Quem és tu ó planta?
Quem és tu que não se move a mercê do tempo, do povo e de toda a alteração que possa vir?
Quem és tu que apesar de tudo se esforça?
Quem és tu que o vento acaricia e os outros agridem?
Quem és tu que persiste?
Talvez a terra dura, talvez o sol cáustico ou fatores além de sua vontade a tivessem maltratado tanto, afim de que desista.
Mas não, tu continuas lá, como se os sofrimentos nada possam fazer a não ser te decair temporariamente, pois tu, tu continuas lá. Continuas lá da forma que dá, do jeito que podes.
E pra que, por quê?
Desista, dizem os que passam...
Aceite, dizem os que a maltratam...
E ela? Ela continua lá.
Lá no seu lugar,
Lá a se reconstruir,
Lá a vigiar,
Lá para ser o melhor que se pode ser.
Pois quando chegar a época certa, ela sabe o que virá.
Algo que fará tudo ter valido a pena.
A flor.
Como pode ser o fruto de todo o seu caminho e sofrimento algo tão belo, delicado e singelo?
A vida tem dessas coisas para mostrar que os que são capazes de suportar os maus zelos da vida podem sim ter no final algo que faça todo o trajeto ter valido a pena, basta querer.
Os que vencem são os que lutam e não aqueles que reclamam e deixam de seguir.
São aqueles que vão até o fim, que sentem o orgulho de terem feito o melhor que puderam com o que lhes foi dado, do único jeito que souberam.
Ela sente que não haverá outro jeito, pois, ainda que desista as coisas continuam a acontecer, e se entregar não a fará melhor nem mais feliz, pelo contrário, a tornará fraca e doente, e assim ela jamais saberá qual será a implicação de tanta consternação para a seqüência da vida.
Muitas vezes para que haja belas flores tem que haver resignação da planta, ainda que sofra, ainda que a machuquem e caia, sempre consegue forças para se recuperar e seguir em busca da tão esperada flor.
AE.24/06/2008