terça-feira, 25 de dezembro de 2012


Tenho me permitido, tenho permitido que outras coisas e pessoas me façam felizes.
Ainda é primavera e elas estão por todas as partes... As minhas flores se revelam e me ensinam a cada dia, mostrando que o que ontem desabrochou hoje já não mais vive, outras cores e odores justificam o dia de hoje.
Antes, durante ou depois? Um não é mais importante que o outro, apenas a cada um deles se reserva o seu único espaço de tempo, e estender e supervalorizar um é desmerecer os outros. Vida que segue e as coisas que se somam ou se perdem.
Coração se aquece e o pulmão se enche, mesmo que ainda doa. Novos sentimentos e novos ares. Foco.
Sobre o que vai não temos poder... Já sobre o que fica do que se vai... É de nossa inteira responsabilidade e eu escolho... Escolho ser o que sempre fui – alguém que não apenas olha as belezas da vida, mas sabe ter o tempo necessário para contemplar os pequenos gostos, os pequenos gestos e, no entanto não menos relevantes, e que possuem valores únicos e nem sempre aplicáveis pelos que passam.
Belezas únicas que nos são reveladas nas coisas simples da vida – sentidos mais apurados, sentimentos se ressignificando.

AE.19/12/2012

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Eu realmente construí você mentalmente, mas achei que você era uma construção negativa, mas não, eu realmente construí você e bem... E eu o esperei, a cada segundo de todos esses dias, muitas vezes eu chorei onde eu não poderia, me mantive firme acreditando que você existia a cada dor, a cada minuto de silêncio.
Eu te esperei, mas você não veio, nem se deu ao trabalho de vestir a roupa de bom moço, fingiu que eu não existia e ponto. Tão "eternamente responsável por aquilo que cativas"...

domingo, 16 de dezembro de 2012

Sempre tive medo de que ao chegar ao final da vida eu pudesse me arrepender de não ter vivido, de apenas ter passado o tempo. E isso fez com que eu estivesse sempre com os planos e pensamentos lá na frente. Me esqueci de que o futuro é feito de todos os “agora” que eu vivi e estou vivendo, e serão estes os momentos considerados lá frente e sei que o fato de saber que eu estava presente e dei o meu melhor em cada instante, em cada escolha que eu fiz certamente trará serenidade.




Hoje saindo para o trabalho, fui ver como estava o botão de flor do meu cacto. E ao vê-lo eu pude constatar com alegria que havia desabrochado e com tristeza por saber que hoje em um dia tão importante, algo igualmente triste aconteceu, a parte do caule que a sustentava de soltou das demais.
Fiquei por um tempo triste, pensando que muitas coisas na vida parecem ser abortadas mesmo que esperadas com tanto amor.
Tentei digerir este pensamento o dia todo, mesmo que inutilmente eu buscava entender que fundamento havia nisso tudo.
A noite ao entrar em casa, me veio o pensamento – independente de qualquer coisa, de qualquer conclusão ou acontecimento ela não esteve menos bonita e perfeita por isso.
Senti, depois de dias paz no meu coração.

AE.12/12/12

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012


Hoje tentei me dedicar às coisas simples.
Participar do almoço com a família e ouvir aquelas piadas que só quem te conhece desde que você nasceu é capaz de entender.
Me dediquei a organizar as coisas da semana, a acompanhar o crescimento de minhas plantas e seus botões que em breve revelarão flores.
Dar mais atenção aos meus gatos que me acompanham aonde vou e brincam o tempo todo.
Horas de conversa com minha amiga, que sabe tanto ao meu respeito que falar com ela é quase um ato de pensar, uma verdadeira extensão de mim.
Mas em cada alegria, em cada sorriso que eu dei, a dor se fez lembrar, rasgando por dentro e ofuscando o brilho dos meus momentos. Por quanto tempo mais vai doer?
Daqui há alguns dias retornarei onde nos encontramos pela última vez, e eu sinto medo. Tudo se desorganizou dentro de mim, coisas em que eu acreditava não apresentam mais valor.
Dois dias antes do nascimento mais comemorado no mundo, eu me apego a uma esperança  - que neste dia, em uma época onde o amor prevalece nos corações o meu possa perdoar e consiga seguir sem essa tristeza.
E ao celebrar este dia em um lugar o meu desejo é que eu possa renascer.

AE.09/12/2012

sábado, 8 de dezembro de 2012


Dói
Sangra
Rasga
Agoniza
Desfalece
Entrega
Desacredita
Espezinha
Macera
Chora
Esmiúça
Desilude
Soluça
Apatia
Fraca
Nada

Perdeu a vontade de tudo.


AE.08/12/2012

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Como quem coloca uma planta no sol e sai para buscar água e deste dia então nunca mais voltou,
a deixou secando, secando, secando. E não é questão de prioridade e sim de importância, 
de responsabilidade, se ela está sofrendo ao sol foi você que a colocou lá.
Quem sentiu por um segundo o que foi dito tantas vezes por você não seria 
capaz de tamanha crueldade e inconsequência e se verdade,
menos ainda justificável.

28/11/2012 - 01:15

terça-feira, 27 de novembro de 2012



Eu te toco através da música. Através de um tempo que parou em sentimentos que necessitam de rótulos e definições.

Como explicar o que se sente? Ainda mais sendo tão forte e há tanto tempo assim?

Você. O que me fez querer ser melhor, o que eu escolhi, o que eu sempre sonhei.

Um sonho entre buquê de flores, abraço e abacaxis cor-de-rosa... Coração acelerado.

Entre atores, conversas ao pé do ouvido e mão no ombro... Olhos lacrimejados.

Entre trajetos de metrô, caminhada e hashis... Olhares.

Entre espera, desejos e abraço... Se foi.

E eu parada, com medo, era felicidade demais, e eu sabia que eu poderia acordar, então tratei de guardar coisas suas em mim. Eu te olhava, não com desconfiança, mas querendo eternizar cada segundo, cada palavra e cada gesto seu.

Por alguns dias mais me veio em sonhos novamente e depois entre lágrimas eu acordei, te procurei e você já tinha ido. Não pude fazer nada, não tinha o direito de fazer nada, eu não tinha um rótulo e menos ainda uma definição.

Como definir o que é atemporal? Como rotular o que é e apenas é em todo esse tempo?

Eu não sei, mais dói. O não saber explicar dói também, e eu não sei explicar. Entre outras coisas não sei justificar o porquê de eu ter escolhido voltar, e agora assisto como quem vê pela tela uma vida que sonhou acontecendo, como quem assiste a um filme, e este fala de amor. O amor mais lindo e puro que eu já vi.

Não sinto raiva, nem que eu quisesse não seria capaz... Eu amo demais, então apenas sinto... Sinto algo cortando por dentro que dói quando eu respiro.

Eu faria tudo para ser real, mas para se ter a parte boa.... Como se não fosse óbvio para mim. Doeu.

Sonhei com você e te toco através da música.

AE.15/11/2012




Coração apertado e nó na garganta.


Página em branco...

O que dizer?
Em todo esse tempo tanta coisa já foi dita, não há mais ímpetos de desabafos, só essa angústia muda que dói no peito e lateja na alma.

Acalentar um sentimento que foi exposto e incentivado a não ter medo, custa, inflama o corpo e todo ele é triste. Talvez eu tivesse que ter deixado de acreditar que as coisas poderiam um dia ser diferentes, mas vejo um traçado padrão nos vários quadros que estão pendurados em minha parede. Pregos fincados... O mesmo pintor.

Devaneios sem sentido. Mas o que nesse tempo fez sentindo? Um sentimento que não diminui, só aumenta por alguém contraditório em tudo que diz e faz.

Silêncios seletivos. Para alguém você se faz presente, eu vi enquanto voltava aonde paramos para refletir e inúmeras vezes você retornava e não por mim.

Sufoquei agonias, contive impulsos e me mantive ali, sentada no canto do meu quarto, com os joelhos entre os braços, na penumbra. Nesse instante até a luz doía.  A luz que vinha sendo você, em dias que se tornavam mais perfumados, poéticos e bonitos, em felicidades plenas-temporárias que sempre se esvaem, como as lágrimas em meu rosto, e dói tanto. Tento te tocar e te busco, mas não o encontro mais e também não me procura. 

Será tão fácil deixar alguém a quem diz amar para trás no silêncio? Tão diferente de poucos dias antes. 

Disse-me que nada mudou, mas nada está igual. Nem mesmo os acontecimentos, que se baseiam em títulos para se saber seu o grau de importância, é preciso que sentimentos tenham rótulos... Será que assim doeriam menos?

Não vou mais questionar. O passar dos dias, mesmo que longos e sufocantes em mim, revelarão em algum momento o que isso significou, se é que significou. Quem é você? Alguém que cuida de detalhes ou quem ignora dias a fio. Não consigo mais acreditar que alguém que sente tanto, é capaz de abandonar assim para que se espedace lentamente.

Subi tão alto, toquei as nuvens e em curto espaço de tempo estava no chão, e em silêncio.

Não tenho mais forças, não quero mais palavras, o que é apenas é, pois não depende de mim ou de minhas vontades, não há nada que eu possa fazer. Então me resigno onde o que há em mim pulsa, em um sentimento que clamou por realização, por fatos concretos que tornassem as coisas palpáveis e não surpresas desagradáveis que parecem providenciais.

Mas quero e preciso deixar de esperar... E, no entanto queria que deixasse de doer também.

AE. 16/11/2012




Por que sempre acontece algo inversamente proporcional a felicidade sentida ao seu lado. 

Quem é você que aparece como a materialização de um sonho lindo e se vai com a mesma intensidade? Que veio e me deixou assim, sem saber se você é cura ou doença, bem ou mal, felicidade ou tristeza.

Eu creio nas coisas boas, mas não são elas que me fazem companhia à maior parte do tempo. Tudo é tão lindo, mas depois se vai e parece nem se importar em me deixar para trás, e em como eu ficarei. E então eu venho aqui, no único lugar que eu encontro, desde sempre para aliviar a minha alma.

Sento nesse banco de frente pro mar, coloco música em meus ouvidos, fecho os olhos e sinto a brisa tocar minha pele. E nesse instante a minha mente se vai para algum lugar onde você esteve comigo e eu espero, espero até que mais uma vez essa dor passe. E eu sei que você não virá hoje, assim como não veio em todos esses dias que eu te esperei, e não virá tão cedo, porque eu sinto, sinto quando está perto e disponível e quando se fecha e se vai, e dói, dói porque eu sei que você sabe que eu tenho precisado de você e prefere seguir com "suas coisas".

E se foi... Mesmo sabendo que deixou para trás alguém que disse amar com tanta veemência e que está sofrendo tanto por acreditar.

AE.16/11/2012


Sinto-me assim... Quando eu não consigo dormir, eu escrevo.

Tudo em mim é dor, e na esperança de obter algum alívio eu choro, em alguns dias várias vezes até.

O buraco aberto em meu peito não se fecha, falta-me o ar e às vezes eu rezo... Uma tentativa desesperada de fé para que a dor passe ou então seja ela ao menos suportável.

Sonhos e sentimentos doem quando estão morrendo, tanto como se essa dor fosse da minha própria morte.
Uma lembrança ingênua desencaixada meio a tudo isso, e ainda ela é dor, e se esvai junto com meu pranto nesse silêncio sólido, tão afiado feito uma faca que corta a carne e a faz sangrar, tão maligno como veneno que se bebe sem saber e vai morrendo aos poucos... Definhando, esvanecendo. Deixei de desfiar significados desta teia, isso faz o corpo se esgotar. Como torneira que já foi apertada ao máximo e espanou, e em noite escura pinga . Não tem para onde correr, não há nada mais a fazer, o registro foi fechado, mas ainda há água nas entranhas da casa, o barulho ecoa em cada cômodo, em cada canto, e dá agonia de saber que algo se vai, se esvai, aos poucos, de pouco em pouco, minguando, secando.

Veneno que corre nas veias e tem sabor amargo, consigo sentir seu gosto enquanto ele percorre meu corpo. E eu rezo... Suplico para que pare de doer. E dói tanto, como quem acorda de um sonho, lindo... Irreal, e antes mesmo de abrir os olhos, antes até da própria consciência tomar o meu corpo, todo o resto já é dor, é agonia. E a torneira não para de pingar, contendo a pressão para que a água não exceda os limites que sua condição impõe.

AE.23/11/2013 - 4:04/ 5:09

Sonhos duram uma noite, mas a realidade uma vida inteira.




Chega uma hora que a gente entende que deve abrir mão, deixar partir. Que querer conversar, chorar e tentar entender não levará a lugar algum.

Deixei de lutar contra o que sempre acontece. Quero esquecer, e peço a Deus que tire de mim todos esses sentimentos negativos e que liberte o meu coração de tanta dor.

Não há nada para ser feito por mim e nem consigo entender as motivações de tudo que aconteceu, talvez não faz mais diferença, e ainda sim é cruel, tantos dias em profunda angústia.

Você pesou, decidiu tudo e se foi, nem se importou em como eu ficaria, e se quer se interessou em saber.

Um amor tão real que parece sonho, um sonho eterno que nunca se realizará... Incoerente, inconsistente.

Você se fechou com o que te interessava e me deixou para fora, bateu e trancou a porta.

Lamentar?

Não sei continuar com isso, apenas escrevo quando dói demais, quando fica insuportável. Escrevo para aliviar o que eu sinto.

Saber?

Eu não sei, nunca soube e nunca saberei, essa história é feitas de lacunas tão profundas onde caberiam infinitos buracos negros... E mais, e mais e mais.

E eu vagando nesse espaço, onde não há nada, nem mesmo o ar, tudo é tão somente vácuo, e todo ele é tão escuro.

Então escrevo... Não para formular teorias ou acusações, apenas para aliviar a minha alma que se perde e cansou de tentar entender.

E em sua resignação pede:

Por favor, Deus!

Faça parar de doer.

AE.17/11/2012
"Sonho que se sonha só é apenas sonho...
Sonho que se sonha junto é realidade".
(Raul Seixas)