quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Hoje como em alguns dias senti necessidade, algo dentro de mim pedia incessantemente “toque-o”, por favor, “toque-o”, mas eu disse-me – eu não posso, nada que eu faça é capaz de mudar o que houve, e eu já não sei mais. Tudo que eu poderia ter feito eu fiz, até mesmo o que me foi pedido, e assim, fico aqui acumulando riquezas que não possuem valor algum – “... o silêncio ouro”.
Coloquei os fones nos ouvidos no volume mais alto em que eu fui capaz de ouvi, a música começou, e senti o meu corpo inteiro se arrepiar e se acomodar em cada acorde. Em cada palavra cantada, senti o meu amor por você tão real, tão forte e abnegado tomar o meu corpo. Fechei os olhos, os cobri com as mãos e você me veio à mente, lembrei-me do jeito que me abraçou quando me viu no nosso último encontro, das flores que trazia nas mão e no quanto você é lindo aos meus olhos.
Cada detalhe seu, calça palha (como me disse uma vez que gostava) e blusa listrada, mais alto, mais forte, mas ainda sim o mesmo que de ansiedade sorria o tempo todo. Lembrei-me de tantas coisas que mesmo apesar do tempo, aconteceram entre nós pela primeira vez.
Sinto dentro de mim quando me lembro a forma como se aproximou dentro do elevador e nas vezes que falou ao meu ouvido, ainda agora o meu corpo responde a você. Sobre tudo me recordo da forma como me olhava, não era apenas desejo, não parecia ser, eu conseguia me ver através de você, era como se eu mesma pudesse me reconhecer, como se me olhasse da mesma forma que eu olhava para você – era confirmação, admiração e vontade, vontade de viver uma vida inteira ao seu lado.
 Tudo reapareceu com tanta intensidade que baixei a cabeça que passou a ser amparada por minhas mãos, neste instante, ainda que meus olhos se mantivessem fechados a emoção transcendeu e percorreu meu rosto por saber que nunca mais estaremos perto... Você não vai voltar.
E foi neste instante, que de forma triste e resignada eu fui capaz de perceber o medo que há em mim... O medo de esquecer o que eu ainda lembro de você.


AE.05/02/2014-RA

Certa vez perdoei o seu "teatro" e você com tudo que diz querer e sentir sai e fecha a porta com tanta facilidade se sentindo justificado por algo que eu não fiz... Hoje eu vejo, mesmo que ainda fosse possível não tenho tanta certeza se é alguém assim que eu gostaria de ter ao meu lado. Tão soberbo, se julga acima do bem e do mal. Não se pode sentir coisas tão contraditórias por uma mesma pessoa. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Exale, polinize e frutifique.
Feliz em ver você aqui.