Lugar onde a minha alma se expressa, se manifesta e apenas é.
Espaço de busca e encontro com quem fui, sou e possivelmente serei.
Aqui não há amarras, medos e nem limites.
É onde estou em minha forma mais pura.
Não consigo parar de pensar em você, não sei o que é isso.
Quando leio o que escreve sinto você, mas quando se ausenta e ignora as minhas tentativas de contato, quero te tirar da minha vida e me arrependo de ter te deixado entrar.
Alguém que me acompanha mesmo de longe, nunca, nesse tempo todo esteve verdadeiramente distante.
Mas quando diz que vai ficar perto que quer as coisas diferentes não consegue ou não quer permanecer constante.
Isso sim me consome e tira a minha paz.
Não saber o que há entre aquele que me procura determinado e aquele que some e me deixa sozinha sem notícias.
É cruel demais torturar com silêncio e ausência.
Uma história longa, cheia inseguranças e mal entendidos.
Mas uma vez pedi para que não volte, por não suportar essas ausências inexplicáveis que me consomem, me fazem mal e me atrapalham.
Se tudo que diz nos momentos em que está presente é verdade, talvez estejamos condenados a viver assim, nos sentindo distantes, e dessa forma, apenas te sinto e não preciso esperar.
Às vezes sinto tudo isso como alucinação da minha cabeça.
Alguém que aparece e se vai deixando apenas palavras.
Será que é somente isso que você é, palavras que completam as minhas?
Não sei o que dizer, não sei como agir...
Sua vida é distante da minha, seu tempo não é como o meu, seus horários não são flexíveis... E eu como sempre fico com a sensação de que você voltou e como evidência... Palavras.
Sempre assim, depois de um tempo você aparece e eu sinto medo, e penso se avanço ou não, mas resolvo te ouvir, quero acreditar, não que eu duvide, me refiro em relação ao tempo, quero que o tempo passe para que você me mostre o que realmente há e houve em todo esse tempo de idas e vindas.
Mas o que eu vejo é rotina, sua rotina que te consome e vejo rotina também no que sempre acontece, você vem, se faz presente um ou dois dias, mantemos algum contado eventual e depois, eu aqui, pensando que talvez seja melhor mesmo manter tudo como está, sem vindas.
Não é que eu não quero você, não é que eu ache qualquer coisa, é o que sinto, sinto o tempo e não sinto você, isso me dói.
Dói assumir isso e dói saber que quando leio o que você escreve, eu fico com a sensação de que eu poderia ter esperado mais e, de que tudo realmente está ai, dentro de você, mas eu não consigo, os significados são maiores, mas as esperas longas demais, proporcionalmente incomparáveis.
Eu sinto tanto que dói, mas, no entanto sei que quantidade nunca importou para você e frequência sempre significou muito para mim, nos nutrimos de maneiras diferentes.
Tenho medo que leia e não entenda, tenho medo que leia e se afaste, mas não posso ter medo de expressar o que eu sinto onde eu realmente encontro espaço para escrever, aqui.
É tudo tão eterno quando se está perto e tão efêmero quando se olha para trás.
Você se foi, nunca mais o verei, sequer ouvirei sua voz. Quase tão ruim quanto isso é ter medo de perder as outras pessoas que são importantes para mim e fundamentais para a minha vida. E ainda pior, é ter a certeza de que isso invariavelmente acontecerá.
Já tem um tempo que eu tiro o que é meu das mãos das pessoas, para não ter que perdê-las.
Não consigo dar abertura para que elas entrem, pois desta forma não terei que chorar quando saírem, saírem porque precisam ou saírem porque querem.
Já senti muitas partidas, e não sei dizer se sou forte por evitar as aproximações ou fraca por fugir.
Às vezes tento me aproximar ou deixar que se aproximem, mas me sinto vulnerável, não consigo, no entanto, de certa forma as quero por perto, um querer não querendo, um estando não estando.
Sempre penso e quase acredito que ter que lidar só comigo garante com que eu não sofra tanto e isso faz com que eu sinta esse conforto e essa força que me ajudam a seguir.
E se por algum motivo perco, ao sentir a perda quero afastar todas as outras pessoas importantes da minha vida.
Foi o que eu fiz ou tentei fazer em boa parte da minha vida, mas, agora eu só sinto a dor da perda e o imenso medo de perder, o que certamente em algum momento acontecerá.
Talvez a morte seja um novo começo, mas enquanto não sei, aqui ela significa o fim.
Tem dias que me sinto de outro mundo, por não me reconhecer em gestos de pessoas tão próximas a mim.
Uma realidade tão fútil, tão banal.
As pessoas hoje em dia não alimentam mais o conteúdo, e algumas vezes alimentam muito pobremente o corpo, para poderem exibir e utilizar como chave de felicidade, como um refúgio para libertar o que temem ou para aquecer quando se está só. Dedicam seu tempo à algo tão momentâneo que não acrescenta nada a sua vida.
Tenho me percebido cada vez mais introspectiva, por quase não encontrar pessoas que participem dos mesmos valores.
Valorizar-se e valorizar o tempo que você investe em alguém ficou fora de moda?
Para mim o tempo é algo tão precioso para o dedicarmos às pessoas que não tem nada para trocar, com assuntos que não acrescentam e com sentimentos que não edificam.
Certa vez ouvi, não me lembro bem onde, que dizia mais ou menos assim: “Devemos sempre cuidar do que entra por nossos olhos e ouvidos, bem como o que sai por nossa boca”. Somos nós que determinamos onde e com quem queremos estar, somos nós que escolhemos o que valorizar, e é somente nós que nos colocamos onde nós estamos.
Tem dias assim, onde tudo que eu vejo encontro tem um significado, uma razão e um por que.
Faz um ano que tomei a decisão de vir, muitas mudanças, internas, externas, até mesmo uma tentativa de externar o que há em mim em um outro lugar. Mas como poderia se elas estão por toda parte, sinto a tranqüilidade, a beleza, as cores e seus odores em tudo.
Tudo há pelo simples fato de elas existirem.
Sinto-me muito mais hoje “As Flores e Eu” do que antes, percebo isso nas minhas atitudes e na verdade com que me expresso e interajo com as pessoas ao meu redor.
Há tempos não consigo escrever, tenho preferido ficar comigo mesma e sentir essa brisa leve que preenche meu ser e revela uma nova versão de mim.
Sinto uma gratidão enorme pelas pessoas que fazem parte da minha vida, pelos verdadeiros amigos-parceiros que fiz, não me esquecendo nunca dos velhos, aqueles que acrescentaram muito ao que sou hoje.
Percebo por onde eu passo, alguém que anda sabendo quem é, o que busca e a serenidade de aprender com que acontece entre uma coisa e outra. A verdade revelada nos detalhes que passam diante dos meus olhos.
Acredito firmemente na força que temos e naquilo que encontramos por meio dela, vejo tudo que eu consegui e, mesmo sem ter a certeza se faria tudo de novo com o que eu tinha na época, percebo que certamente fiz o que era mais certo, e que não eram bobagens minha quando eu tinha a impressão de que algo dentro de mim me trazia para cá.
Sinto a comunhão nas pessoas, no ar e em tudo que me cerca, percebo isso também nos acontecimentos que culminaram na minha decisão de vir.
Será Deus? Destino? Acaso?
Não sei, um ou outro ou nenhum deles, não penso e nem julgo assim. Quero apenas sentir essa gratidão imensa que sinto por tudo isso que eu conquistei.
Hoje li coisas suas, ao tentar diminuir a quantidade de coisas que acumulo no meu computador, mas me faz bem saber que não saibas.
Hoje senti coisas boas por isso, e é incrível como nos momentos de lembranças as partes não tão boas somem.
O que me importa nisso tudo é ter sido capaz de sentir a paz de outrora em palavras que completavam as minhas, toques mesmo que distante... Algo que transcendia.
Talvez seja sempre assim, a mesma sensação, algo forte e intenso que da mesma forma que veio se foi.
Talvez coisas de alma, ou não, talvez apenas um gostinho da sensação que é amar alguém.
O mais triste de tudo isso quando me lembro, é que você nunca conheceu quem realmente sou, talvez partes de mim deturpadas por sentimentos humanos... Eu sei você tem e sempre teve boa parte de toda razão.
Olhando agora os períodos de ausência nem eram tão grandes assim... Olhando agora.
Não tenho esperança de reaproximação, tenho medo até. Mas no entanto sinto-me feliz por em algum momento ter sentido algo tão forte por alguém, um sentimento que vai além do corpo e da presença, um sentimento capaz de mudar, capaz de fazer querer mudar.
Talvez você nunca leia, ou talvez leia, mas ainda sim, não sou capaz de colocar as duas letras que encerraram tantas vezes aqui o que eu expressei por você.