessoas mais ou menos, só porque é mais fácil, mais cômodo e dói menos.
Sem pensar que doer pouquinho uma vida inteira pode ser pior que o desconforto momentâneo de uma guinada.
Estaremos juntos aqui, para crescer, trocar e agregar um a vida do outro. Buscar tempo de qualidade, relações de qualidade, uma vida de qualidade.
Toque-se, entenda-se e se divida para somar, acrescente e deixe acrescentar.
E mesmo que doa, que traga desconforto, tenha a certeza de que isso é só o início. Às vezes precisamos desconstruir, desapegar para que algo novo surja, para que o que há na sua essência floresça e você saiba que não há o que temer, pois quando fazemos nossa parte com consciência de acordo com a verdade  que há em nós o resto tudo muda, o mundo muda.
Não proponho algo que eu nunca tenha feito ou algo impossível de se fazer, mas simples de entender e se acostumar, proponho sim, para que nos façamos companhia para seguirmos daqui para frente... Fácil assim.


AE.18/08/13-PC